Marco Gil

Fotógrafo, escritor, contador de histórias.

Marco Gil

Aldeia de São Francisco de Assis

Covilhã, Portugal

Era Outono, não sabia ainda que as cores das estações do ano também eram fundamentais para fotografar, mas foi nessa altura que eu e a fotografia mudámos a vida um do outro. Normalmente existem motivos para que realizemos as coisas, naquele dia só achei que o sol tinha uma tonalidade diferente, que incidia sobre uma paisagem em tons de laranja e que aquele momento deveria ser eternizado. Fui buscar a máquina que já costumava andar comigo pelo encantamento natural com que dois amigos se fazem acompanhar. Não sabia, sequer, que fotografar aquele instante iria prender-me a milhares de outros. O vício apoderou-se de imediato e a magia da fotografia nasceu de uma forma avassaladora. Cruzei a paixão, a magia, os sentidos (os cinco), a vivência e adquiri um poder observacional diferente, muito próprio de quem fotografa com o coração.

Dali em diante, a minha forma de ver o mundo foi outra, criei histórias, vi o que existia para lá do que observava, olhei para as pessoas e para uma vida que viviam, por vezes pouco importava se eram as reais, o fundamental é que sempre me transportaram para outras.

Nasceu também um fascínio por fotografar pessoas, procurei incessantemente rostos, sentia que lhes fotografava a alma, que lhes despia os sentimentos e que lhe dava uma outra vida para além das deles. Desde olhares vazios a outros preenchidos por amor, sentia que fotografá-los num instante das vidas deles era como intervalar o tempo.

Sempre que pego na máquina tento verdadeiros instantes; instantes que respirem memórias, porque as memórias existem, vivem-se e até se sentem. Vivo e fotografo de emoções, sem horários, com paixão, sem limites. Por vezes roubo horas ao tempo para fazer mais e melhor, porque sei que cada imagem será eterna e irrepetível.

Perpetuar as imagens e atribuir-lhes estórias, as minhas, que são as deles, é um caminho que sigo, tenha ele curvas, abismos ou mesmo rectas, sei que no final sempre teremos um destino.

Através da fotografia embalo o tempo, conto histórias em vez de horas, tento colher nos instantes, sem lhe reconhecer os limites, porque é com o tempo sem tempo que nos embevecemos, com os retratos da alma que nos deixamos ir, seguindo a lente que me diz ser efémera na captação do momento e eterna na memória que dele decorre.

Por vezes procuro o acaso premeditado pelo enquadramento do olhar ou pelo tempo que não tem lapso nem eclipse, ou a antecipação, a surpresa e às vezes um rasgo único ou desconcertante, a isto tudo, tento ser um leitor de almas, ou um fazedor de sonhos, um criador de instantes ou até instigador de momentos; o dom do olhar é a complexidade de um mundo irrepetível em harmonia, impacto e reflexão, cor e objecto. É assim para mim a fotografia, é assim que a faço, com as histórias que preenchem as imagens.


O meu trabalho

É a minha visão sobre o mundo. São Pessoas, Paisagens, Perspectivas que são as minhas, a vida à luz do dia ou da noite e cidades que percorro com a mesma intensidade que as vivo. Tudo em fotografias que contam histórias ou estórias de um quotidiano que é o de todos ou o meu.

Pessoas
Paisagens
Nocturnas
Cidades
Perspectivas

Pessoas

Despir-lhes a alma, ler-lhes o rosto, fotografar pessoas é como intervalar vidas por instantes ou perpetuar memórias.

em Lisboa, Portugal

Não gosto destas fotografias, mas elas são necessárias. São mais que um alerta, são reais e acontecem.
Normalmente os sem abrigo têm um rosto e eu conheço o do Raúl, que apesar de ter uma vida a preto e branco eu trouxe-lhe a fotografia a cores.
Não tem casa, não tem trabalho, rumo, ou sapatos...sobrevive nas ruas de Lisboa.
Lado a lado com a luxúria ou a avareza, com a excentricidade e a gula.
Ninguém o vê, poucas pessoas lhe " passam cartão ", o único que ainda lhe é útil é o que utiliza para se cobrir à noite, por cima das condutas de ar.
O Raúl por vezes só precisa de comer, precisava de um rumo, de ajuda e de trabalho.
Ele nasceu em Queluz, mas continuamos a ignorá-lo e se pudermos ainda nos desviamos dos sítios por onde ele passa ou apenas onde ele está.
Falei com ele, porque ele fala, como os outros. Não consome droga ou álcool, não mete medo, nem assusta ninguém.
Perdeu apenas o rumo da vida e ninguém o " vê ".
Amanhã as autarquias têm mais um muro para construir, onde vão por um vaso com uma planta que está murcha daqui a 3 semanas ou vandalizada daqui a 4....e enquanto isso o Raúl continua a passar fome, sem que ninguém se dê conta que ele existe.
É bonito alugar um Jeep e ir buscar refugiados Sírios, pedir ainda ao amigo que nos passe a noticia no Telejornal, para podermos mostrar que vamos ajudar, porque ajudar não chega, precisamos de mostrar que o vamos fazer.
E com isso até pode surgir o patrocínio que nos pague a gasolina daqui à Croácia e é uma viagem do "catano" porque ainda tem paisagens pelo meio. Tiramos umas fotos para pôr no instagram, mas sem nunca esquecer a hastag que vais mostrar ao pessoal que vamos ajudar os refugiados.
...e nesse tempo todo o Raúl está ali, provavelmente no arranque para Croácia até nos cruzámos com ele á saída de Lisboa, mas nem o vemos. Ele não trás share, ele é só o Raúl.
Eu, por acaso vi-o, paguei-lhe uma sopa e fotografei-lhe um rosto que não tem vergonha, tem apenas fome.
Mas os pés são o suporte do homem, depois da alma e do coração, foi por isso que lhe trouxe os rastos da vida ténue, na sombra, íngreme e esquecida dos outros ou dele mesmo.
De Lisboa com a realidade...

em Lisboa, Portugal

O Sr. Chico é estofador e restaurador de móveis há mais de 60 anos. Foi com 11 que o Pai lhe ensinou esta arte. Ele conservou-a através do tempo numa loja de 3 metros quadrados em Campo de Ourique.

em Amesterdão, Holanda

E ei-la...a Rita.
Chegou assim, de rosto marcante, assim como a vida, mas de presença carismática...como sempre e discreta.
Veio no mesmo veículo de sempre, com o mesmo semblante de sempre e a esperança que lhe corre no sangue.
Minutos antes deixou o Vicent Jr. com a sua irmã e chegava agora junto do seu marido, iam ambos para o curso culinária que Rita anda a tirar, pelo gosto mas acima de tudo pelo conhecimento incessante em procurar aprender com que se caracteriza na vida.
É uma mulher valente, defensora de causas e constituída de valores nobres. Nunca virou a cara uma luta que se lhe insurgisse na vida e as que procurou foi sempre com o coração. É também com ele que fala na hora de decidir, é com ele que age na hora de falar.
Rita é admirada por muitos e criticada por ninguém, foi mulher de excessos na juventude porque lutava por uma liberdade que teimava em desviar-se-lhe do caminho, mas que encarreirou com determinação e querer.
Conserva 3 vícios, a leitura, a caminhada de 7 km ás 5 horas da manhã e o último e pior trás consigo na sua mão direita.
Segundos depois fotografei o abraço que deu a Vicent, um abraço diário e infinito, assim como o amor que os une.
Como gostei de os conhecer...CARAMBA.
De Amesterdão com Rita, a mulher de Vicent...

em Paris, França

Gosto de pessoas que lêem no metro, porque sabem aproveitar os tempos mortos, converter as pausas em sabedoria. Aprecio quem o faz e consegue ignorar quem o rodeia, foi assim com Gerard...trocou centenas de pessoas e os tumultos, o barulho e a agitação pelas estreitas letras de Alexandre Dumas e transpôs-se...saiu dali e vivera o Romance como se nele estivesse.
As linhas são poderosas...mas o poder de concentração é maior.
Ia na página 67, mas enquanto estive com ele, folheou o livro pelo menos umas 10 vezes...devorou-o com paciência e deu utilidade a um tempo que podia ter sido...perdido.

em Amesterdão, Holanda

Desde aquela quinta - feira, que não esqueci Steve.
Eu procurava um sitio para almoçar...e a 10 metros vi-o, sentado no mesmo banco de onde nunca saiu.
O olhar era este, tinha um copo de café na mão, a mochila com o portátil, e este casaco verde que lhe aconchegava a cabeça que não parava de pensar.
Há uma semana Steve era casado com Mia, músico nas horas livres e Engenheiro informático numa empresa no coração de Amesterdão.
Uma semana depois Steve descobriu que a mulher o trocou e a companhia para onde trabalhou até esta manhã, ia fechar portas daqui a um mês.
Eram 13 horas, aproximei-me dele, e nem pestanejou, aproximei-me ainda mais e nem franziu os olhos. Cometi a imprudência de encostar quase a minha lente à sua face e ainda hoje tenho a certeza que ele não deu conta da minha presença.
A vida dá voltas, muda numa semana, ou em horas.
Agora passaram 2 semanas e espero que Steve tenha superado aquele olhar carregado e os problemas que com ele trazia.
Naquele dia eu senti o peso que ele carregava aos ombros...

em Amesterdão, Holanda

Duas vidas e um selim...

em Porto, Portugal

É Alemão e cruzei-me com ele há dois anos no Porto. Sim, foi no Porto, que Joseph ostentava este ar gélido e fixo, como se o horizonte fosse uma trincheira ou fosse...nada.
Como a maior parte dos Alemães, Joseph é uma pessoa de carácter forte, impenetrável, nada ou pouca coisa o afecta. Preza o silêncio, é culto, já fala e lê em Português, é a 3ª passagem pelo Porto. Gosta de Eça de Queiróz e o livro diante dele é a prova que ostenta os factos. Era Professor Universitário em Berlim, hoje é reformado e as viagens tomam-lhe conta das ocupações. É reservado e retive-lhe a mais usual das suas expressões, que é esta : estático e absorto do que o rodeava, debaixo de uma luz pálida e sem movimentos.
É assim Joseph.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

É a Silvana, quem me conhece também a conhece e seria apenas uma menina bonita, filha de dois amigos meus : da Madalena...com que já partilho uma vida e cujo o casamento nos traçaram à infância e do Gonçalo...outro bom e calvo amigo.
Mas ela é mais que isso. Sou o melhor amigo dela e não preciso de a subornar com " bubblicious " ou sumos, quando repete essa afirmação, porque as crianças não mentem e a Silvana muito menos.
Temos uma relação especial, daquelas que se constrói em abraços e se dilui em sorrisos e gestos de carinhos. Das que se empolga quando estamos juntos e se sofre na ausência.
Despedimo-nos sempre da mesma forma como nos encontramos, com um abraço aconchegante.
Tem um olhar que brilha com a íris...que parece uma mistura entre a cor de mel e avelã. Nunca lhe vi uma birra, sabe comportar-se quando precisa de um instante adulto e sabe brincar no resto do tempo.
É destemida, finta o medo com audácia que nem é própria dos 5 anos que tem. Arrisca e é arisca com " r´s " a mais ou a menos.
Os cabelos longos e encaracolados são da mesma medida da sua beleza e do ar meigo e doce. É educada e carinhosa.
E quando lhe dou as mãos para subir ou descer escadas sinto-lhe amor. Amor verdadeiro, puro, forte e daqueles que duraram uma vida.
Gosto de a ver com a mão na cintura, de a sentir aparecer para me acordar quando estou a dormir a sesta...vem em pés de algodão doce e passa-me a mão no rosto antes de me tentar assustar. Gosto de a ver...gosto de competir apenas com a " Xana Toc toc "...quando hesita no seu melhor amigo.
Gosto dela infidamente e ela sabe...e sabe pelo olhar de adulto para menina.
Com a Silvana...de coração aberto.

em Paris, França

Quando cheguei de Paris, vinha com a sensação de que a tinha fotografado mal, se calhar aconteceu. Mas de cada vez que vou rever o que fotografei por lá, surpreendo-me mais.
Lembro-me exactamente deste momento.
Estávamos a mudar de estação dentro do metro e tal como em todos os metros do mundo, as pessoas estavam apressadas e os meus amigos também, era uma correria que se vivia ( e não se vivia )...até que o vi...era Fréderic, tirava as fotografias para Jess, a noiva Australiana que vive do outro lado do mundo. Decidiu fazê-lo ali, quando eu passava.
Lembro-me perfeitamente de ter parado e pensei de imediato que uns pés...sem direito a rosto deviam dar uma história tremenda. Que ali podia estar quem eu quisesse...sentado. Depois de disparar o shutter olhei como normalmente faço para o o ecrã da máquina e sei que sorri de satisfação...gosto destes momentos. Segundos depois toca o telemóvel e era o Antony, perderam-me na linha do metro e estavam preocupados, eu ficara para trás por causa de Fréderic...e como não me arrependo nada de o ter feito.
" Marco por causa de ti, vamos demorar mais meia hora a chegar a Chatelé "...e eu ria-me por dentro...sabia que aquela meia hora tinha valido tanto a pena para mim..., eles continuavam indignados a discutir comigo e com eles próprios...e eu continuava a sorrir...por isto...apenas por isto. Porque a originalidade não tem tempo ou hora marcada e eu sentia-me feliz.
De Paris...feliz.

em Lisboa, Portugal

Já trouxe a história de amor da Paola e do Juan. Mas ainda não tinha publicado esta fotografia. É uma daquelas que mexe comigo, daqueles que mais gostei de ter tirado, por tudo, esta imagem define o : MOMENTO.
Porque se fosse antes ele fugir-me-ia e depois também, porque eu estava lá e o contemplei em milésimos de segundos. Antes de o autocarro me separar visualmente dos dois.
É o impacto do amor na linha do tempo.

em Amesterdão, Holanda

A infância podia ter-lhe roubado a vontade de viver ou de sonhar, mas fez apenas com que Rose tivesse um amadurecimento precoce.
Presenciou a morte repentina do Pai. O dia permanece límpído na memória, ela tinha apenas 10 anos, um vestido vermelho e um sorriso feito de seda. O embate com a ténue diferença entre a realidade e a fantasia emanciparam o crescimento de Rose.
Manteve todavia uma relação estreita com a Mãe, foi talvez a sua maior amiga ao longo da vida.
Mas recuemos, Rose é do tamanho dos seus sonhos, é curiosa, atenta, culta, determinada, a garra alimenta-lhe a vontade de fazer mais e a persistência uma capacidade inabalável de nunca desistir de nada. É emotiva, rege-se com o coração mesmo sendo ciente da razão. Perde o rumo apenas quando o coração lhe foge das mãos...mas sabe que se encontra com ele mais tarde.
A vida fez-lhe tomar sempre rumos diferentes, licenciou-se em Filosofia, mas acabou por exercer a via profissional num escritório de 2 metros quadrados que a limita entre papéis e números de contas e vidas de pessoas que são os clientes do banco onde trabalha.
É pensativa, tem duas horas de almoço que as ocupa nesse exercício incessante, onde recua o tempo ou o avança, conforme as necessidades, onde traça os sonhos que viveu, os que gostava de ter vivido, os que quer viver e não pode e os que quer viver.
Rose é preocupada, com os seus e com os que lhe tocam.
Casou por duas vezes, na ambição de uma felicidade plena e é no seu único filho que deposita todo o amor por que se constitui, o que tem e o que partiu com a sua Mãe há poucos anos atrás.
Aquela que será a maior ferida que tem o seu coração, aquela que nunca irá cicatrizar...pensa nela todos os dias e visita-a na última morada que lhe deu com a mesma frequência com que ambas sorriam.
E a gargalhada de Rose? é bonita, é como um soneto ou uma nota musical, sem ritmos. E quando está feliz e se absorve de pensamentos, mas bons? é levada ao extremo, é nessas alturas que Rose é imparável e move o mundo.
Podia ter sido artista, pianista por exemplo, tem rasgos geniais que lhe conferem perfeição, tens mãos delicadas e refinadas.
É ansiosa, feliz e doce.
Cruzei-me com ela numa pausa de almoço, pensativa como sempre e introspectiva como nunca : porque se apaixonou...
Do mundo com Rose...

em Zurique, Suiça

É a Marie. Nasceu há 36 anos na Nova Zelândia.
Filha de Pai Britânico e Mãe Holandesa, desde cedo começou a viajar. Viveu em 11 países e de todos trás um pouco da sua cultura.
Fixou-se há 3 anos em Belgrado, é dona de uma escola de tenis para crianças e vive estável e cómoda. Só ainda não perdeu o gosto por viajar.
Cruzei-me com ela em Zurique, na Suiça, mudava de carruagem, mas despedia-se com vários beijos do seu actual companheiro, conheceram-se há 3 dias mas assolara-os a paixão ( era sempre assim, é sempre assim ). Estes eram os passos para o último beijo, segundos depois partia.
Juan é Argentino e prometera-lhe estar na Sérvia de visita dali a dois meses. Não sei se voltaram a ver-se, se a paixão deu lugar ao amor e se continuam felizes e para sempre.
Vivo com a incerteza de um: sim.

em Amesterdão, Holanda

É isto que me fascina na fotografia de rua, a imprevisibilidade.
Eu estava ali e o Rico passou, é Advogado numa firma deles no centro de Amesterdão. Levava o meio de transporte do costume e ouvia Sigur Rós, ouve sempre.
É assim que carrega as primeiras energias, com música e o rosto ao vento.

em Lisboa, Portugal

Foi para fazer diferente que quis fotografar Lisboa. Dei-lhe voltas, pelas colinas, pelas calçadas e pelo Tejo.
Até que dei volta à Mafalda. Já a fotografei de diversas formas, por todos os ângulos, mas se alguma vez senti originalidade naquilo que fiz com ela, foi agora, quando a vi tranquila como sempre e serena como nunca.
A vida dá voltas...e neste instante foi assim que a vi, com o céu a seus pés, o Tejo à cabeça e a a ponte a dividi-la. Podia chover a calçada, comer as nuvens como se fossem algodão e sentir-se feliz.
São raras as vezes que me sinto satisfeito com algo que faça, esta é uma dessas raras vezes.
De Lisboa, com a Mafalda...ao contrário.

em Lisboa, Portugal

Antes de ir para Lisboa...estava sem imaginação, provavelmente ninguém reparou, mas já não não escrevia mais de 3 palavras nos textos. Cheguei lá e tudo mudou num piscar de olhos...a inspiração chegava com o ritmo da cidade.
Foi então que decidi fazer diferente, queria distinguir pessoas, ruas ou detalhes.
Lisboa ajudou-me e eu tentei fazer o resto...foi por isso que no meio da multidão surgiu Eduardo, um homem pouco vulgar que erguia o telefone junto ao ouvido para falar com a mulher na pausa para almoço.
Foquei-lhe a vida no meio de outras tantas...ao acaso...como faço sempre. Não sei muito sobre ele, nem procurei saber...apenas lhe senti os pés firmes no chão. No mesmo chão que eu.
De Lisboa...

em Lisboa, Portugal

Lembram-se do Gil? Sim, aquele rapaz tremendo que me guiou por sonhos na Cova da Moura. Esta é a mulher, a Jessica e é caso para dizer que atrás de um grande homem está sempre uma metade de mulher...sem que se quantifique sequer o valor de tamanha constatação.
Com metade da Jessica...

em Zurique, Suiça

É a Maria. Vive em Zurique e nem a chuva lhe contraria a leitura, nem a agitação da cidade a incomoda, nem a minha objectiva a desconcentra.

em Amesterdão, Holanda

Fotografar pessoas tem tanto de difícil como de fascinante, o óbvio pode não o ser e a invulgaridade está sempre na falta de ocasião para disparar o shutter, mas por vezes, a busca incessante traz-nos frutos e expressões e acasos de uma vida feita deles.
Foi o que aconteceu aqui, este parece um cenário Nova Iorquino, um terraço e um casal, cores quentes...e seria tudo.
Seria tudo, se eles não tivessem nomes, nem uma história para lá destes instantes. Não parece, mas este terraço fica num segundo andar e eu estou no chão, a uns bons metros deles. Estariam sobre o sol e discretos se eu não me desse conta deles.
O Jonh é Alemão e a Anne é Irlandesa, partilham Amesterdão para estudarem Arquitectura. Estão na pausa das aulas e escolheram o terraço da casa de John, para fumarem o que é legal noutro sitio qualquer e conhecerem-se um pouco mais. Abaixo está um cofffee shop e acima estão os vizinhos curiosos ( tal como eu ), mas eles não se apercebem de nada.
A fase do encantamento é assim, faz-nos penetrar num mundo muito próprio onde só coabitam duas pessoas e pouco mais.
A tatuagem de Anne diz ( e numa língua muito manhosa ) : " O amor não tem lugar fixo ".
...a tatuagem hoje...tem toda a razão de ser...
Por momentos insurgi-me naquele que é um mundo só deles.
De Amesterdão com amor...num terraço. ( com vista para mim )...

em Paris, França

São raras as vezes que não consigo explicar o quanto algo mexe comigo. Esta é uma delas.
Cheguei de Paris com a sensação de que a fotografia por lá me tinha corrido mal, mas o tempo tem-se encarregado de me contradizer.
Lembro-me deste momento de forma límpida e lembro-me do arrepio que tive, quando os 5 nos cruzámos debaixo da grande Dama.
Mas desde que a editei e a encontrei pelo disco, tenho que a rever diariamente, coloco sempre a mesma música e olho para ela infindávelmente, sou invadido por sensações indecifráveis e é por isso que esta fotografia não tem uma história, não tem personagens especificas e se ela tiver o mesmo impacto nos outros que em mim, pode conhecer o mundo.
Quem me conhece sabe que fotografo com o coração, levo as Nikon às vezes, mas é nele que deposito as maiores faculdades e é com a mesma alma que vejo esta fotografia de há uma semana para cá, nem sabia ao certo se a deveria partilhar, mas achei que sim e por isto :
Cruzei-me com Amor, com mãos dadas, com Amor Paternal, com protecção, com confiança, com afectos, com esperança, união, com FAMÍLIA e com uma junção plena de tudo.
Mas aquelas mãos dadas...entrelaçam um mundo que deveria ser copiado desta imagem...
Por fim, tem o detalhe : O da Torre, a Grande Dama, a Matriarca, a fortaleza...a que é " familiar " ao mundo...a todos. A eles e a nós.
Não consigo exprimir totalmente os sintomas e causas que esta fotografia tem em mim, se um dia for lembrado por tirar umas fotos, que esta venha no " Portfólio de amostras ".
A música que me acompanha com ela e que comigo guarda um segredo feito de emoções é esta: Ray Lamontagne - Shelter

em Paris, França

O nome dela é tão impronunciável como os das pirâmides que ficam entre do Médio Oriente e a Ásia.
Mas o sorriso não, o sorriso pronuncia-se com simplicidade.
Abordei o muro primeiro e depois a abordei-a a ela, chegou, colocou-se de pé sobre este muro que separa a estrada do Sena, mesmo no piso Sul da Torre Eiffel, depois fez um gesto oriental com as mãos, de seguida olhou tranquilamente para o Rio e pensou largos minutos. Mas assim que me viu, colocou-se nesta posição e sorriu como que autorizando que eu a fotografasse sem rodeios ou receios...e fiz-lhe a vontade do olhar.
Depois disso acerquei-me dela, mostrei-lhe as fotografias e prometi--lhe uma história, dei-lhe o meu cartão e ela disse-me o nome...
...e repeti-o por várias vezes, mas nem com milhões de tentativas me conseguiria lembrar dele.
É estudante de belas artes, vem da China e foram os Pais que escolheram Paris para lhe dar um rumo à vida e uma carreira profissional de sucesso. Ainda não tem um amigo em Paris é com o Sena que ela desabafa e troca confidências.
Espero que ela me tenha encontrado e o Google tradutor lhe seja tão útil como foi o sorriso dela para mim, naquela tarde.
Com " ela " de Paris...

em Amesterdão, Holanda

É a Rebecca, cruzei-me com ela em Amesterdão e tinha um olhar comprometedor.
Atrevido mas comprometedor, parecia que me tinha olhado para o rabo e escondia com os olhos esse instante com algum pudor.
Eu percebo-a, se me pudesse ver de costas, também não faria outra coisa.
Tem um olhar presente, mas fugaz, um olhar meigo e doce...e uma presença incrível.
Amesterdão tem este dom...de colocar um sorriso em cada pessoa com quem te cruzas...

em Eindhoven, Holanda

As fotos de ruas enchem-me o coração e a vista.
Aqui foi em Eindhoven, numa tarde tão boa como a Penélope Cruz.
E podia ser ela que ali ia...descontraída e vistosa que não me tinha dado conta. Foquei-me inteiramente no espelho que reflectia Cuper...o Senhor que se aproximava a passos curtos.
Cruzaram-se, ele e a "Penélope"...mas a minha retina ficou naquele espelho e no reflexo que Cuper me deixou lá...

em Paris, França

A Simone não se fez rogada quando me viu : encarou-me. Isso traçou-lhe o carácter...porque as pessoas se definem pela forma como nos olham na maior parte das vezes.
Trabalha num supermercado, na caixa e atende as pessoas com o mesmo sorriso de sempre. Faz dos dias agrestes, dias felizes...a quem por ela passa...
Tem 3 filhos pequenos e é Mãe solteira.
A música é a verdadeira paixão que a move...mas perdera o sonho de a levar mais longe há muito tempo. Pela falta de oportunidade e pelas responsabilidades.
Admirei-lhe a firmeza de carácter...
E o estilo?...cativante.

em Amesterdão, Holanda

Esta é outra daquelas fotografias que mexe comigo da cabeça aos pés.
...e ainda nem sei bem o que escrever, mas vai sair ao ritmo dela.
É a Claire, abordei-a duas vezes, a primeira aqui. Eu bebia um café numa esplanada do outro lado da rua e ela tentava tirar o cadeado que prendia a bicicleta, percebi que se sentia atrapalhada e ajudei-a (sem segundas intenções). Cumprimentámo-nos e convidei-a a tomar algo, ela estava com pressa e despedimo-nos dali para sempre...ou talvez não.
Dois dias depois eu passeava tranquilamente por Dman Square e ela estava ali ao sol, sentia a música dos carrosséis e convivia com mais 3 amigas. Percebi naquele instante da peculiar relação que ele tinha com o astro que emana calor e fui ter com ela.
Reconheceu-me de imediato e disse-me que naquela tarde já teria tempo. Troquei-lhe as voltas e em vez de um café convidei-a para um gelado. Um daqueles gelados que demora três horas e tem finais felizes, com ou sem língua.
A Claire é pintora e faz apenas isso na ausência de nada, porque emprega em tudo o mesmo amor...como se de uma pincelada de tratasse.
Hoje ainda costumamos falar. Esta fotografia foi num instante que podia deixar de o ser, se o milésimo de segundo com que disparei o shutter fosse totalmente interrompido pela pessoa que passava entre nós dois.
A Claire beija bem e gosta de gelados de morango.

em Paris, França

É o Frank e é das pessoas que mais me marcou por Paris, a mim e aos meus. Ainda ontem a Leti me perguntava quando o " escrevia ". Cativou-nos de imediato, por ser puro e espontâneo.
A história foi mais ou menos assim : Era quase meia noite e nós voltávamos para casa, estávamos cansados e já pactuávamos com o silêncio em vez de risos.
Mas eu fotografava, o metro estava quase vazio e aproveitava-me disso para tirar fotografias.
Até que entrou Frank, sentou-se e quando eu apenas fotografava a carruagem, ele insurge-se ao retrato.
De sorriso simples, de ar bondoso e olhar puro...foi assim que ele se dispôs para os retratos seguintes que lhe tirei.
Trocámos de imediato impressões, eu sentei-me no chão á beira dele, mas ele esticou-me a mão para falarmos lado a lado, como homens. Era educado e afável. Eles estavam de frente e mesmo consumidos pelo cansaço...simpatizaram também de imediato com Frank. Sorriam por vê-lo sorrir.
Disse-lhe que iria escrever a história dele e quis saber mais sobre ele.
Frank já nasceu em Paris, mas os descendentes são da Polinésia Francesa, ele vive em Paris desde sempre e vive num bairro problemático. Estudou até ao 12º ano e apesar de ter feito o " Bac " nunca ingressou na faculdade por impossibilidade económica da família. Mas queria ser Advogado, para lutar por causas justas. No bairro onde vive tenta afastar os mais novos da perdição e dar-lhes um futuro com um bom rumo.
Perguntei-lhe o que fazia e apontou para as luvas que trazia na mala, era Boxeur. Contou-me ( e baixou o tom de voz nesse momento ) que vinha de lutar, mas que não gostava que as pessoas soubessem, era um modo de vida, é a sua profissão, mas por uma questão de sobrevivência.
Assegurei-lhe que não ia contar nada à Mãe dele e ele riu.
Durante todo o tempo, manteve sempre o mesmo ar, tranquilo e amável.
Saiu 4 estações depois e quando saiu, ainda fez poses para mais uma fotografia.
Dei-lhe o meu contacto e ele prometeu vir em busca das fotografias e da história, mas não apareceu...
Espero sinceramente que o Frank apareça por aí...eu e os meus amigos estamos-lhe gratos por nos ter aliviado o cansaço daquela noite e transformado dor em risos.
Se alguém o vir por aí...que o avise que eu cumpri a promessa.
Com um rapaz incrível...do metro Parisiense.

em Lisboa, Portugal

" Caraças ", porque me apetece mesmo dizer isto ou pior.
Fico assim quando vou ao disco buscar pedaços da fotografia de rua que tenho feito.
E " Caraças " como adoro esta fotografia. Depois do pôr do sol da minha Aldeia é este tipo de fotografia que me enche a alma.
Posso sentir esta fotografia.
Lembro-me do momento em que a tirei, das borboletas no estômago que passaram de lá para cá...
...o beijo aproximava-se e eu aproximei-me deles...de uma forma que podia ser tacto.
Pude sentir-lhe o Paco Rabanne Lady Million, ou a batida do coração, perceber se a pele era macia ou não.
Senti-me envolto por um amor que não era o meu. E senti-me cheio...
Porque a fotografia são instantes de tudo e de amor também.
O amor não tem lugar fixo e aqui encontrei-o na rua...com metade dele, com ela por inteiro...mas com tudo.
E se esta fotografia não fosse Amor...podia ser um catálogo da Dior.

em Paris, França

É a Ivone, porque o é mesmo. Porque a fui conhecer depois de a fotografar.
Atrás dela está o Moulin Rouge e a passadeira que ficou famosa, porque eu e mais 3 amigos nos fotografámos nela re-criando os Beatles.
À frente de Ivone não está nada, ela afunda-se num turbilhão de pensamentos que a fazem evadir-se num mundo só.
Perdeu Hector o seu adorado marido há 7 anos. E desde aí que sobrevive num mundo...muito próprio. Não permite auxilio, mas não mostra desespero...
...revela apenas um ar triste, solitário e reservado.
Deixou de ter muitos amigos, os passeios são sempre entre casa e o cemitério onde está sepultado Hector...
Mesmo assim, quando o vai visitar ao túmulo...veste-se para ele...o Vison tricotado é ostentado com glamour e requinte, as luvas de pele e um cachecol de seda são parte do ornamento que parece encomendado. Mas existe apenas porque Hector o elogiava incessantemente. O perfume é o mesmo que desviou o olhar de Hector há precisamente 60 anos neste mesmo local : Classique, de Jean Paul Gaultier.
Fui abordá-la minutos depois de a fotografar, mostrou-se cuidadosa e atenta, sem mostrar receio e sempre com os olhos brilhantes...contou-me a história...das histórias da sua vida. Estou-lhe para sempre grato.
Com Ivone de Paris.

em Lisboa, Portugal

O Artur não dorme uma noite completa há mais de 50 anos. Ele esteve na guerra e isso marca-lhe cada traço no rosto e cada pedaço da sua personalidade.
Trás com ele marcas incalculáveis e abordá-lo não foi propriamente fácil.
Os rastos do fumo do cigarro fogem-lhe com a esperança que a guerra lhe tomou.
Passou alguém enquanto eu falava com ele que disse : " Vocês metem-se com os malucos " ; Mas o Artur não é maluco, é só alguém que sofre os pesadelos que a guerra lhe deixou, que os sofre ainda hoje. Que foi moldado a tiros e granadas.
Aposto que bebia Whyskie enquanto fumava cigarros destes na companhia dos amigos...num regimento qualquer. Que era bravo e destemido...mas a guerra levou-lhe isso e o futuro.
Hoje tem o passado na cabeça...e às vezes pode não ter nada...

em Lisboa, Portugal

" Fazia a viagem entre Sydney e São Francisco. Tínhamos feito escala em Singapura e depois fomos forçados a fazer novamente escala, em Lisboa. Por motivos técnicos, creio que um dos motores precisava de reparação. Teríamos de ficar 18 horas em Lisboa e a companhia aérea pagava o hotel e a alimentação.
Eu decidi aproveitar o tempo para passear por Lisboa, era Junho e o dia estava quente.
Aventurei-me pelas ruas, por Alfama, visitei o Castelo, a baixa e jantei numa casa de fado na Graça.
Apaixonei-me pelos sabores, pelo cheiro, pela cor, pelo clima, pelas pessoas, pelos sorrisos, pelas ruas...e pelo Tomás.
No restaurante aconselharam-me a ir beber um copo ao Bairro Alto. Entrei então num bar onde apenas estava ele. Bebia um gin puro e fumava um cigarro. Trocámos olhares e foi um pequeno passo até chegarmos ao diálogo.
Ás 8h da manhã ainda conversávamos, sentados nas escadas de uma igreja.
Apercebi-me que o que nos unia era quase umbilical e apesar de perplexa, tentei manter a tranquilidade.
Faltavam então 2 horas para o avião partir e depois de um beijo que me pareceu eterno e um abraço infindável, fui para o aeroporto.
Nunca tinha vivido nada tão intenso, sabia que Lisboa em 18 horas tinha mudado a minha vida para sempre.
Prometera dentro do táxi que me levou ao aeroporto que não olhava para trás até entrar no avião e que depois pensava sobre tudo isto.
...mas segundos antes de cruzar a porta que me levaria à manga de entrada para o avião, olhei, impulsionada pelo coração...
...e logo atrás de mim estava o Tomás, o suór corria-lhe pelo rosto, não conseguia dizer uma palavra, porque correra até ali numa espécie de contra relógio.
Percebi que tinha tomar uma decisão em milésimos de segundos e tomei, depois de ele me dizer : " Fica ".
Eu fiquei e já lá vão 7 anos.
As pessoas gostam da minha história, é uma ponte para um bonito romance ou para quem ainda consegue sonhar.
Mas é real e sou feliz, na cidade que amo com a pessoa que amo, com os amigos que fiz e com o trabalho que arranjei.
Vou à Califórnia uma vez por ano visitar a minha família e eles costumam vir cá a Portugal. Também se renderam à cidade da mesma forma que eu e só costumam fazer piadas com a ponte e as semelhanças. Dizem que esta é uma miniatura.
Agradeço todos os dias ao facto de ter feito aquela viagem de volta a casa, que me deixou numa outra e às 18 horas que serão a minha eternidade. "
De Lisboa com a Kim...

em Lisboa, Portugal

Deixou Laura para trás e seguiu a toda a velocidade, era Roger, um bancário que estava 15 minutos atrasados após a pausa para o almoço.
Segui-o de uma ponta à outra e retive-o quando passava no arco da rua...
Gritei por ele, mas estas vespas novas fazem um barulho ensurdecedor...
...para além disso ele é destemido, ia a 20km/h, sem receios, com dois botões da camisa abertos e a sentir o ar no peito...
A pasta e o casaco iam no acento da mota, amarrotados...( fiquei a pensar naquilo )...

em Amesterdão, Holanda

Esta fotografia é em mim marcante, por muitas coisas...mas principalmente porque me lembro nitidamente do momento em que a tirei.
Fechei a braguilha à pressa porque os avistei ia o xixi a meio...ainda reparava se não tinha salpicado as calças, quando coloquei a câmara em punho. ( tudo limpo )...
Era o Ricco, odiado por muitos e amado por outros tantos...foi ele quem trouxe a primeira droga legal para a cidade.
Conhecia gente influente na máfia Italiana e ele próprio o era na Holanda e para uma comunidade de milhões de habitantes.
Fez coisas ilícitas...mas conservou ao longo de todos estes anos um amor perfeitamente genuíno e legalizado pelo seu coração.
Antonella é sua esposa hà 54 anos, conheceu-a numa das primeiras viagens a Nápoles e trouxe-a consigo na viagem de volta. Nunca mais se largaram. Ela é a sua perdição.
Antonella é dependente, séria e uma mulher incrível, precisou de Ricco uma vez na vida...porque ela dependia dele...( a vida )...é com um rim de Ricco que ela vive estes dias...e para sempre.
Ricco è feliz por respira perto dela.
Cruzei-me com eles ao longe..acerquei-me e acerquei-me mais. Aqui Ricco saudava um amigo qualquer, porque ele conhece toda a gente.
É um prazer...parar de fazer xixi para poder contar e viver histórias...que a vida nos mete diante.

em Amesterdão, Holanda

É conhecido o meu fascínio por fotografar pessoas e criar-lhes vidas, ou então contras as suas próprias vidas. Talvez por isso tenha ficado tão feliz quando vi Albert.
Pode parecer mentira, mas assim que o vi, " disparei " a correr atrás dele, como que um perseguidor.
Recordo-me perfeitamente das palavras do Marcos : "...deixa o homem, ainda vai pensar que o estamos a seguir..."; e na realidade, eu estava.
Albert é um homem de 68 anos. Vive sozinho e rodeado por Amesterdão, é sofredor, é teimoso...mas é determinado e culto.
Foi Professor de Matemática até há 6 anos atrás, depois disso passou a ocupar-se por sobreviver e passear o cão.
Mas o cão morreu-lhe nas mãos há 3 meses atrás e desde aí que Albert vive consumido pela tristeza. Tem estados anímicos depressivos, mas que com a determinação consegue superar.
Contudo é sempre surpreendido pela vida e pelas partidas que esta lhe prega.
Albert não se afeiçoa facilmente, não se apega a ninguém, não tem amigos, não sabe sequer relacionar-se com as pessoas e a ligação que tinha com os seus alunos era estreita e superficial.
Em quase 7 décadas raras são as pessoas que podem gabar-se de lhe ter visto um sorriso.
Deixou a família para trás, quando no tempo da guerra, teve que fugir de Praga para aqui.
Perdeu os pais na segunda guerra mundial e diante dos seus olhos...
...não há duvidas que foi isso que lhe moldou a vida, o carácter, a forma de ser e estar e os costumes.
O pequeno Jacob ( o seu cão ) havia-lhe conquistado uma réstia de amor...que se foi com ele, há 3 meses...
Não foi fácil escrever sobre ele, mas foi bom cruzar-me com Albert.
A vida por vezes esconde-nos o óbvio para nos dar a conhecer o recôndito e invulgar. Foi assim com o estranho Albert.

em Paris, França

É Elise, dona de uma loja de decoração em Montmatre. Entrava na loja quando sorrimos um para o outro.
A simpatia pode ser abundante se a procurarmos.

em Amesterdão, Holanda

As Senhoras Holandesas, na bonita idade da velhice, são distintas, têm ar de artistas, têm uma postura forte e vislumbram classe. Parecem na sua maioria pintoras, ou escultoras de outrora, que hoje em dia gozam do repouso, passeando a tranquilidade.
Contudo são todas constituídas pelas marcas firmes de outros tempos, por rugas de história, viveram a infância em tempos de guerra e mesmo que o tempo ofusque as marcas, existem as memórias que perduram infinitamente. E é essa a razão que as leva a demorar esboçar um sorriso, ou a parecerem desconfiadas quando na realidade nem o precisam de ser, ou então a concentrarem no olhar mistério, que é receio ao mesmo tempo. Perderam os Pais na guerra, que lhes levou também irmãos ou tios, ou avós, e constituíram famílias assentes em bases pouco parentais.
É assim Emile, uma jovem na casa dos 80, ela é aquilo que aparenta : uma Pianista reformada, desconfiada, insegura, mas com uma história tremenda, que começou quando nasceu.
Viveu até aos 9 anos, com os Pais, no sul da Holanda, eram Professores e cuidavam da educação de Emile ao extremo. Com 9 anos já tocava piano e o solfejo era parte integrante de uma infância ritmada pela música e felicidade.
Um ano depois viu a guerra, assente em 3 tropas Alemães, levar-lhe a família para a morte.
Trocaram um último olhar na Estação Central de Roterdão. Emile ficou e os pais partiram...para sempre.
Ela foi entregue a uma costureira que vivia nos arredores de Amesterdão, uma Senhora chegada à família. Cresceu com a angústia da adolescência normal que a vida lhe levou.
Refugiava-se no piano, para esquecer as mágoas, colmatava em notas musicais as pautas do coração triste.
Aos 17 anos conheceu um Francês, 10 anos mais velho : Jean.
Ele reconquistou-lhe o sorriso, a expressão, o gosto de viver e mais tarde o coração.
Viveram juntos 60 anos, tiveram 3 filhos e 7 netos.
Jean partiu há meio ano, mas deixou em Emile uma vida feita de tanto.
Emile renasceu para a vida, tocou nos locais mais nobres da Holanda, foi e é feliz, ainda se conserva pela postura delicada com que se definiu toda a vida;
...mas o tempo não lhe trouxe o que a vida lhe levou e as expressões feitas de rugas marcam uma perda que nunca deixou de o ser.
Gostei tanto de Emile que tracei a vida, em minutos.

em Paris, França

Foi em Paris, o metro rasgava-lhes a velocidade que lhes passava diante dos olhos e o horizonte deles era este. Ficaram estáticos ao movimento da estação. Eu devia estar com eles mas depois esta fotografia não existiria.
Podia ser a capa de um disco, pela pose com que se dispunham mas é apenas um instante normal, feito por 3 pausas.
Comecemos pela esquerda : O Zé, é o mais impaciente, tem um jeito peculiar para se exprimir e absorve boas conversas. Gosta de estar com os amigos e os melhores momentos são aqueles que pode partilhar com eles. é discreto e tem uma tatuagem incriminatória numa parte do corpo.
Ao meio está : o Antony, é dos três o mais inteligente e provavelmente se lhe somarmos mais terço e meio de Paris em gente continuará a sê-lo. Ele não se assume como um sobredotado mas as qualidades que exibe em todos os momentos fazem-no não poder evitar tal condição. Gosta de conviver, dos amigos e gosta sobretudo de momentos. É alérgico às redes sociais e prefere uma boa conversa que um chat. Vive em Paris mas o coração dele fala Português. Gosta também de manter os pêlos nas axilas 10 meses ao ano.
Por último temos : O Marcos, é o mais vivaço, exuberante, faz um amigo aos 7 segundos e dá a camisola por ele meio minuto depois. Pode dar o peito às balas também. É genuíno, não faz fretes, é preocupado, atento tem um complexo exagerado pelos próprios pés.
São os 3...dos meus melhores amigos. Atravessaria o mundo com eles, mesmo que isso implicasse passar na faixa de Gaza. Quando estamos juntos costumamos ser apenas um e quando estamos separados sentimos saudades o tempo todo.
Com " eles "...de Paris.

em Lisboa, Portugal

É a Maria da Cova da Moura, aqui ainda estava ao telemóvel com o namorado, desligou-o segundos depois e tivemos uma conversa longa...

em Lisboa, Portugal

O Martim Moniz tem a particularidade de ser constituído por uma multi-culturalidade incrível. São várias as comunidades que aqui vivem, as nacionalidades não se confundem e apesar do respeito que os liga, mesmo que a raça não seja a mesma, são fiéis aos hábitos à cultura e aos costumes, parecem por vezes nem terem saído dos seus países para coabitar um bairro em Lisboa.
O Chinês respeita o Indiano, mas vivem sobre tradições paralelas, não socializam uns com os outros mas respeitam-se. Não vão beber café juntos, nem param 20 minutos para uma amena cavaqueira, mas lidam uns com os outros. Com a excepção de serem do mesmo País, nesse caso eles não partilham apenas o patriotismo mas relacionam-se como família.
Estão integrados de uma forma intrínseca.
Este é o Jim e acredito que embora não tenha conhecido Pequim, ele sente-se por lá, os hábitos são quase os mesmos e apenas lhe mudam o sol e lhe diminuem a poluição visual.
Mas o Jim tem 9 anos, ele é puro de coração e aberto na alma, relaciona-se com todos, não importa a cor ou a raça, hoje veio andar de skate com Mohamed, soltam gargalhadas e sem que os Pais saibam eles dão-lhes uma lição de comportamento e forma de relacionar, apenas porque não são adictos a religiões, conflitos ou desconfianças. É o skate que os une, um gelado dos bons...
...e Lisboa também.
Eu estive com ambos, observei-os primeiro e depois mostrei-lhes admiração.
Com o Jim...de Lisboa...que podia ser Pequim.

em Paris, França

Sei de pelo menos duas pessoas que esperavam ansiosamente por esta fotografia, a Leti e a Mafalda.
Foi tão simples conhecê-lo que é por isso que hoje trarei o Giuliano dos pés à cabeça.
Ele aparecia ao longe numa vespa com mais de 30 anos e a Mafalda derreteu-se de imediato, pediu-me para que o fotografasse, quando eu já o fazia.
Rendidas ao estilo peculiar dele, pararam e inertes na calçada olhavam, eu...fui habitual ao meu registo :
- " Alo, j´aime ton stilé, comment tout apelle ? "
( Num horrível Francês )
E eis que ele, entre sorrisos e boa disposição responde de rompante assim :
" Hola, Soy GIULIANO, soy Italiano, y vosotros? Espanoles, Portugueses o Italianos? "
Pronto, eu tinha sido traído pelo meu acento Latino na língua Francesa e o Giuliano respondia quase a cantar.
Foi inebriante, cativou-me de imediato, estivemos à conversa uns bons 10 minutos. Ele vive em Montmatre...gosta de " Amore "...e vive feliz apenas com uma vespa antiga, um capacete único, a sua noiva Francesa, marijuana, muita marijuana e sorrisos.
Passados aqueles minutos olhei para o lado, para lhe apresentar a Leti e a Mafalda e ainda recordo as expressões : Estáticas...e observadoras, de queixo caído ( revi-me nelas quando imagino a Julia Belard despida )...
- " Ei miudas acordem é o Giuliano, é Italiano..."
E pronto elas vieram de beicinho...
...mas na realidade, admito que Giuliano conquistaria qualquer mulher latina..., a sua boa disposição é radiante, a descontracção, o jeito e até a delicadeza de discurso...são de quem vive feliz e a bem com a consciência.
Despedimo-nos, ainda que elas quisessem ficar para trás. Deixei-lhe o meu contacto...e até hoje... ao contrário do habitual...ele não apareceu. ( sinto que a culpa foi do olhar de engate da Mafalda, pode tê-lo assustado, ele que gosta das coisas descontraídas ).
Por isso se alguém se cruzar com a buzina da vespa dele para os lados de Montmatre...pois que " apite " ou lhe dê " um toque ".
Di Montmatre con Giuliano...

em Lisboa, Portugal

Vi as fachadas das casas, a Calçada do Combro e o 28...através do olho do Andreas, um Italiano de férias em Lisboa. Ele não soube, mas acompanhei-lhe a viagem durante mais de 2 minutos.
É assim, se estivermos atentos ao mundo visto pelos outros...

em Lisboa, Portugal

se Malu e é Brasileira. Vive em Lisboa porque gosta das pessoas.
É equilibrada, meiga, sossegada e gosta de cinema.
Cruzei-me com ela enquanto fazia simetria com os azulejos e trouxe também uma metade dela.
E esta foi a história que escrevi sobre ela. Até começarem a " chover " telefonemas dos meus amigos, depois de publicada a fotografia: " Tão pá, tiveste com a Mallu Magalhães e não nos contaste isso? "
Zé : " oh Marco, isso é montagem ? "
Vanda : " Pensava que estavas no gozo e viste logo que era ela ".
Marcos : " Não acredito, não acredito...";
Decido ir ao google há 10 minutos atrás e confirmo que me cruzei com a Mallu Magalhães, a verdadeira, que brinquei com ela nos minutos que falámos e tudo aconteceu assim :
A Leti alertara-me para a rapariga encostada a uma casa que mexia no telemóvel, dizia que podia dar uma boa fotografia, Mas eu ia entretido com o velho atrás de mim. Mas fotografei-a de longe e quando cheguei perto dela, aconteceu isto :
" Olá, posso fotografar-te ? "
- " Claro... ( e sorriu ) "...
- " Como te chamas ? "
E num sotaque Brasileiro respondeu :
- " Mallu..."
E eu pensei, " Epa ainda se fosses a Mallu Magalhães " e como sou impulsivo, pensei e disse-o...frontalmente e olhos nos olhos.
Ela respondeu : " Sim, sou..."...
E aí apenas pensei, " Pois está bem, deves ser...", desta vez não verbalizara o pensamento. Lembrei-me apenas que o meu amigo Marcos a idolatra.
Fiquei agarrado ao sorriso doce e meigo que ela tinha e fotografei-a de perto e de longe, falei-lhe no meu projecto das metades de pessoas e ela dispôs-se para a fotografar pela metade. Foi sempre tranquila.
Dei-lhe o meu cartão e disse-lhe estas palavras : " Mallu, procura a minha página, vou escrever sobre ti, com sorte farei de ti a Mallu Magalhães...com uma vida perfeita, 3 filhos e um marido...";
Ela sorriu imenso e só hoje percebi aquele sorriso largo.
Cruzei-me com alguém que me inspira muitas vezes através das músicas para eu escrever muitos textos. Cruzei-me com alguém que admiro, falámos e trocámos impressões...como se fossemos dois comuns desconhecidos. Na verdade eu não sou, porque sou o maior da minha Aldeia...e ela também não.
NOTA : Nunca oiças incessantemente as músicas de um artista, sem nunca teres visto um videoclip dele, podes fazer figura de parvo na rua, se com ele te cruzares.
NOTA 2 : Se fosse o Padre Luis Borga, eu tê-lo-ia reconhecido e isso ainda me deixa mais abatido.
Com a Mallu Magalhães de Lisboa.

em Lisboa, Portugal

Eram 14 horas e quis a horário fazer o dia. O sol era firme e forte, só por entre os ramos das árvores se aguentava a temperatura numa sombra amena.
Foi por ali que os vi. De tal forma juntos que pareciam um só, esqueciam-se do mundo, para viverem o deles. Era um, dois, três, perdi-lhes a conta...dos beijos. Depois um abraço daqueles que demora e um sorriso, sorriam sempre depois do abraço demorado.
Eu fiz de cupido ao longe e por entre fotografias rezei para que aquilo desse certo...e deu, pelo menos naqueles 15 minutos que o mundo nos convidou a ocupar o mesmo espaço.
O lenço da Rita é bonito, para que tenham noção, oscila entre o violeta e um vermelho suave, a intensidade chega-lhe perto do coração e sente em cada toque a mesma força que lhe emprega.
O Romeu está perdidamente apaixonado, criou uma rotina à volta da Rita que só perde lugar quando improvisa uma surpresa por dia...ou por hora.
Ver-lhes o amor ao longe foi como senti-lo por perto.
Com amor em 15 minutos...de Lisboa.

em Paris, França

A classe de Christoph...num qualquer dia nos Campos Elísios.

em Lisboa, Portugal

Nunca combinámos nada e já nos cruzámos mais por mais vezes que número de visitas do Papa a Portugal.
A última vez foi no Bairro Alto, partilhávamos o mesmo bar e eu levava a câmara.
O Mistah Isaac é músico, educado, boa gente e temos uma admiração mútua.
Ele espalha música pelo mundo e sorrisos de graça. Desta vez temos encontro marcado para breve, espero que corra tão bem como todos os outros.

em Lisboa, Portugal

Apresento-vos a Marta. Ela poderia ser a personificação de um sonho, por muitas coisas ou apenas porque faz da vida dela o sonho dos outros.
É fotógrafa, daquelas cujo o talento é mais forte que o " arregaçar das mangas ", porque se constitui de um dom.
Nasceu no Pico, mas escolheu o Porto há mais de uma década : para viver, sonhar e trabalhar. A explosão de uma Açoreana enraizada de nortenha não poderia ser mais doce. Tem um olhar forte e vincado, mas uma expressão meiga. Sorri naturalmente e ri se puxarmos um pouco por ela.
Dá nas vistas apenas por existir e é discreta por defeito ou feitio.
O cabelo dela brilha como se o sol o cobrisse pelos raios, os olhos são da cor que nos dá esperança e a íris pode ser em tons de mel. Tem um jeito suave e a pupila solta-se com o sorriso para nos contagiar num todo que não podia ser mais completo.
Se a virmos de longe podemos correr o risco de cairmos em fascínio, mas se a olharmos de perto somos contagiados como se notas musicais nos soassem ao ouvido, primeiro devagar e depois com mais vigorosidade.
Ela realiza sonhos, faz dos outros felizes, escolheu-lhes um dos dias mais felizes da vida deles para o poder concretizar e dispara-lhes o shutter da vida, sem filtros, mas com flares.
Provavelmente as palavras " sim aceito ! ", são as que a mais poderiam definir.
Se fosse um animal a Marta seria um flamingo, se fosse uma planta seria um dente de leão, se fosse um sentido ela seria os 5 e se fosse uma cor seria o verde, mas não um verde qualquer, seria o verde esmeralda. Se fosse um objecto seria um carrossel daqueles das feiras. Se fosse um filme seria obrigatoriamente romântico.
Se fosse um momento eu escolhia-lhe este : bebia o chá de camomila para lhe manter a calma que a tranquiliza, franzia o olho escondido e olhava-me concentradamente com este que parece brilhar como o céu em dias perfeitos, com o cabelo que lhe cobria parte do rosto bonito como um pôr do sol visto do alto do Pico. Está com um ar " sacana ", mas o jeito...esse...mantém-se o mesmo : doce como algodão.
Gosta de pedidos de casamento, de momentos de paixão intensa, de romantismo e do Porto.
Gostei de a fotografar, senti-me intervalado pelo tempo, senti-a cintilante como tudo o que a envolve e foquei-me na iris que lhe tomou conta do momento.
Soprei naqueles instantes e algures um dente de leão voou...
Com a Marta...uma fazedora de sonhos.

em Lisboa, Portugal

São 19 horas e o Eduardo já saiu do escritório, passa sempre pela baixa, para ver pessoas, para descontrair o ar sisudo e relaxar com os rostos despreocupados que sempre lhe surgem na rua.
Ele é tenso e director de uma multinacional, é também Pai, embora se esqueça disso na maior parte do tempo.
Segui-lhe os passos e em segundos atendeu 3 chamadas que podiam ser 3 reuniões.
De Lisboa...com negócios... e um homem deles...

em Lisboa, Portugal

Cada pessoa vê a fotografia à sua maneira, encara-a com o seu próprio olhar. Observa-a com as suas próprias emoções e elas variam sempre de pessoa para pessoa.
Com isto dizer que o olhar de cada um sobre uma fotografia é individual e diferente.
E esta introdução foi propositada. Provavelmente esta seria mais uma fotografia do meu amigo Jakir, de quem já falei e que vocês passaram a conhecer.
Mas...para mim é mais que isso, para mim é ver o Jakir em Lisboa no ano de 1986 ou 87 ou até um pouco antes, são as cores do passado com o sorriso do futuro.
Era Mário Soares que destronava Ramalho Eanes na Presidência da República e à segunda volta. O Benfica sagrava-se campeão nacional com uma derrota apenas ao longo da época. Portugal aderia no dia 1 de Janeiro à CEE. O Nobel da Medicina foi para Stanley Cohen. E o Chiado?...o Chiado permanecia intacto a um incêndio que não podia ainda ser previsto pelo presente.
Foi nessa altura que Jakir sorriu para Camila, ela passava debaixo da janela, contrariando a tragédia escrita por William Shakespeare. Ele assobiou e sorriram em uníssono...
...as cores, caramba as cores eram as de um verão perto do fim, eram de 1986.
O dia terminava e eles subiram ao terraço do prédio, olhavam o Tejo e o entardecer e brindavam ao amor...com sumo, porque o Jakir não bebe vinho.
É assim que vejo esta fotografia, é assim que ela mexe comigo.
Podia ser em Roma poucos anos depois, podia ser também no Bangladesh e jogava-se à bola por baixo desta varanda, enquanto o Jakir brincava com quem perdia, porque as cores e a envolvência também me levam aí.
Mas prefiro recuar a 1986 e a uma Lisboa desenhada pelo sorriso do Jakir.
O meu irmão tinha nascido meses antes, também.
Com o Jakir do passado, no dia em que a cor mudou o tempo.

em Fundão, Portugal

Acho que é : " Gato ", a designação que hoje em dia se utiliza para este tipo de pessoas, como o rapaz da foto : um ar descontraído, barba com óleo de amêndoa, charme que brota só porque se respira e um rosto que parece desenhado a esquadria e pintado a aguarela.
Este " Gato " da foto é o meu irmão, o único e chama-se Francisco de Assis. Digo sempre à minha Mãe que ela e o meu Pai estavam num dia bom quando surgiu a procriação, porque só assim se explicam as obras quando repostas a arte.
Mas o meu irmão podia ser apenas um rapaz " bonito comó caraças " senão fosse também aquela pessoa que todos gostam : Os bons, os maus, os diferentes ou os iguais.
Ele é consensual a gerações, a sexos e até a etnias. Uma vez alguém me disse : " Marco, mas quem não gosta do teu irmão? ". Parei no tempo e percebi que nem ouriços cacheiros.
Dizem sempre que ele é o mais velho, mas ele é o mais novo de nós. Nunca poderei descrevê-lo com facilidade, porque ele não se descreve em palavras.
Ainda assim : ele não gosta de redes sociais e nem a usa, não sabe o que um " like ";...prefere uma boa conversa, um aperto de mão e abraços. Não se dá com novas tecnologias, gosta das coisas simples, e nunca encara o lado pelas dificuldades, procura sempre a forma mais simples...porque ele na realidade é simples. Muito. Vê sempre o lado bom das coisas, nunca encontra maldade em nada ou em ninguém e gosta da barba grande.
É um bom amigo, um bom irmão, um bom namorado, um bom filho, um bom primo e bom prato.
Não aponta o dedo a ninguém e tem um coração do tamanho do Canadá com o Alasca.
Não gosta de ser fotografado e foi um castigo trazer-lhe este pedaço em retrato.
Despede-se de mim com um beijo e quando vem ter comigo faz o mesmo, nem ele próprio sabe a força daquele gesto.
Com o Francisco que é o meu irmão.

em Lisboa, Portugal

Um ar meigo, olhar doce e côr de amêndoa. o sorriso é inebriante...capaz de alcançar a rua inteira e fotografei-o momentos antes deste e depois. É a Katharina, vem de Amesterdão pela 2ª vez a Lisboa.
" Olá, preciso de te fotografar...gosto de raparigas com sardas, é quase um vicio, daqueles bons e não posso sair daqui sem te levar um retrato. "
" Claro que sim, mas eu não consigo para de rir ",
" Vamos fazer com que fiques séria..."
...e naquele instante que é este, ela ficou.
Falámos sobre Amesterdão, sobre o clima, sobre a dificuldade na abordagem se ela fosse Portuguesa e falámos sobre lhe escrever uma história. A Katharina desafiou-me.
Ela tem então 23 anos, estuda Arquitectura, nasceu numa aldeia perto de Amesterdão e os pais têm uma propriedade no campo, a agricultura é o sustento da família. Papoilas na maioria.
Todos os anos a Katharina trabalha nas plantações, quando faz calor usa um chapéu longo e creme que era da Bisavó para lhe cobrir o rosto branco do sol forte. No inverno usa muita roupa e até de plástico para contrariar a chuva e os ventos.
Nos tempos livres a Katharina toca oboé e é quando se sente melhor.
Está pela 2a vez em Lisboa e desta vez trouxe a Marina, uma amiga.
Com a serenidade da Katharina Ge...

em Amesterdão, Holanda

Olivia. Dei conta dela, mal saíra do coffeeshop. Rodeava-me a agitação de uma porta de um hotel, mas ignorei, concentrei-me na rapariga a 100 metros de mim, que se isolava encostada à parede. Tinha o telemóvel como suporte para o mundo e tinha também uma envolvência própria de um filme europeu. As cores, a bicicleta e o jeito meigo e doce.
Aproximei-me a um ritmo forte, deixei o Marcos para trás, porque a vida de Olivia me prendeu de imediato a um destino momentâneo.
A minha presença incomodou-a de imediato...senti-me vitorioso, tinha conquistado a sua atenção.
Percebi que teria que parar por ali, Olivia já se sentia pouco confortável...e sorri.
Meti conversa, disse-lhe que o encanto todo que a rodeava me havia fascinado e desperdiçar aquele momento, seria criar uma pausa na vida.
Ela achou piada, perdeu de imediato a timidez e desfez-se num sorriso que não mais largou.
Convidei-a a passear connosco, e ela acedeu. Ficou espantada com a minha insistência em fotografar cada momento de Amesterdão, disse-lhe que o mundo não pára e podemos ter a fotografia das nossas vidas, ali junto de nós.
Lanchámos e descobri que Olivia estuda em Amesterdão mas é de Roterdão, ama a cidade e tudo o que a envolve, até os turistas como nós.
Antes de sairmos, propus-lhe um desafio : Não trocarmos contactos, não sabermos mais que o primeiro nome um do outro e deixar o destino fazer obras gigantes. Voltar a cruzar-nos.
Confesso que me arrependo, passaram hoje duas semanas e da Olivia restam apenas aqueles momentos e esta fotografia.
Como acredito que o destino não baixa os braços, tem apenas muito trabalho, ainda sobrevive a esperança...
De Amesterdão com Olivia...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

A Celeste tem 96 anos e um coração do tamanho da sua idade.

em Paris, França

Existem fotografias que me marcam mais que outras, esta foi uma delas. Tinha deixado Notre Dame há segundos e apenas mudava de caminho quando os vi. Fotografei-os antes de lhes imitar o gesto e o que vimos foi inexplicável, capaz de arrepiar qualquer pessoa, até a menos sensível, percebi-lhes naquele momento a contemplação. Foi gigantesco em emoções e difícil de descrever, talvez com espanto.
Os 3...tínhamos acima de nós...o CÉU. Tal e qual como ele é.

em Lisboa, Portugal

Prefere que a chamem Maria, mas também é Carolina ao mesmo tempo. Tem um nome que podem ser dois, uma postura elegante e o sol a incidir-lhe no rosto.
É tão bonita que dispara olhares e desvia atenções. Lá ao fundo está a Natércia com a Magali...elas sabem que Maria passa sempre por aqui depois do trabalho, ela trabalha numa agência bancária na baixa, e todos os dias pelas 17h, vêm espreitar-lhe a roupa, aquilo que trás vestido, perceber se a conjugação de cores foi a mais feliz ou apenas invejá-la por desviar as atenções na rua. Algumas mulheres são assim, e três ao mesmo tempo, podem ser piores que apenas uma.
Apanhei-lhes o " cochicho " - Hoje provavelmente ela teria o cabelo mais brilhante porque se cruzou com o raiar do sol, ou um dos sapatos está menos limpo que o outro e isso serviu de conversa para elas as duas.
No sentido inverso e apesar de passar ali há 3 anos há mesma hora, Maria nunca se deu conta delas, nem dos " cochichos ", nem sequer dá muita importância aos olhares. Ela sai, vai apanhar o metro que a deixa perto do ginásio onde ainda irá cumprir 1 hora de exercícios e só depois chega a casa. A um T1 na zona da expo que partilha apenas com ela própria, é independente, segura, determinada. O sucesso é uma palavra que vive junto dela e apesar de não ter um namorado, é realizada a todos os níveis. Tem sobrinhos, amigos e uma ambição profissional desmedida.
Faz do tempo vago : viagens e não se preocupa com o que não é principal, relativiza os problemas e é bastante equilibrada.
Os amigos mais próximos dizem que a disciplina é a característica que mais a distingue.
Ela não se adjectiva, sabe que por vezes é olhada de lado, outras vezes de frente, apenas porque lhe invejam o carácter.
Ela passou por mim , quis o sol ocupar-lhe parte do rosto e eu senti-lhe a sombra de perto.
Porém, houve algo que nunca saiu da minha mente, do meu olfacto ou de mim, o Ralph Lauren Notorious que me chegou com a brisa e durou enquanto ela passava.
Naqueles instantes senti-lhe a elegância e retive-lhe a firmeza.
Com a Maria...de Lisboa.

em Lisboa, Portugal

O António tem quase 7 décadas de vida. Já fez de tudo. Hoje atrás do olhar amargo pela vida, guarda o passado no pensamento que teima em olhar para o futuro.
Vende fotografias de Lisboa para ter dinheiro para comer.

em Paris, França

Podia ser em 1923 e a minha Avó teria apenas 2 anos por essa altura, mas foi há 2 semanas e o tempo poderia ter parado 90 anos para vermos Alfred, um homem só...e preocupado pela agitação vivida em Paris na altura, confidenciara até com os amigos que uma Guerra Mundial poderia estar a surgir. Vaticinou assim o futuro e visionariamente não se enganou. O mercado, a bolsa e um conflito económico eram as causas de Alfred, e só aí se enganou, porque foi Hitler imbuído de ideias bárbaras...que deu inicio à guerra que viria a mudar o mundo.
Atrás de Alfred estão Julien e Paul, dois amigos, que utilizam as ruas vazias para se divertirem. 90 anos depois Paul ainda bebe o seu café diário em Notre Dame e Julien partiu naquela guerra que nunca deveria ter acontecido.
3 vidas...na mesma rua.

em Amesterdão, Holanda

É o Pierre, já o era antes de meter conversa com ele...porque tem mesmo ar de Pierre.
Sensível e artista, é assim que o definem.
É dono de uma galeria de arte em Amesterdão, mas já não pinta um quadro há 7 anos, perdeu a inspiração quando perdeu o irmão.
Dei-lhe uma palmada nas costas e incentivei-o, não sei se mudei algo para além da minha consciência.
Mas se há coisas que lamento na vida, é ver pessoas com a talento a desperdiçá-lo.

em Lisboa, Portugal

A Mimosa foi dos encontros mais bonitos que tive por Lisboa, pelo ar doce, pela expressão, pelos traços, pelo nome...

em Lisboa, Portugal

Acredito nas pessoas que se desvendam através do olhar, que falam com a expressão de um brilho que se vê pela retina. Acredito em pessoas especiais ou diferentes.
É assim o Jakir, um rapaz tímido, mas com um coração sem medida ou comparação. Esta história será sempre uma analepse ou prolepse à medida que as linhas da amizade contem aquilo que poderia dar origem a triologias ou ser uma epopeia de acasos bons.
Há mais de dois anos, por finais de Agosto, o sol forte obrigou-me a procurar uma daquelas lojas do Martim Moniz que vendem óculos de sol graduados. Optei na altura por uns Rey Ben bem originais que se exibiam na montra da loja. E entrei... entrei na vida de Jakir dois passos depois. Ia pagar os óculos, mas lá dentro estava um rapaz na casa dos vintes. O balcão era o intervalo para o cenário e o seu sorriso contido e expressão serena eram o bálsamo para o que se viria a passar.
Eu estava com um grupo de amigos e a nossa alegria rapidamente contagiou aquele entreposto comercial, aos poucos, o Jakir começou a soltar-se e conseguimos-lhe as primeiras gargalhas por Portugal. Ele tinha chegado há pouco tempo, o coração dele ainda residia no Bangladesh, acarretava consigo o esforço e sacríficio de uma vida que começava a brotar. Fiquei a saber imensas coisas naquela tarde quente: que ele não era vendedor oficial da "Rey Ben", nem representante da "Armeni", que tinha apenas um primo consigo em Portugal e sonhos... milhões deles por realizar, todos dele por direito, não tinham sequer morada ou telefone fixo, residem naquele brilho que lhe expressa o olhar.
Depois daquela tarde, Jakir passou a ser um instante para a vida. Trocámos contactos e amiúde íamos falando. Até que ano e meio depois, voltei a Lisboa dois dias antes do Natal, faz um ano agora. Acerquei-me do Martim Moniz e percebi que ali coabitam num mesmo espaço várias nacionalidades, que apesar de longe de casa se sentem nela pelos usos e costumes que para junto deles trouxeram. Em todos eles vi um olhar semelhante a do meu amigo. Fui então procurá-lo à mesma loja onde o havia conhecido, encontrei a loja mas o Jakir não. Dentro dela estava outro rapaz do Bangladesh mas sem o mesmo brilho no olhar. No meu Bengali perfeito perguntei pelo Jakir, mas não foi fácil chegar até ele, tive que passar por três indianos, dois paquistaneses e sete bangladeshianos. Ele mudara de loja, passara para uns 300 metros da outra onde trabalhava.
Quando o vi e ainda ao longe confirmei as minhas suspeitas, o Jakir mantinha o mesmo olhar, o sorriso sincero e a expressão carregada de esperança. Não é fácil explicar aquilo que se passou quando ele me viu, talvez defina aqueles momentos a um abraço forte e verdadeiro ou um olhar feliz, profundamente feliz. Havia reencontrado o Jakir e naquele momento percebi que as amizades não se constroem pela convivência, ou pelo comum, elas existem quando são intensas em entrega e sinceridade. O Jakir insistiu que eu estava mais magro e quis oferecer-me três jantares, o português dele tinha melhorado imenso, os sonhos tinham aumentado, mas o Natal iria ser passado sozinho. Ofereci-lhe o meu lar e contei naquele dia a história dele ao mundo.
Tinha chegado dois anos antes a Portugal para trabalhar e ainda não tinha tido a oportunidade de visitar a família, pelo excesso de trabalho. Pelo sacrifício de os ajudar, pela luta diária para uma vida melhor e para poder concretizar os sonhos que o coração lhe guardava. Declinou o meu convite e passou mesmo o Natal sozinho, mas com o coração mais quente. Prometeu-me naquele dia que iria ser feliz e ter outros Natais pela frente. Contou-me também que queria abrir uma loja no Bairro Alto, uma loja dele e descobri-lhe o primeiro sonho.
Existem pessoas que falam com o próprio olhar, que mostram o coração e a alma com a expressão e se abrem com um sorriso, o Jakir é assim. Ele é sereno, atento, delicado e educado, responsável, preocupado e bom. O Jakir acredita que a vida é feita para se viver e nela devemos praticar o bem, sei que por vezes ele é desconhecedor da maldade e isso enriquece-lhe a alma. Conhece mesmo assim e sem que alguém lhe tenha ensinado o significado prático e completo da amizade e se lhe observarmos aquele olhar com sentimento, sentimos-lhe a bondade apenas... sentindo.
Despedimo-nos naquelas vésperas de Natal com o mesmo abraço que demos quando nos reencontrámos e meio ano depois o Jakir tem duas lojas suas no Bairro Alto. Ensinou-me que os sonhos podem sair do nosso pensamento se os agarrarmos com a mesma vontade com que os sonhamos. Temos uma amizade forte, feita pelos ocasos de tantos acasos que a vida nos foi trazendo, estamos juntos sempre que podemos e por vezes até quando não podemos. O nosso abraço continua igual, é apenas dado com maior frequência. E o olhar do Jakir? É o do mesmo menino de 22 anos que conheci no Martim Moniz. Ainda lhe desvenda a alma e por vezes ainda nos devolve a esperança que nós próprios já perdemos. Se o olhar com o coração ainda consigo sentir as batidas do dele, as que lhe trazem outros sonhos.
Admiro-o dos pés à cabeça. Admiro-lhe o esforço e a luta, mas sobretudo a esperança que permanece e se renova. Não podemos escolher a família, ou quando o nosso clube ganha, quando ficamos doentes, mas podemos escolher os amigos e orgulho-me de ser amigo dele, o rapaz que um dia largou tudo e construiu uma vida com unhas e dentes. Hoje, um ano depois de passar o Natal sozinho, ele acaba de chegar do Bangladesh, foi visitar a família que não via há uns cinco anos. Voltou feliz como foi... Nunca lhe disse, mas ele é uma das minhas maiores inspirações. Pode ser que ele exista para inspirar os outros. E se o mundo tivesse pelo menos mais uma dúzia de Jakir´s, seria um mundo muito melhor. Para ele este será pelo menos um Natal melhor...
...bastou acreditar nisso.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

As pessoas não sorriem a dormir? Mentira. As pessoas sorriem a dormir.
O Tio Zé Dias, quase nos 80 anos, dormia acompanhado pelo calor duma tarde com 38 graus e sorria ao mesmo tempo.

em Eindhoven, Holanda

Ando há semanas para escrever esta fotografia. Ainda não a tinha conseguido escrever, porque escrevo tudo impulsivamente e no momento, reconheço que nestas linhas ainda nem sei o rumo que lhe hei-de dar...mas vou chamar-lhe Emile.
Calma, culta, coerente, cativante, correcta, podiam ser todos adjectivos que a definem e todos iniciados por apenas uma letra do alfabeto, mas ela é muito mais... é "C"urta de palavras porque prefere observar, convive com o mundo apenas com o olhar e interpreta o pensamento se apenas se concentrar nas pessoas. Isso faz de Emile uma pessoa inegavelmente sensível e secreta, serena também ..e estaríamos a defini-la com outra consoante.
Escreve por paixão, rasura em todos os sítios...basta que exista uma pausa e o tempo lhe oriente os sentidos.
Estávamos em Eindhoven e fiz o mesmo que ela costuma fazer : abordei-a com o olhar e retive-a com sensibilidade.
Era uma tarde de sol e Emile aproveitou apenas o tempo para ganhar inspiração, procurou um metro quadrado e escreveu três capítulos de um Romance inesperado, porque Emile não escreve romances.
Deixou de acreditar no amor há 3 casamentos atrás, quando o último marido foi comprar um carro novo e fugiu com ele e com uma menina da idade da sua filha.
Desacredita nos valores actuais dos jovens e acredita na educação antiga, com regras mais rígidas, pensa que a liberdade excessiva resgatou os valores aos jovens. Eles podem ser irreverentes, podem ser destemidos, podem querer afirmar-se...mas precisam de valores ( eu concordo com ela ).
São 15 horas e ela está num intervalo do trabalho, dá aulas na faculdade de letras de Eindhoven, daqui a 1 hora ela volta para as aulas com mais 3 capítulos e eu já estarei fora da Holanda, a sobrevoar um céu que me trouxe a Portugal ( porque foi exactamente isto que aconteceu ).
Emile foi das últimas pessoas com quem me cruzei na Holanda...e estou grato por isso.

em Paris, França

Tropeçamos uns nos outros e não nos apercebemos disso. Somos sugados pelo tempo, pelas preocupações, pelo dia-a-dia, pelas obrigações. A consulta é às 10h e temos que estar no consultório pelo menos dez minutos antes, a reunião com o chefe urge pela pontualidade e um segundo de atraso é um corte no ordenado. Vivemos contra o tempo e quando estamos a favor dele não o sabemos agarrar para o poder multiplicar.
São assim as vidas feitas de rostos destapados que se cruzam e não se apercebem disso, que não sentem o sopro do frio, o encosto, o encosto mais forte, os passos acelerados. A Rita e o João partilham o mesma estação de metro há dez anos seguidos, interromperam a presença habitual apenas por doença e apesar de se cruzarem diariamente nunca deram conta um do outro. Ela já deixou cair a carteira mas ele não se recorda de a ter apanhado para lha entregar. O suspiro dos dias maus da Rita é invisível ao João.
A paragem de autocarro nos subúrbios de Londres é porto de abrigo durante 15 minutos para Sarah e Richard há mais ou menos três anos. Não sabem qual é a cor de cabelo um do outro, nem a marca dos ténis e nos dias em que a Sarah levava o rosto coberto das lágrimas que eram marcas de dor de uma relação antiga, Richard tinha os "phones" bem altos e a conversa que ia ter dali a nada com o chefe ocupava-lhe a memória e incrivelmente a visão.
O problema é que não estamos onde estamos. Os pensamentos roubam-nos a presença, e as preocupações desviam-nos dos cinco sentidos. Vivemos alheados da realidade porque estamos a viver outra que não que deveríamos viver. Presenciamos o passado ou o futuro de perto, porque nem nos apercebemos que temos o presente diante dos olhos. Não vivemos o instante e nem é por mal, é porque não temos a percepção de que ele está a decorrer. Passamos ao lado dos momentos porque estamos a viver outros, enganamos a realidade que a vida nos oferece para viver o antes ou o depois de alguma coisa que nos inquieta.
Por vezes temos a música alta, os "phones" substituem as vozes que nos deviam ser familiares, esquecemo-nos que estamos acompanhados e o livro vai no capítulo mais interessante. Tenho em mim que por cada beijo que lemos no melhor trecho do livro existe um casal que se beija numa estação de metro e damos conta se somente tirarmos os olhos do papel.
Prefiro o barulho da agitação matinal à última música dos One Direction. Sou apologista das vidas que se cruzam, dos enlaces que se fazem e por vezes para sempre. E são eles fruto de um acaso que virou rotina e não pode ser substituído por um êxito musical ou apenas por distracção. O mundo é para ser vivido em partilha quando não estamos sós e as vidas não podem descruzar-se por negligência própria.
Em Londres, à porta de uma estação de metro nos arredores de Chelsea, conheci o Louis, músico nas horas vagas e empregado de escritório por obrigação. Há 15 anos que ali apanha o metro e cruzava-se diariamente com David, um jornalista comum. Nunca se tinham "visto" e, em apenas dois dias seguidos, eu fotografei-os enquanto passavam um pelo outro. Ficaram incrédulos e acredito que ainda hoje não conseguem explicar como nunca se aperceberam um do outro. Hoje já se cumprimentam diariamente, primeiro com um aceno e agora com um passou-bem.
A Sabrine, o Morgan e o Jean pisam o mesmo chão numa estação de metro no centro de Paris há mais de três anos, os horários são os mesmos, mas a pressa também. Nunca se viram, sei que não sabem da existência uns dos outros mas cruzam-se todos os dias na vida e no caminho, para o trabalho e para casa. Fotografei-os e abordei-os isoladamente e nenhum conhece qualquer dos outros: "Nem de vista". O perfume dos dois últimos é o mesmo, pude percebê-lo porque é comum a mim. Eles não sabem disso.
O Robert trabalha no centro de Amesterdão, sai todos os dias às 17h e nunca foi para casa sem beber uma cerveja no pub ao lado do local onde trabalha. Lucas um italiano a viver em Amesterdão tem o mesmo ritual que Robert e, para além de nunca terem bebido uma cerveja juntos, nunca se tinham visto, no entanto vêem-se todos os dias.
A culpa não é nossa mas do mundo paralelo em que vivemos, da distância que criamos para a realidade que nos é dada por condição. Dos "phones", dos "smartphones", da internet acessível por todo o lado, do pensamento que deambula a um ritmo apressado, das redes sociais e da presença obrigatória nelas, mais que na vida. Esquecemos o quotidiano para viver num passado que é presente do indicativo de um tempo que está para vir. Se o acaso do destino que vos esbarrou com a leitura deste texto que acabo de escrever... for um local público, olhem nem que seja por segundos para quem têm ao lado, provavelmente já vos é familiar mas só hoje o viram ou lhe deram conta da existência.

em Lisboa, Portugal

Deviam ser umas 22h. A Sara saíra do trabalho hora e meia antes e o Luis esperava por ela, como fazem todas as sextas-feiras. Ele está de férias, trabalha numa multi-nacional em Moçambique e conhecem-se desde sempre. São amigos de infância.
A Sara nunca casou, nem tem filhos e o Luis é gay. A cumplicidade que o une é desmedida. Não existem segredos entre os dois e costumam contar os episódios da vida de cada um...sempre neste banco, que há mais de 10 anos substituiu o de jardim. Desde que a vida lhes tomou mais ocupação desdobram-se para que este seja um momento pontual na vida deles.
A cumplicidade pode ver-se pela mão da Sara na perna do Luis, pela descontracção dele ou por terem escolhido a luz num candeeiro para perpetuar condignamente aquelas horas que nunca parecem ter fim.
O glamour de Sara coabita em perfeição com a irreverência dele e a amizade que os une é um intervalo que se chama : vida.

em Amesterdão, Holanda

Um local onde se vende droga livremente e uma menina, na fase inocente da vida. Seria peculiar e a antítese do momento ecoava a muitos niveis, se...isto não fosse normal.
É normal. Estão lado a lado e nem se dão conta, a normalidade do comum com que se vivem as coisas proibidas por nós, na Holanda é o segredo para que os problemas se minimizem.
Mia, é a menina, saiu da escola, que fica a 3 quarteirões da sua casa e espera pela Mãe que foi comprar flores a uma florista ( onde poderia ser ? )...
Este é o intervalo de espera. Ela apenas olha pacientemente, não tem pressa para ir jogar video - jogos, não tem pressa para ver tv ou desenhos animados, está tranquila, sem sequer se dar conta da agitação que a rodeia.
Deu conta de mim, porque lhe acenei.
A Mia é a primeira pessoa que apresento, desde Amesterdão, depois dela, vão existir muitas mais.

em Amesterdão, Holanda

Esta é uma fotografia invulgar que podia ser vulgar, porque este é um cenário recorrente das grandes cidades.
Um rapaz de traços Asiáticos, que já não o são, porque a Mãe já é Holandesa e apenas o Pai veio do Japão para ser Professor na Universidade local.
E depois, o cenário da estação de comboio, onde é possível levar connosco para dentro da carruagem a bicicleta...é algo verdadeiramente comum. Uma street Photography, que observa um ritual diário, mas que só acontece por ali estarmos.
Quis dar-lhe um nome, criar-lhe a própria história, mas não consegui. Limitei-me apenas a observá-lo. Minutos depois pegou na bicicleta e entrou no comboio, educadamente pedia licença para passar.
Foi na carruagem 12 que partiu, o destino...não sei.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Ele é excêntrico, por vezes irreverente, mas ele é estilista. Também não podemos pedir a um jogador da bola que não se apresente de chuteiras. Ele é também assim, apresenta-se com as tendências, as que estão por vir, as que já passaram e acima de tudo...as que ele cria.
É o meu amigo mais antigo e amizade que me dura há mais tempo.
As nossas histórias começaram há 3 décadas atrás e apesar de jovens...já tivemos epopeias delas, mas queria contar-vos a melhor e mais fabulosa :
- Decorriam os anos 90, era o Tom Sawyer o nosso aliado e o Bocas o jogo de uma consola que nem existia. E lá por meado da década, num verão que se iniciava quente, por inícios de Junho...fomos a uma ribeira perto da nossa Aldeia, os dois, levámos as bikes habituais e mergulhámos no poço mais mediático da zona, não havia ninguém e mergulhámos nús ( acho sempre pertinente contar esta parte, porque os homens viris falam disso sem problemas ), depois de tentarmos agarrar 3 ou 4 girinos e atenção, leia-se mesmo girinos ( os peixes ), sentámo-nos numa rocha quente que ali estava à berma da água a secar e a falar...e fizemos aquela que foi provavelmente a promessa das nossas vidas.
Quando tivéssemos filhos, cada um de nós seria o Padrinho do filho do outro.
Tínhamos pouco mais de 10 anos e aquilo podia ter sido vago e perder-se pelo tempo. Mas a nossa amizade, apesar de longas ou curtas distâncias, nunca se perdeu.
E foi por isso que quando o Vicente, nasceu há 6 anos atrás, o Roberto cumpriu uma promessa com 20 anos, - São assim os homens de honra, não precisam de papéis assinados ou tratados com um carimbo branco; chega para isso tudo uma tarde memorável numa ribeira que era um dos nossos pontos de brincadeiras.
Concedeu-me então a benção de ser padrinho do Vicente, deixando-me naquele dia um legado que nos ligará eternamente.
O Roberto é aquele amigo " de sempre e para sempre ", como se escrevia nos bilhetinhos da escola. E não me lembro de alguma vez termos tido uma discussão a sério.
Na nossa Aldeia sempre fomos conhecidos por sermos inseparáveis, mas felizmente no ano 2000, quando o século mudava, apresentei-lhe uma rapariga, que hoje é a esposa dele.
Esta é a metade que mais o define, porque podia estar ali um laço ou o artefacto que vai dar lugar aos laços daqui a mais alguns anos, ou então a gravata com a camisa havaiana, porque ele é assim irreverente ou estilista e ao contrário dos outros, percebe-se que ele ama o que faz ou gosta de como se sente, quando não se prepara assim para a rede social, para o filtro do instagram, ou para o domingo de Páscoa. Ele prepara-se assim num dia qualquer...e apenas porque se sente bem.
Com a metade do Roberto, o meu amigo mais antigo ou o pai do meu afilhado.

em Paris, França

Se pudesse resumir o Antony numa palavra, ela seria : Saudade.
Exitem pessoas de que se gosta pouco, muito ou assim, existem outras que ou se gosta ou se não gosta e existe ainda um terceiro tipo de pessoas...que toda a gente gosta, gostam os maus, os bons, os pequenos e os grandes. Eu conheço duas pessoas assim : o meu irmão e o Antony ( que podia também ser meu irmão ). Deles toda a gente gosta, não têm inimigos, não sabem discutir, vivem desviados dos problemas e não existe uma pessoa que não goste deles. São amados por todos.
Apresento-vos então o Antony, que para nós, os amigos, é " o Tonho ", porque o é por brincadeira, porque ele gosta e porque lhe assenta bem, como outra coisa qualquer.
Falar do Antony é recuar á minha infância, não o conheço de agora, conheço-o desde pequeno. Ele vive na França, mas visita-me todos os verões desde que o conheço.
É tão fácil falar dele, é provavelmente a pessoa mais inteligente que conheço porque Deus o premiou com um Q.I. acima da média. Se lhe disseres o o teu numero de telemovel hoje, tem cuidado que em 2070 ele ainda se vai lembrar dele.
O coração dele tem o espaço do Canadá, a memória é do tamanho da China e o sentido de humor podia ser a Rússia.
Criámos repentinamente uma amizade muito forte, ao ponto de naquele mês de verão em que ele troca França por Portugal, não me livrar dele nem por um minuto. E é por isso, pela intensidade das coisas que temos histórias que davam para séries de 20 temporadas com 100 espisódios por temporada.
O verão é o nosso auge, ele gosta do calor, porque lhe faz esquecer o frio do inverno, gosta de música brasileira, se a Vanessa da Mata um dia tiver uma estátua foi ele que a construiu, fala Português melhor que 80% da nossa população. É emotivo, cerebral, apaixonado, é extremamente fiel...ao coração e ás amizades. Se precisares dele, ele chega antes de soar o alarme. É mestre em trocadilhos...é sereno, o sentido de humor dele não tem paralelo e tem rasgos geniais de humor simples e inteligente,
Gosta de comer, de números e tem uma ligação extremamente expecial com a sagres, ou com a super bock...dependendo do que houver.
Não gosta de bens materiais, não se importa com vistas bonitas, monumentos ou viagens de sonho, prefere sempre : um convivio com amigos, onde se ria, se beba e se coma, porque ele come por 10.
Fala Francês como Português e vice versa, escreve melhor Português do que muitos que possam ler este texto e nasceu e vive desde sempre na terra de Napoleão. Fala Espanhol, Inglês e já o vi safar-se em Árabe ou Alemão...sem nunca se esquecer que ele é Engenheiro e a especialidade dele são números.
Não gosta de redes sociais, nunca colocou um " like " em nada, nem numa foto da Mãe, porque diz que não percebe porque isso se faz ( acredito que nem aqui o coloque ).
Gosta de música, sabe as letras de cor. Tem charme e nunca se usa dele.
Os meus amigos são os amigos dele, provavelmente já partilhei mais vezes cama com ele, do que com uma futura mulher que venha a ter. Gosta de comida Portuguesa, de rir e quando dá gargalhadas são universais.
Tem olheiras há 24 anos e não se preocupa com isso, porque não se preocupa com as coisas que lhe fazem mal.
Se ele fosse um lugar, seria o Algarve ( pelas memórias que dali guarda ), de fosse um animal seria um macaco ( porque os imita como ninguém ), se fosse um objecto seria um bidé ( têm um ligação especial e ele assume que é a coisa de que mais sente saudades em França ), se fosse uma bebida era uma sagres, se fosse comida eram todas.
O Antony é puro, é daqueles que não engana, que se entranha e nunca mais sai, se ele entra na tua vida é para sempre. É genuino e ri-se sempre, até como na foto ( sim porque ele se está a rir para dentro )...ele cativa as pessoas de imediato, é dado.
Fala com as mãos, mas de uma maneira constante. Se lhe deres bolos de arroz ele pode ter orgasmos e se lhe deres um abraço ele retribui sempre.
É das pessoas que mais fotográfo pelo tempo que com ele passo. Já lhe tirei fotos de todas as formas e feitios e podia montar 10 álbuns todos dele, sempre com a colecção de Verão. Mas este ano fui ter com ele a Paris e fiz-lhe a de inverno.
E o momento em que ele nos recebeu em Paris?...de braços abertos, com o coração gigante a falar pela boca e com o sorriso de felicidade.
Volto ao inicio para dizer que tenho saudades dele de uma forma incontável. Todos temos, eu, os nossos amigos e acho que até a minha Mãe.
Mesmo que ele agora passe a vir mais vezes, a estar mais próximo, a aparecer na Páscoa ou em Outubro apenas porque já não aguenta de saudades.
Porque ele vem por nós : pelos amigos, porque sabe na integra o significado da palavra amizade.
Há uma imagem que é repetida por várias, mas que a tenho sempre presente em mim, que é o momento em que ele me abraça e se vira para o autocarro que o leva de volta todos os anos...embora. Quando o vejo partir ele vai lavado em lágrimas, diz sempre que vai ser mais fácil, mas aos anos que o desfecho é o mesmo : chora que nem um menino.
O " Tonho " é das pessoas mais importantes da minha vida, da minha e da de muita gente.
Mas abram-se sorrisos, estendam-se passadeiras, porque ele vem aí...já não demora e está para chegar, para : " o melhor verão de sempre ". Diz isto todos os anos e todos os anos se engana, porque o melhor é sempre o último, porque ele se supera e nós também.
Que o mundo conheça o Antony...um rapaz gigante em tudo.

em Amesterdão, Holanda

Antes de sair de Portugal, combinei comigo próprio, num acordo de cavalheiros que só envolvia uma pessoa; que na Holanda iria focar-me nas pessoas, despir-lhes a alma e dar-lhes a conhecer as emoções através da fotografia e do próprio rosto.
Nunca, como nestes dias me senti tão bem a fazer isso.
...adiante...
A vida troca-nos os sentidos, ou junta encontros felizes. Neste dia, tinha pensado ir num sentido oposto da cidade, passear nos canais, mas de barco. Uma decisão rápida com o meu companheiro de viagem levou-nos a outro ponto da cidade, fizemo-lo a pé, e aquele que seria trajecto para 40 minutos, levou 4 horas a fazer. Conhecemos pessoas, perdemo-nos, parámos, olhámos, descansámos, fumámos ( nunca tabaco, porque o " tabaco mata " ); e perdi-me a fotografar, envolvi-me por completo com a cidade e com as pessoas.
Foi então que vi Anne ( não era a Frank, mas poderia ser, oxalá tivesse recuado no tempo e ela tivesse fugido à guerra )...e vi-a assim, com um olhar perdido, aproximei-me dela, fotografei-a, sorri, gesticulei...e ela esteve sempre assim. Parei por segundos e olhei-a com mais afinco, pensei que pagava para lhe conhecer os pensamentos. Não paguei nem os conheci.
Anne estava com uma roupa que seria moda nos anos 20, ainda olhei para os lados mas não ouvi o trotar dos cavalos nem a aproximação de uma charrete. Catapultei novamente o meu pensamento para o presente, olhei mais um pouco, virei as costas a Anne, mas tal e qual um cavalheiro, não as virei bruscamente, pedi-lhe licença...sem que ela se apercebesse absolutamente de nada.
Naquele tempo, nas intermitências...ela manteve sempre este olhar, de cabeça baixa e sem esboçar qualquer expressão.
Passaram alguns dias e ainda hoje me lembro dela...assim.
A palavra : mistério seria a definição perfeita.
De Amesterdão com Anne.

em Paris, França

É o Jérome. Tem 78 anos anos e é artista de rua. Faz caricaturas a pessoas em Montmatre.
Pinta quadros também, em anos de inspiração.
Cruzámos o olhar num encontro fugaz. Tem sotaque do Norte de França e começou por ser carteiro, lá no 59.
É viúvo e restam-lhes as pessoas que desenha na rua. São rostos contados e passam de 10 mil há mais de 40 anos.
Com um artista de Paris.

em Paris, França

É a Charlotte, diante de mim e no espelho, vi-a em dois momentos, porque a quis reflectida também. Entrava para casa, mas observava a agitação da rua ao mesmo tempo que colocava a chaves na fechadura. É assim se a virmos de perfil e é o rosto dela no espelho se a virmos de frente.
É dançarina também...e vive a dois passos do Moulin Rouge...tem um olhar forte e penetrante.

em Paris, França

É Lorena, cruzei-me com ela ao longe e segui-lhe os passos com olhar, retive-a entre as cores.
É Pintora, costuma expor em Montmatre ou em tertúlias muito privadas para amigos ou familiares, vive recatada, preza a privacidade e não se lhe conhecem muitas histórias. Prefere o sossêgo à confusão e talvez por isso viaje para a Provença 6 ou 7 vezes por ano a fim de conquistar novas inspirações.
Hoje ela estava apressada, tinha um encontro com Paul, um amigo de longa data...e Lorena preza a pontualidade.

em Pampilhosa da Serra, Portugal

É a Juliana, mas nem ela própria deve lembrar-se disso, porque desde a infância que passou a ser Ju para o mundo.
Era a namorada do meu irmão até ao mês passado, mas como tudo na vida tem um fim, eles terminaram o namoro para darem vida a um noivado, ele pediu-a em casamento e ela disse que : Sim.
A Ju tem os seus gostos, como cada um de nós, ela gosta de moda e tem um blogue sobre a matéria com a melhor amiga. Falam sobre actualidade, o passado e o futuro, mas tudo tem a moda como raíz.
Hoje levei-a a um dos meus sítios favoritos, na hora do por do sol, mas o sol estava intermitente entre nuvens e montanhas, mas mesmo assim incidiu-lhe sobre o rosto.
Fizemos mais algumas fotografias, para o blogue dela e para a minha página que vou publicar aos poucos. Por enquanto fica esta, parece do topo do mundo e podia ser mesmo, mas fica a 5 minutos da Aldeia, a mil metros de altura, com montanhas e vales sobre os ombros e um céu infinito por todo o lado.

em Lisboa, Portugal

Quis o destino que os Pais lhe dessem o nome do Santo da cidade.
...quis o dia que a luz incidisse no rosto do António quando o vi aparecer.
E foi a luz que me iluminou a alma dele, uma alma sem tamanho...gravada na firmeza de um rosto que perpetuava memórias.
...memórias gravadas através da vida, que é presente do indicativo de um tempo que há-de vir.
Senti-lhe primeiro os passos e esperei que se aproximasse, olhei-o com atenção, trocámos um olhar fugaz e seguiu.
O rosto do António era carácter e testemunha, como se lhe mostrasse o coração, ou as rugas lhe desvendassem a sabedoria. Era um rosto mudo mas com voz e palavras.
Carregava uma vida que lhe levara a companheira, a mulher, a amiga...há quase duas décadas. Mas que o tempo não lhe havia curado uma cicatriz do tamanho da dor.
Todos os dias o António vai visitar a Olga, sussurra-lhe as palavras que gostava de lhe ter dito ou diz em voz alta aquilo que lhe repete vezes sem conta. Todos os dias lhe leva uma flor e quase nunca lhe repete a cor ou o cheiro.
Já era assim em vida da Olga e o António não quis quebrar uma rotina que o destino lhe tentou roubar em presença...mas nunca do pensamento.
O Amor do António pela mulher é ainda superior à perda e é isso que o mantém de pé, que o faz audaz e corajoso. Que se amenam os dias agrestes em suaves. Que sobrevive à dor da ausência física.
Gosto de pessoas mais velhas, nunca o escondi, eles falam pelo próprio rosto. Dão-nos a conhecer a possibilidade do impossível e trazem-nos a esperança que por vezes já perdemos. São bravos, sábios ou sabidos e trazem expressões que são vivências. Eles são tradição, são costumes ou hábitos mas também são imprevisibilidade.
Vi isso tudo no António, vi isso e vi um amor eterno.
Acredito que naquela tarde era Olga que lhe iluminava o rosto....
Com o António, um homem tocante...
...de Lisboa.

em Lisboa, Portugal

É a Sofia. Tem um cabelo incrível, os olhos da cor do cabelo mas expressivos como o sorriso dela. É discreta, disse-me que era tímida, mas determinada.
Cruzei-me com ela há uns tempos, num dia bom.

em Lisboa, Portugal

É o Nuno, veio de Viana do Castelo, faz em Lisboa aquilo com que sempre sonhou.
É fotógrafo de rua.
A minha história sobre o Nuno e a própria história do Nuno merece uma triologia e por isso esta é a primeira de três fotografias em que falarei sobre ele e sobre o nosso encontro que de casual teve pouco, com a Leti metida pelo meio.
Aqui era Junho, a tarde era daquelas de 40 graus e nem a sombra evitava o calor. Uma limonada ou outra, muita água e o pensamento na Serra da Estrela ajudavam a atenuar os graus.
O Nuno sentou-se e bebeu um café, segundos depois já todos trocávamos impressões.
O seu sotaque minhoto destacava-se no imediato e a simpatia aproximou-nos dele naquele instante.
Ele é descontraído, faz o que ama, e tem coragem para o fazer e é também por isso que a felicidade lhe percorre os poros. Passa por dificuldades, mas quem não passa?
Eu admirei-lhe a audácia, a peculiaridade e sobretudo a originalidade.
Aborda as pessoas com a mesma naturalidade com que eu o faço e revi-me nele em outros tantos aspectos.
Duas horas depois saímos, invejando-lhe a liberdade e alguma coragem, foi nesse momento que encontrámos a Mallu Magalhães e não a reconhecemos.
Voltei a Lisboa e o acaso voltou a cruzar-nos ao sabor do pedal, e da mesma forma inesperada : a rua.
Com o Nuno...de Lisboa...

em Lisboa, Portugal

Vive na Graça e é com Graça que trocou Ronda, uma cidade pequena no sul de Espanha, perto de Málaga, por Lisboa...há 10 anos atrás.
Conheceu Rolando, um Brasileiro que trabalhou naquela vila em hotelaria e voltou com ele para Lisboa.
O amor quando vence, fala sempre mais alto e obriga-nos a sacrifícios. Carmen fez um e não foi pequeno...
1 mês depois de correr atrás do amor, ele deixou-a por outra. Mas ela ficou, porque se apaixonara pela cidade e porque mesmo de coração partido, era entre as 7 colinas que se sentia feliz.
Fez de tudo um pouco e apesar de sonhar em ser actriz de teatro, nunca concretizou o sonho, mesmo assim sabe que Lisboa lhe mantém o sonho perto.
Há 2 anos voltou a apaixonar-se, por Joaquim, um Suíço que trocara Genebra por Lisboa para estudar e depois para viver. E ela fez-me saber que vivem um amor tórrido, intenso e único...
...Diego é fruto desse amor e ela segura-o no carrinho de bébé, enquanto faz uma pausa para descanso...na calçada.
Conheci-lhe a vida e trouxe-lhe aquele ar distinto de quem ainda não á actriz de teatro...mas parece já ter uma carreira longa.
Com Carmen...da Graça...

em Paris, França

Era com as poças de água e os reflexos da torre nela que eu brincava, quando de repente tudo se esvaiu, porque vi Marie...
...solitária, mas tranquila, refugiava-se nos pensamentos e alheava-se do mundo que a rodeava. Observei-a ate se escapar entre a multidão.
Teve um dia mau, o namorado saiu de casa há 3 meses e hoje cruzara-se com ele, reviveu as mágoas que o tempo ainda não lhe conseguiu levar. Foi passear para espairecer... e foi quando a vi.
Espero que o cupido lhe traga uma nova história com um desfecho feliz e que estes passeios possam ser feitos a dois e de mãos dadas...com a força do amor.

em Amesterdão, Holanda

40 anos separam as idades de Charles e Arthur, mas mais curta é a distância que lhes une os gostos pessoais, os ideais, o pensamentos, as crenças e as opiniões.
Charles é Escocês, veio para Amesterdão na fase hippie da sua vida. a droga e a excentricidade trouxeram-no até aqui. Contudo a vida tem-lhe dado lições e passou de um rapaz impulsivo a um homem ponderado. Hoje em dia vive de causas, gosta de ler e dá palestras numa associação para alcoólicos anónimos todos os dias. É assim há 20 anos, altura em que deixou os vícios maus para se apoderar dos bons.
Arthur é filho de Mãe Nepalesa e Pai Holandês, nasceu em Amesterdão mas todos os anos sobe aos Himalaias, como prova da sua perseverança e força de vontade. Também porque a vida lhe trouxe dificuldades, os seus pais foram alcoólicos e esqueceram-se dele na fase inicial da sua vida. Trocaram-no pela vida boémia e ele cresceu à força e com a ajuda de Charles.
Hoje sãos os melhores amigos, ajudam-se mutuamente e cultivam o auxilio ao próximo como modo de estar.
Têm no olhar a mágoa de outros tempos mas a garra destes e a esperança naqueles que por aí vêm.
Eu apenas me sinto grato, pela vida nos ter cruzado e por sentir na pele este olhar expressivo de cada um deles.
Se há pessoas que eu admiro na vida...essas pessoas são como eles.

em Paris, França

Quem me conhece, sabe do meu fascínio por fotografar pessoas e por não as colocar a preto e branco, porque a vida delas costuma ser a cores. E o rosto espelha a alma na maior parte das vezes.
É assim com Hans, um Alemão que vive em Paris há 30 anos. Hans parece desconcertado, porque o é. Porque é assim desde que perdeu Luce, a sua mulher de há 40 anos.
Hans era vendedor de carros, hoje apenas bebe, refugia-se no álcool para colmatar a ausência da única mulher da sua vida. Acabou de sair de um bar, porque é neles que passa a vida.
Retratei-o com o pensamento em Luce. E dei-lhe um abraço com o olhar, de conforto e resignação.
De Paris...com Hans, um homem só...

em Amesterdão, Holanda

O Eric...
Esta é a ponte que se avista da fotografia anterior, os prédios também são os mesmos. Mudam as personagens. Porque o ritmo das vidas não lhes permite parar o relógio e os passos são sempre ritmados pela pressa.
O Eric destacou-se dos demais quando cheguei aqui, pela excentricidade, mas acima de tudo pela postura recta que lhe confere parte da atitude ( é verdade que a maneira como andas e te apresentas te define na vida ). Não se curva, não desvia o olhar, fixa-se no essencial, no que tem de fazer.
Foge da superficialidade da vida e passou por aqui porque passa todos os dias, para chegar ao trabalho.
É consultor para grandes contas...a vida trouxe-o de Bruxelas até aqui para que dessa forma também pudesse dar um salto gradual na carreira, porque a ambição é uma das suas carateristícas e sabe que é meio passo para o sucesso.
A forma altiva e distinta com que o vi, fez-me julgá-lo de imediato e não me enganei quando lhe tracei o sucesso pessoal e profissional.
Tem um casamento com 2 semanas e uma mulher grávida há 7. E nada lhe desvia o foco da família e do trabalho.
Deixou Bruxelas há meio ano para dobrar o salário e passar de sub-director a director...
E tudo na vida lhe foi acontecendo gradualmente, porque Eric procura incessantemente o sucesso.
Gosta também de se apresentar bem e o ar " clean " que o define é ao mesmo tempo moderno mas por vezes exuberante...e a culpa é toda de Antonella a esposa Italiana de Eric, que escolheu ser Estilista ainda antes de sair de Milão.
Acrescentava : CLASSE a este texto e despedir-me-ia de Eric desde a ponte se o acaso de uma cidade grande em dimensão mas curta no olhar...não me fizesse " chocar " literalmente com Antonella.
E será ela uma das próximas fotografias.

em Londres, Inglaterra

Passei por ele em Camden Town, em todas as fotografias que lhe tirei ele esteve sempre a olhar para mim, sem que isso pusesse em causa uma condução sem mãos no volante numa das ruas mais movimentadas de Londres.
Andrew, volta do colégio, são 16h, passa todos os dias em Camden, por exibicionismo ou não, nesta zona principal da rua tira sempre as mãos do volante, o desconforto dá-lhe, a ele, uma sensação de conforto. vivi de forma irreverente aqueles segundos em que nos cruzámos e ele também. Não ousei em ficar tímido ao fotografá-lo, afinal ele representa o típico estudante Londrino de um colégio e ainda por cima transporta-se numa bicicleta.
Ele fez o mesmo, olhou-me sem rodeios e sempre destemido. Gostava de ter trocado dois dedos de conversa com ele, nem que fosse para lhe dizer que não gostei das meias dele, mas o miúdo com estilo era bom a pedalar.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Não é o melhor, mas está seguramente entre os 3 ou 4 meus melhores amigos. Eu sou capaz de ser o melhor amigo dele, mas com 3 pastilhas gorila e 2 gelados e daqui a uns anos isso passa-lhe. Mas como me importa o presente, sinto-me honrado e grato por viver perto dele.
É o Andres e quando lhe tirei esta fotografia, não dei conta do momento representativo, só depois de a passar para aqui. ´
Suspirei, ela saiu assim mesmo, amparado pelos Pais e descontraído pela vida.
Se uma imagem pudesse representar 3 vidas, esta seria a imagem da vida do Julio, da Andreia e do Andres.
Os Pais esperaram mais de 30 anos para mudarem de vida, deixaram a família para trás, fugiram de uma guerra civil e ultrapassaram o oceano.
Mudaram-se da Venezuela para Portugal apenas pela qualidade de vida do Andres, para que ele pudesse correr, brincar, saltar, rir e andar assim descontraído para o resto da vida.
Semanas antes da mudança a Andreia foi perseguida num bairro perto da zona onde vivia e levava o Andres no carro, dias depois sequestraram um menino no mesmo infantário onde o Andres sobrevivia com os outros.
Eles vivem apenas para uma causa, o Andres, suportaram o peso da mudança e sofrem ainda com as saudades de uma vida passada que será presente e futuro.
Se valeu a pena?...olhem repetidamente para esta imagem como eu o tenho feito.
- A descontracção de uma criança livre e apenas suportada pela força dos Pais que o agarram com a mesma força com que lhe deram um novo rumo à vida.
Se esta fotografia tivesse um nome, ele seria : Felicidade.
Se porventura até tivesse 2 nomes, ele seria : objectivo cumprido.
Eu vi a força da vida nas mãos deles.
Com o Andres...feliz...

em Paris, França

Passei por Douglas entre os pingos da chuva, como e vê na fotografia. Ele ia chateado,porque perdera uma concessão importante...

em Lisboa, Portugal

Perdeu o rumo da vida há algum tempo atrás. Raul teve um avc que o limitou em muito e lhe reduziu a vida, salvou-se por sorte e desde então tem sobrevivido com os tratamentos e a ajuda da Tia. É esta que cuida dele desde esse malogrado dia.
Raul é leal, sério, honesto mas a droga levou-lhe parte da adolescência, primeiro a leve e depois a mais pesada. A inserção e reinserção no bairro onde vive ou mesmo com o mundo, foram sempre processos complicados, porque várias vezes esteve preso por pequenos furtos para conseguir dinheiro para mais droga.
Desta vez o processo é o mais complicado e doloroso que alguma vez já atravessou...luta contra a vida...por vezes de uma forma lúcida, mas em outras não.

em Lisboa, Portugal

Lembram-se do braço tatuado que tinha como pano de fundo a Rua Augusta? Ele tem um rosto...
É a Cate...e a beleza dela não cabe em proporção sequer na via láctea.
Simples mas arrojada, discreta mas vistosa, sorridente e cativante é assim a mulher por detrás de um corpo com marcas para a vida...mas marcas de arte, de simbolismo ou mais pessoais.
...Não queria voltar à Rua Augusta, já havia fotografado aquele local por duas vezes na mesma tarde, mas a intuição sobrepôs-se à razão e o coração comandou-me os passos...e foi ao longe que a vi : de sorriso fechado mas com uma presença capaz de esconder o movimento restante que se fazia sentir na rua...era a Cate. Baixei-me porque lhe vira 2 tatuagens ao fundo das pernas e queria enquadrá-las com o padrão da calçada, pareceu-me aquele o enquadramento certo no momento. Mas ela aproximava-se e eu perdia-me nos detalhes e contagiava-me pela essência...retive o olhar e senti-me imediatamente preso a uma quantidade de coisas boas...
...até que ela sorriu, e aí...aí o mundo parou num intervalo que poderia ser eterno. Era o sorriso de Cate, ela : observava-me a observá-la. Eu nem tive rodeios, olhei-a de frente e invadido pela coragem, disse-lhe que tinha que a fotografar. Nem a podia questionar e naquele momento eu nem sequer podia aceitar um " não ", usei as armas que eu tinha ao dispor e fui buscar 3 ou 4 palavras " sacanas " que me ajudassem a persuàdi-la, mas...não foi preciso, porque Cate trazia com ela boa disposição, simpatia, um sorriso incrível e energia...e essa energia transportava-se e passava, parecia energia em cadeia...daquela que passa através das pessoas só porque te cruzas com elas.
Sorrimos, gargalhámos, e fui honesto com ela : " Cate, já fotografei muito por Lisboa, mas tudo deste-me tudo, preencheste-me muito com pouco. Reúnes tudo o que preciso para que estas fotografias pela cidade possam ser perfeitas ".
E ela aceitou o meu pedido para a fotografar. Os pormenores ou a espontaneidade. Ela foi sorrindo à medida que eu disparava o shutter.
A Cate é da Figueira da Foz, estava em trabalho por Lisboa, é tatuadora e feliz. 80 % do seu corpo é preenchido por tatuagens o restante é por estilo. Tem uma pele brilhante...este sorriso...é bonita com uma naturalidade arrebatadora e extravagante. Trazia um saco de compras numa mão e uma garrafa de água na outra mão, eu despi-lhe os objectos e perpetuei aqueles momentos tocados a magia.
Ela voltava no dia seguinte para o norte e Lisboa perdia um brilho que a acompanhava.
Com Cate...a rapariga feita de tatuagens e felicidade...de Lisboa.

em Paris, França

Jean Luc sorriu abertamente para mim, foi cordial e ainda me deu um aperto de mão. É Engenheiro na Disneyland e afável...

em Lisboa, Portugal

É o Afonso, gosta de skate e de patins, gosta sobretudo de desportos radicais e de perigo, alguns em consciência. É tímido embora alegre, inteligente e cativante.
É orfão de pais e viveu numa instituição até há 2 anos atrás, aprendeu regras e a distinguir o bem do mal. Foi adoptado por pessoas que gostam dele e como está de férias...veio andar de skate para a baixa de Lisboa.
Quer ser veterinário quando for grande e no restante tempo livre...faz voluntariado num canil nos arredores de Lisboa.
É a 2a vez que não faço dos intervenientes fulcrais da fotografia...personagens principais.
O Afonso vai ali ao fundo... ; E aqui temos a Claire e o John, são dois Ingleses que se apaixonaram por Lisboa e são donos de uma vespa com mais de 40 anos.
E depois de tudo dei atenção aos detalhes : ao reflexo do Terreiro do Paço no vidro dianteiro do autocarro, à luz e à cor ou ao estilo.
Podemos ter muito...numa fotografia apenas, basta estarmos atentos.

em Amesterdão, Holanda

Por vezes revisito os discos onde tenho milhares de fotografias e encontro algumas que já deviam ter saído de lá.
Esta foi um desses casos : Há muito tempo que uma fotografia não mexia comigo a sério, porque elas têm que fazer " mossa ", têm que me fazer sentir...qualquer coisa. Esta lembra-me um frame de um filme.
Foi em Amesterdão, é a Sara e passou por mim ao ritmo do sonhos que carrega no coração. Roubou uns trocos à Mãe e vai a Damn Square comer um gelado com o melhor amigo. Depois encostam a bicicleta a um poste e falam de frente para o rio e de costas para o mundo.
Ao fundo a Rita deu conta de tudo, pela forma convicta como nos olha.

em Lisboa, Portugal

Foi no dia em que me cruzei com a Mallu Magalhães e agora que lhe conheço o rosto de perto, até me parece vê-la aqui em duas e de costas. Mas não.
São a Íris e a Amanda e conheci-lhes a história assim que as confrontei olhos nos olhos...antes disso, andara por aqui, a juntar-lhes simetria, cores e paz.
Como sempre fui directo :
" Olá, posso sentar-me aqui e conhecer-vos ? "
Elas não recearam, as boas abordagens percebem-se pela descontracção e sorriso.
Sentei-me de frente para elas...
São Turcas e estudam ambas em Lisboa, nasceram no mesmo dia, fruto do mesmo matrimónio e dos mesmos pais, foi o mesmo berço que as acolheu e uma conhece o mundo com a distância de 7 segundos da outra. Amanda é portanto a mais velha e nota-se, ela assume a liderança da conversa, ela é mais evasiva, expressa-se com as mãos e quer também saber quem sou.
A Íris olha-me e ri com as piadas que digo ( sempre no nosso Turco perfeito ).
A segunda suscita-me curiosidade porque tem um coração tatuado no pulso. Confrontei-a com isso e descobri que a Amanda tinha um igual, eram gémeas caramba. A união dos factos é sempre maior que num caso normal e eu não me estava a aperceber disso.
Foi então que lhes contei a história da minha tatuagem, disse-lhes então que tenho um diabo a cores, um pouco acima da virilha e que o tatuei na Austrália, em Perth, quando fazia 3h de escala entre Timor Leste e Portugal, numa das vindas a Portugal, durante a missão que fizera naquele País que elas não conheciam.
O avião parara para manutenção e como demorava 3 horas, fui passear por Perth, durante esse tempo, encontrei no 1º quarteirão uma tatuadora e depois de 3 gins e 2 whiskys lá fiz o diabo. Elas abriam o sorriso de espanto e eu mantinha-me firme.
Na verdade o diabo existe naquele sitio e contei-lhes a realidade, que pouca a gente conhece este pormenor em mim e prefiro manter o mistério.
Prosseguimos e 3 horas depois ainda aqui estávamos cobertos de sorrisos e de uma cumplicidade que faria de nós trigémeos.
Mas estava atrasado, prometera à Leticia não ter qualquer caso com uma Turca e foi assim que me desfiz deste cordão umbilical, criado naturalmente.
Íris trabalha num hostel e estuda arquitectura, Amanda fez uma pausa de um ano em medicina e trabalha num bar do bairro.
São serenas e bonitas.
" O guarda-costas, de Lisboa. "

em Serra da Estrela, Portugal

Antes de começar a escrever esta fotografia, fui ver a banda sonora do filme dos cowboys, o : Break Mountain, vi também algumas fotos, para que a inspiração me tomasse conta das palavras.
As pessoas não se entranham de imediato, ás vezes estranham-se para que depois se entranhem, isto nada tem a ver com o segredo de Break Mountain mas foi assim que eu e o Marcos tomámos dimensão um do outro, a custo.
A família não se escolhe, mas felizmente os amigos podemos escolhê-los. É por isso que o Marcos é parte integrante da minha família mesmo que o sangue dele não seja azul como o meu.
Se pudesse definir a palavra Amizade ela seria o Marcos.
Se pudesse caracterizar a nossa amizade diria que é daquelas que às vezes é feita de silêncios, dos que não são incomodativos, e que podemos estar assim porque ambos nos compreendemos.
Forte, determinado, seguro mesmo quando está inseguro, leal, teimoso, determinante e determinado, é inacreditavelmente sensível, mesmo que por vezes não o demonstre, pode até ser bruto porque é o jeito de ser, pode ser impulsivo porque fala com o coração, aliás este é do tamanho dele...é justo e agarra-se aos objectivos com a mesma força com que nasce para o dia.
Lembro-me que em Londres me disse : " Estou mesmo feliz por estares aqui comigo..."; já em Amesterdão o dissera, porque abriu o coração para lhe dar palavras que a maior parte das pessoas tem dificuldade em transmitir.
É admirado por alguns e olhado de lado por outros. Não se inibe a gargalhar ou a perder a razão se ele não for o seu dono.
Faz sempre o que o coração lhe manda.
Quis o destino que salvasse vidas durante a dele e fá-lo da mesma forma como se entrega a tudo.
Se fosse um animal era um Dragão, se fosse comida era sushi e fosse música era um ponto de luz.
Ele é o lado emotivo acompanhado do racional.
Já quase corri o mundo com ele...em milhas de amizade, temos episódios que davam para triologias e acabamos sempre com um abraço no final. Porque nos queremos bem e os amigos são para existir, porque são reais e vivem-se.
É cavalheiro e nem sabe disso, tem vertigens mas ultrapassa-as, é despistado ao ponto de poder estar no Alentejo e pensar que sobe a rua para o Pelourinho, troca Alcobaça por Castelo-branco e apenas porque sim.
Descomplica a vida e os amigos não lhe conhecem a ausência, porque quando todos não estão...ele está sempre.
Uma vez no Algarve deixei-o sozinho e chegou a casa com um taxista Indiano que nem era taxista, era o amigo que fez sem ter dado conta.
Sentou-se nesta estrada sem curvas com tudo o mundo pela frente.
Se pudesse escolher um Amigo para todos vocês, ele era o : Marcos.

em Lisboa, Portugal

Era Chet Faker que lhe soava aos ouvidos, respirava fundo e observava ambos os lados da estrada. Coabitámos por pouco tempo na passadeira, mas ainda lhe retive aquele ar descontraído versus lumbersexual a pouco centímetros de distância. E quando digo cm, já estou a exagerar, porque tivemos contacto físico. Nem o abordei nem lhe disse " Hello ", consegui-lhe apenas um sorriso final.
Depois disso o sinal dos peões mudou para verde...e seguimos caminhos diferentes...
O ritmo da vida na cidade pode ser feito sem sociabilidade, os laços dão lugar a olhares e a pressa pode não dar lugar a nada. É também isto que me cativa na fotografia de rua. Ela ser pura e desprovida de conhecimento factual ou proximidade.
O nome dele? Vamos chamá-lo de Fred.

em Paris, França

É Douglas e a história com ele é bem simples.
Eu saía do metro e ele ficava, na despedida tirava-lhe 2 retratos aos quais ele acenou com expressões diferentes. O barulho para o metro seguir deu-se e eu ainda estiquei o braço a tempo de lhe dar um cartão...depois as portas fecharam-se e ele seguiu. Agradeceu numa outra expressão.
Gostei mesmo de ter passado por ele.

em Lisboa, Portugal

Na realidade deitei-me neste piso por causa do padrão que ele tinha, pretendia enquadrá-lo com as pessoas, com as roupas delas e com o movimento geral.
Consegui fotografar e conhecer aqui muita gente, assim como a Joana, a Maria, a Marta e o Ricardo, eles tinham um jantar da empresa de design onde trabalham e passaram por mim...descontraídos...

em Paris, França

...era domingo de Páscoa. Sentei-me da mesma forma que ele e passámos a partilhar o mesmo banco. Depois o mesmo campo de visão e depois disso fotografei-o.
Imaginei-o em 1920 e foi por isso que lhe mudei as cores. O coche puxado por dois cavalos trouxe-o à Torre Eiffel. É aqui que recorda a sua mulher que a vida lhe levou há mais de 10 anos. Da forma como ela contemplava a dimensão da " grande dama ", como a admirava em construção e imponência.
Fuma um charuto. E está sempre por ali uma tarde por mês.
Partilhei esta com ele...por meados de Abril.

em Lisboa, Portugal

- " Senhor Albino jogue-lhe a copa...";
Olha desconfiado e de olho franzido contesta :
" Mas como é que o menino sabe o meu nome? ".
- " Estou ali atrás há meia hora a vê-lo jogar. Vim com a minha amiga Leticia, mas ela está a pintar as unhas entreti-me com o jogo..."
"...epa nem dei conta, quando jogo estou cego. Venha para aqui mas não dê palpites..., esteja sossegado."
Na realidade eu só queria prender-lhe a atenção, nem sei bem jogar à sueca, mesmo que o nome me seja apelativo.
Depois de o cativar, estaria perto de lhe conhecer a história e fotografá-lo sem preocupações.
- " Então mas você passa as tardes nisto? a jogar às cartas no jardim? "
"...mau, não o mandei estar quieto?...isso significa também estar calado...;
...oh Manel tinha que jogar por cima, assim levamos chita..."
E olhou firmemente para mim...:
" se calhar veio-me dar azar..."
- " Oh Sr. Anibal mas eu não lhe disse para jogar a copa? fez mal..."
( disse isto sem saber o que estava a dizer )
Ele virou-se como se tivesse dado a entender que realmente eu tinha a razão. Percebi que tinha conquistado o meu lugar, era hora de atacar...
- " São 5 copos de vinho? "
"...venham eles...".
Levantei-me, fui eu próprio ao balcão, para me sentir prestável e voltei com as duas mãos cheias.
Brindámos, voltámos a brincar e o homem levou mesmo chita.
Mas desviei-os do jogo, falei-lhes da Beira Baixa, das cartadas por cá e num instante tinha feito 4 amigos. Voltámos a brincar e já com outra rodada, até à " chita " brindei e eles até acharam piada ( por sorte ).
Eram todos do interior e trocaram a terra pelo trabalho, não voltaram mais. Hoje passam os dias entretidos assim, mas entre lamúrias :
"...aquilo no interior é que é sossêgo, tenho tantas saudades, mas a vida trouxe-me para aqui...".
Antes de os deixar dei-lhes um aperto de mão, sempre a olhar-lhes, olhos nos olhos e com a mão firme, porque os homens assim conhecem-se no cumprimento.
Despedi-me já ao longe :
- " Oh Senhor Anibal, já sabe, na dúvida puxe sempre pela copa..."...
Com uma sueca a 5, de Lisboa...

em Lisboa, Portugal

Os meus amigos costumam dizer que tenho tendência para que me aconteçam coisas imprevisíveis, para histórias que se contam, nos perdemos na impossibilidade e no fim perguntamos sempre : " Mas como é possível ?"
A Cláudia materializa um desses casos. A meio do verão que passou apanhei o autocarro para Lisboa a um qualquer dia da semana. Mesmo ao meu lado e unidos pelo mesmo banco, vinha uma rapariga bonita, com presença, que soltava uns suspiros de quando a quando ( talvez pelo aborrecimento de uma viagem longa ), que ouvia música através dos phones e a debitava de forma pouco perceptível mesmo que lhe pudesse sentir um timbre especial entre os agudos.
Foi então que fui fiel a mim próprio : passei a mão sempre pelo cabelo para o lado direito para poder inclinar a cabeça ao mesmo tempo e olhar para ela mais vezes ( faço sempre este truque ).
...e ousei perceber o que ela fazia já no final da viagem, ligara o computador e escrevera : " Tarôt em Lisboa " no motor de busca do google.
Ainda pensei ler-lhe a mão naquele momento ou soltar as cartas e dizer-lhe no final : " Vês? Vamos ficar juntos...".
Mas deixei escapar o momento e a viagem acabou. Despedi-me dela com o olhar, o cabelo cintilava com o vento quando desaparecera do meu campo de visão.
E aquilo passou...
...até que 3 dias depois, mesmo no Terreiro do Paço, enquanto fazia tempo com a Leti, lhe dizia : " Nem te contei, vinha uma miúda brutal ao meu lado na viagem e já no final abriu o computador e pesquisou no google casas de tarôt em Lisboa. Deve vir saber do destino..."
- " Mas como sabes? espreitaste-lhe para o Pc ? "
"...claro..."
- " És mesmo doido...";
E a conversa mudava e saíamos a caminhar por ali...quando num prazo não maior a 5 minutos...
Eu via a rapariga do cabelo brutal diante de mim e estupefacto dizia à Leti :
" É esta..."
- " Mas é esta o quê? "
" É esta a rapariga de que te estava a falar..."
-" Não pode ser, mas estas coisas só te acontecem a ti ? ".
Abordei-a de imediato, e disse-lhe tudo de uma vez só :
" Não deves saber quem sou, mas fiz uma viagem de 4 horas ao teu lado e antes de te dizer que te vi pesquisar sobre Tarôt em Lisboa, quero dizer-te que és bonita ".
Parei e suspirei, o olhar dela era de espanto, numa mistura de susto e incredibilidade.
Mas...lembrava-se de mim, não da mesma forma, mas lembrava-se. Gostou da minha ousadia e explicou-me que pesquisava aquilo porque tinha falado sobre isso com uma amiga, mas por nenhum motivo especial.
Que o que fazia em Lisboa era uma sessão de fotografia como modelo de penteados Africanos.
Senti-lhe uma energia incrível e o destino voltou a fazer das dele quando ela me disse que vive e estuda na Covilhã, a poucos minutos de mim.
Quis fotografá-la e sugar-lhe aquela energia positiva, reter-lhe o sorriso, o olhar e o cabelo incrível...ao mesmo tempo que o Eléctrico passava e lhe deixava os rastos que se confundiam com a cor da roupa...numa junção perfeita.
O AMAR-elo foi a cor predominante de uma história colorida.
E apesar dos acasos não voltei a ver mais a Cláudia e só retomámos o contacto há poucos dias.
Mas...intemporal ficou esta imagem carregada por uma história incrível como este momento.

em Lisboa, Portugal

Demorei a decidir-me sobre esta fotografia, porque tenho o..." antes ", o " durante " e o " depois "...consegui fotografá-los em todos os momentos de ternura que deram lugar a um beijo demorado.
Decidi-me pelo " depois ", este gesto de ternura pura, foi após o beijo, ela passou-lhe a mão no rosto e sorriram ambos de felicidade.
Senti o amor bem vivo em Lisboa, pelo toque, pelo cheiro, pelos táxis que passavam, pela cor, pelos sorrisos que se abriam para o dia e pela arritmia que era sentida a metros de distância.
São Suíços, a Marie e o Pierre, estavam de partida para o aeroporto, dali a 2 horas, um avião levá-los-à de volta a Genebra.
Abordei-os após este momento e pedi-lhes que se beijassem por mais tempo e eles acataram o pedido sem receios ou dúvidas, fotografei-os nesses instantes que eram feitos para mim e senti-me naquele momento um Nicholas Sparks de câmara e é por isso que quero materializar aquele pensamento :
- Conheceram-se em Praga, num congresso da faculdade, da de ambos. Estudavam os dois na mesma faculdade mas nunca se tinha cruzado. Ela será enfermeira e ele médico e depois daquele dia, juraram fidelidade na saúde e na vida.
Ele discursara durante o congresso e ela não conseguia tirar os olhos dele, gostou da forma determinada com que ele falava para as pessoas, sentiu-lhe garra nas palavras e descontracção na presença.
Ele apenas a viu e não deixou de a observar no resto do tempo...
...por esta altura, no Rossio ainda não perdera o sentido do olhar.
Admirei-os até partir...
Com Amor...de Lisboa.

em Lisboa, Portugal

Este não o melhor lado dela, esse é visto do coração.
Mas esta é a Leti vista com 3.1 dioptrias e um astigmatismo reduzido.
A lente aproximou os acasos : o eléctrico que distingue a cidade, a câmara que é da Nikon e as sardas vistas à lupa ou à lente.
Ela parece reproduzida em duas, mas vale bem mais que isso.
Com a Leti...menina e moça ou míope e moça...de Lisboa...

em Amesterdão, Holanda

É a Jane e tal como eu, vive de sonhos, sem que a idade seja uma barreira para que aconteçam.
A sensação de liberdade que às vezes podemos ter, faz-nos sonhar ou voar.
A Jane mostrou-me que a suspensão no ar pode ser assim. Ela está presa sim, aos sonhos...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

O mundo devia parar, porque vou falar sobre parte de mim.
É o Vicente e à partida podia ser um modelo de crianças para uma revista, ou um menino tremendamente bonito e com um estilo capaz de humilhar os adultos que vestem Versace...
...mas o Vicente é o meu afilhado. Já vos falei daquela tarde de verão em que dois amigos com apenas 10 anos fizeram um pacto : Seriam padrinhos dos filhos um do outro. É então este o legado que me foi deixado para a vida.
Definiria o Vicente em carisma se uma palavra fosse suficiente.
Tem os olhos entre o verde e o azul e foi por isso que escolhi a foto assim, para lhe sobressair as outras cores.
O Vicente é ternurento, audaz, perspicaz, intuitivo, determinado, astuto, ele não é apenas inteligente, ele é esperto; O Vicente é destaque, destaca-se dos demais, levantaria plateias se quando se cruza com a rua o fizesse com um palco. Nunca fez uma birra, não exige nada. Se fosse um animal seria um leão, pelo rugido grandioso que tem o seu pequeno coração ( rimou ). É um sportinguista fervoroso, não o consigo mudar e só me deixa repleto de orgulho porque lhe vinca a personalidade, porque não se influencia, porque é de pequeno que se faz o caminho. Gosta de futebol, de nadar mas nadar a sério. É educado, nunca se esquece de cumprimentar quem quer que seja...à chegada e à despedida.
Se olharmos para ele ao longe podemos ficar rendidos, se o retivermos de perto podemos soltar suspiros.
Às vezes o Vicente parece um quadro e nisso sai ao Pai, outra vezes é elegância autêntica e nisso sai ao Padrinho, mas é sempre é um bom coração e nisso sai a ele próprio.
Gosta de laços e gravatas e exibe-se sempre com requinte e bom gosto.
E os nosso abraços? Damos sempre dois, mal nos vemos damos um caloroso e depois outro quando um de nós vai embora.
Ontem disse-me : " Padrinho tens planos para sábado ? "...calculo que queira um encontro a 4 e me vá arranjar uma namorada, sei que é ele quem me vai escolher a indumentária e pedir-me bons modos.
O Vicente é indubitavelmente parte de mim e não consigo definir em tamanho o quanto gosto dele, mas é pelas mesmas razões que sou obrigado a falar nele em duas fotografias : comecei hoje a conversa sobre um dos meus melhores amigos que calha também a ser o meu afilhado e terminarei a história numa outra fotografia a cores, com a dos olhos também e com o Vicente de laço.
O Vicente, o meu afilhado e um amor indecifrável.

em Amesterdão, Holanda

É a Sara, é ela simples como a brisa que lhe toca no rosto. Num momento de beleza raro ou único.

em Salzburgo, Áustria

É Albanês mas vive na Áustria desde a 2ª grande guerra mundial. Ficou mesmo depois da guerra partir. Vive ao som de Mozart pelas praças de Salzburgo e sobrevive num local de paz, depois de anos em guerra. Colecciona selos, gosta de ópera e conta histórias.
É o Boranov ( como quase todos os Albaneses ), nunca mais voltou ao seu país de origem, tem 7 irmãos a a última vez que viu os seus pais tinha a farda da guerra e a coragem de um jovem de 20 anos perseguido pelos tumultos mas resistente pela força própria da idade. Hoje e passados tantos anos, tem a sua própria família e preserva a vida. Aquela que lhe mudou os destinos, mas que lhe trouxe histórias. Contou-me que gosta de sentir o sol no rosto, fecha os olhos e recua no tempo e nos sonhos. Segundos depois imortalizei aquilo que ele me havia dito.
Despedimo-nos com um aperto de mão, eu franzi admiração, ele...não sei.

em Amesterdão, Holanda

As ruas de Amesterdão são na sua maioria compostas por bicicletas, ou veículos de duas rodas. Mas esta é uma via de carros e tram´s...tive por isso a sorte de apanhar Roger a pedalar pela vida e pela cidade.
É Professor num liceu fora do centro da cidade. É Irlandês mas escolheu Amesterdão como a sua casa...quando conheceu Alice...
Cruzaram-se há 41 anos em Damn Square, numa praça de amor e sonhos, onde os carrósseis rodam com o ritmo da melodia. Voltavam todos os anos...para recordar o instante em cruzaram um olhar fugaz que se tornou eterno. Até que escolheram vir para sempre.
Roger é um romântico desmedido, todos os dias quando volta da faculdade, passa pelo mercado de flores e compra um ramo de flores para Alice.
Hoje ela voltará a receber o ramo...e antes de o colocar na água que o fará perdurar mais um tempo...os seus olhos irão brilhar como no primeiro ramo que recebeu, há mais de 30 anos atrás.
É assim quando o amor vence o tempo e ultrapassa as horas em anos...é assim quando é verdadeiramente eterno.
Abordei Roger e pedi-lhe que hoje levasse uma flor a mais, não de sobra...mas uma flor por mim.
De Amesterdão com Amor...

em Amesterdão, Holanda

Não me esqueço de Catherine...pelo sorriso doce e meigo mas também por ter um jeito que me reportou para os anos 90.
Olhou-me e eu naquele momento...revi-a nas séries que via naquela década. Não lhe conheço uma história, não lhe escrevi a vida...mas sei que ela passou pela minha há quase 20 anos atrás...pelas tardes de matiné ou pelos serões alegres.

em Paris, França

Hesitei sobre a publicação desta fotografia. Porque consegui outras assim, mas não " assim " : quando tudo parece inócuo ou se esbate no reflexo...vejo algo que sobressai de tudo, o local onde me foquei...o OLHAR DE MARIA, os olhos dela são expressão e intensidade. Fogem ao ambiente que a rodeiam, estão focados não sei onde, mas é o olhar dela a essência desta fotografia. A mim marca-me por isso...podia falar dela, mas para quê?...quando ela se exprime com aquele olhar.
E se olharmos mais acima e ainda dentro da janela por onde olha Maria, no canto superior direito...está outro olhar, focado na Maria, pode ter sido um feliz acaso, mas são eles que nos preenchem este momentos.
Dois olhares numa mesma carruagem. É incrível se estivermos atentos ao mundo.

em Amesterdão, Holanda

São estes rostos fortes que me fazem perder no tempo e no espaço, que nunca se repetem e são alma em expressão e força se os observarmos em vez de nos resignarmos apenas a olhar.
É o Van, vive em Amesterdão. É carpinteiro e viciado no jogo há 10 anos. Perdeu tudo o que tinha, 3 casas, uma oficina, os clientes mais prestigiados da cidade, porque ele é realmente um carpinteiro dotado.
E na noite anterior perdeu a mulher e esta perda é irreversível, não pode lançar novamente os dados para a fazer aparecer. As copas são iguais às espadas e tão inúteis como o tempo que perdera agarrado ao jogo por todos estes anos.
Ester, a mulher fiel de Van, que lhe suportou o vicio e nunca o largou nos momentos maus, morrera na véspera.
O mundo de Van vestia-lhe o rosto, o fim tomava-lhe conta da expressão e o ar carregado era acompanhado por um vazio imenso.
Saiu de casa 5 minutos antes, para apanhar ar, mas o pensamento toma-lhe conta de tudo e tem a Ester presente em todos os passos que dá.
Provavelmente daqui a duas semanas vai afogar as mágoas na mesa do casino, mas a Ester levou com ela...mais de metade dele, a boa e má e nenhuma ficha a trará de volta.
De Amesterdão...com mágoa.

em Lisboa, Portugal

Ao tempo...mas ao tempo que uma fotografia não me fazia sentir tão pleno.
Caramba, " saco " logo do coração para traduzir em palavras a forma como a minha alma foi tomada de assalto.
Esta fotografia estava no disco. Hoje peguei-lhe e depois de a editar, rejubilei. Para mim ela tem tudo..porque quem tem "cavalitas" tem tudo.
Foi em Lisboa, era Julho e a atenção era-lhe tomada pelas animações de rua. Por sorte, por olho ou por cuidado...dei-me conta dela, às costas do Pai, o mundo passava-lhe por baixo.
Sentia-se protegida pois o progenitor (3 palavras com " P " de rompante)...levava-a acima dos ombros, porque é assim que carregamos o mundo : aos ombros. Afinal ela é o mundo dele.
Sustive-lhe aqueles segundos numa fotografia que me entra pelo coração e fica.
Oiçam isto e será melhor ainda : RY X - Only

em Paris, França

É a Maria, escondeu o rosto sem que ambos quiséssemos, apenas pela naturalidade da vida. Sentou-se ao meu lado e tenho uma história que é dela para contar...
...um dia.

em Amesterdão, Holanda

Raramente penso, quando escrevo uma fotografia, olho duas vezes e envolvo-me no mundo que retrato naquele momento.
Desta vez, fui buscar Sigur Rós, relaxei por instantes, olhei outros para esta fotografia e ainda me sinto um privilegiado por com ela ter trocado o olhar.
Rosa é uma mulher bonita, de olhar penetrante, como pode ver-se, a cor dos olhos ( de ambos ) é azul, mesmo que eu tenha escolhido o preto e o branco para eternizar um momento que podia ser de qualquer cor.
Um amor vivido a três, pelas " pedaladas " de uma Mãe é totalmente incondicional.
Não se define o amor maternal, as Mães poderão falar disso melhor que eu, mas não tem definição nem sequer se quantifica, é vivido ao extremo, sem limites, sem regras, sem horas, sem datas...com a certeza de que é único.
Foi por isso que enchi o coração na passagem de Rosa, podia ser uma flor mas é uma mulher que se entrega de alma aos filhos, que luta incessantemente para que nada lhes falte e que o maior alimento que lhes dá é amor.
O Pai, quase nunca existiu, partiu depois de ver chegar a responsabilidade.
São o Tom e o Martin, o mundo fez com que nascessem gémeos.
Gostam de passear com a Mãe de bicicleta e ainda fazem pouco mais que isso.
Entre os dois, pedala uma guerreira, feita de mulher, que se dobra na vida para dobrar o seu coração. Que se reparte, por duas vidas que são a mesma.
O olhar que travámos disse-me quem ela era, só quem te encara com ternura, de forma meiga e doce, sem receios e de orgulho vestido...te pode olhar de frente.
A condução exigia cuidados, mas ela teve-os com o olhar meigo, que é igual para toda a gente.
Agarrou-se ao guiador, levando com ela esperança e o futuro nas mãos.
Normalmente um homem tem dificuldades em escrever sobre mulheres...eu tenho apenas respeito e admiração.
Naquele dia verguei-me a Rosa e a um amor que se vive a três, mesmo quando o local é uma bicicleta, o tempo não existe e acção é pedalar.
Descobri então que encontrar poesia na rotina é possível.

em Lisboa, Portugal

A varanda, os cortinados, as cores, a persiana...os objectos, tudo mudou com tempo.
Com a excepção dos sorriso deles, a expressão fácil e contagiante perdura para ambos desde 1925. Sorriem pela vida ainda lhes dar graça, sorriem por troca de sorrisos e sorriem por viverem.
O Joaquim e a Ana conheceram-se em 1942, ambos ajudavam Judeus a entrar em Portugal, ofereciam-lhes um futuro e salvavam-lhes as vidas...por troca de nada.
Acredito que seria por sorrisos, pelas mudanças das expressões, pelos ares derrotados que facilmente se erguiam e davam sinais de esperança, por rostos tristes que davam lugar a rostos alegres.
Isso ainda lhes é intrínseco...e eu pude senti-lo...
O fascínio que tenho pelos idosos é olhado assim, de baixo para cima.
De Lisboa com pessoas felizes.

em Paris, França

Foi no meu fraco Francês que o abordei e foi assim que ele aceitou que o fotografasse.
Era delicado e mais simpático que o habitual, talvez por não ser Francês ou possivelmente por estar em Montmatre, um local diferente do comum, repleto de magia e sorrisos.
Quem não o esboçou foi Fabrizzio, um pintor que trocou Florença por Paris há 30 anos. Pinta rostos de pessoas nas ruas e é um artista dos pés à cabeça.
A expressão do olhar que ele me mostrou é a comum aos artistas, estava num dia mau e não se inibiu em mostrá-lo.
Como foi marcante tê-lo conhecido através do olhar.
Com Fabrizzio de Montmatre.

em Lisboa, Portugal

O melhor da viagem da vida, é quem escolhemos para a fazer connosco...

em Lisboa, Portugal

" Vivo com os meus avós maternos, porque fui abandonada pelos meus Pais à nascença.
Eles escolheram a heroína e deixaram-me a cargo destes, num dos poucos momentos sóbrios após o meu nascimento. Foi assim que por sorte pude sobreviver.
Agora vivo, por mim e por eles. Capto o mundo com os 5 sentidos e agarro-me às coisas boas.
Não tenho vícios, nem bons nem maus, acho que o exagero pode ser preocupante.
Estudo e trabalho, foco-me no meu futuro e no presente dos meus avós...tenho uma divida de " vida " para com eles.
Devo-lhes o primeiro biberon, a primeira vez no jardim zoológico ou no circo. Reconheço gratidão em tudo o que faço e recebo.
Orgulho-me daquilo que quero ser, mesmo que ainda não o tenha feito. "
Com a Sara e a ESPERANÇA...de Lisboa.

em Lisboa, Portugal

É a Christina Gugerell, foi no Rossio que a observei enquanto lia debaixo dos últimos raios de sol daquele dia. Sempre serena e tranquila, franziu os olhos quando me aproximei e como era tremendamente bonita.

em Paris, França

Podia ser um actor de cinema pelo aspecto, mas é apenas Kevin Costner, um Americano desconhecido...

em Paris, França

É o Jean Luc, só porque há sempre um em qualquer local de França. Nem o próprio país seria o mesmo sem um Jean Luc por Apartado. Este é do 74, mesmo ao lado de Paris.
Saiu do Atelier de Arquitectura às 17h e 10 minutos depois passei por ele. É tranquilo, reservado e seguro. É talentoso também e está actualmente a desenhar um parque importante na zona 3 de Paris.
Acenei-lhe, ele não sorriu, apenas olhou e essa foi característica comum a muitos Franceses. A forma snob com que lidam com aqueles que os rodeiam. Não é uma afirmação é um facto. Mesmo assim Jean Luc permitiu-me um tipo de fotografia das que mas gosto de fazer, totalmente : Street.
De Paris com Jean luc.

em Paris, França

É Oliver, com ar distinto e distante.
Não me contentei em vê-lo apenas a 5 metros de mim e abordei-o de mais perto. Só para lhe perceber os pensamentos. E Oliver deixou, estive ao lado dele sem que ele desse conta.
Foi provavelmente a única pessoa que não é mulher, que lhe senti o cheiro e o apreciei. Acredito que 5cl do frasco daquele perfume é o preço de meia assoalhada da casa do Sócrates.
Mas adiante...Oliver é o director de uma das maiores empresas Alemãs sediadas em Paris. Hoje foi despedido e o pensamento ficou naquela reunião das 10 horas da manhã em que recebeu a noticia. Preocupa-o a vida, o futuro e afronta-o não poder exercer a única coisa que provavelmente saberá fazer na vida.
Senti-lhe o ar pesado e os pensamentos que deambularam pelas soluções que não apareceram.
Fiquei triste por lhe ver o semblante, mas fiquei feliz pelos seus dois filhos que finalmente vão poder passar mais que o Natal com o Pai.
Dos Campos Elísios...com Oliver...

em Lisboa, Portugal

A Cheila, com as cores da cidade. Cruzámo-nos naquela tarde, mas não fizemos o mesmo com o olhar.

em Amesterdão, Holanda

Serena é um nome bonito, talvez porque nos remetamos à calma e tranquilidade e era assim que ela se fazia entrar no túnel, deixava a luz para trás e incidia numa passagem breve e serena como ela própria.
Este é o ponto do dia que ela mais gosta, são 70 metros onde ouve música clássica, porque é aqui dentro que está Emy, uma Finlandesa que toca na rua e escolheu um túnel para se poder exprimir da forma que melhor sabe.
Serena aproxima-se de bicicleta e fecha os olhos para que a música lhe guie o caminho e a eleve em espírito, entra no túnel e a alma invade-se ao som de Emy, são aqueles 70 metros de puro prazer mental.
Cruzei-me com ela, sorri-lhe e ela abriu os olhos num instante e fechou-os no outro.
Este é o Pai da Serena.

em Paris, França

Se destaque existisse nas pessoas que fotografo e de quem orgulhosamente faço retratos, o Billy mereceria um lugar distinto.
Vi-o, por diversas vezes. Imaginei-o por outras...
...até que de rompante o tinha ali, a metros de mim. Com o carisma de 10 pessoas juntas e uma presença notável. A atenção era-lhe consumida pelo jornal e as noticias eram a ponte entre Billy e o mundo.
Este é um dos pilares do Arco do Triunfo e talvez por isso me tenha definido ainda mais a curiosidade. Ele encostou-se apenas para ler, numa estrutura que uns sonham ver um dia e outros se vergam a ela quando a contemplam.
Mas a dimensão de Billy é maior, chegou a Paris há 55 anos, veio num barco que trazia com ele outras centenas de pessoas de Guadalupe.
10 anos depois e quase 24 horas de trabalho diárias era dono da empresa de calçado para onde começou a trabalhar quando chegou.
A má gestão ou o deslumbre de quem nunca tinha tido tanto, levaram-no a fechar portas 20 anos depois de colidir com o sucesso.
Hoje e desde esse dia...Billy vive nas ruas, sem dinheiro para comer e desiludido com a vida...é a sobreviver que se " arrasta " por Paris.
Mas há um vicio que não perdera com os sobressaltos da vida...o de estar informado com o mundo que o rodeia. E é por isso que pega nos jornais de outros dias e de outras pessoas e diariamente se informa de um passado e para ele é pressente, ou de um tempo que há-de vir...sem analepse ou prolepse...Apenas guiado pelo desejo da actualidade.
Acerquei-me dele e cumprimentei-o, a memória levara-lhe a noção e os desgostos a orientação, e foi talvez por isso que naquela intermitência remetida para segundos me disse que era : " Billy, o Jornalista redactor do " Le Monde "...guiei-me com ele no sonho e perguntei-lhe pelo que lia e pelos próximos artigos que iria escrever.
Afinal de contas...podemos fazer sonhar os outros...se apenas sonharmos com eles...
Com Billy...um ser humano diferente...do Arco do Triunfo.

em Munique, Alemanha

" Guten tag...", foi desta forma que ela se dirigiu a mim no imediato em que a observei com os olhos e depois com a lente. De sorriso fechado e alguma desconfiança, chegámos ao diálogo. Disse-lhe que tenho por paixão fotografar rostos e não podia desperdiçar o seu, que teria sido uma dádiva momentânea. Expliquei-lhe que parte da viagem que estava a fazer serviria para tentar despir a alma dos Germânicos através da máquina. Ela percebeu, mostrou-se inclusivé surpreendida pela curiosidade que o seu povo despertava em mim e contou-me a sua história.
Margareth tem 73 anos, herdou uma fortuna em dinheiro e património da sua família paterna, já não se deixa tocar facilmente por emoções e gosta de estar sempre apresentável. Conheceu o seu marido há 50 anos atrás, ele vinha da guerra e ela vinha do mercado, cruzaram-se numa praça central de Munique e largaram-se há meio ano, quando ele partiu, para sempre. Vive amargurada desde então, divide-se entre cerimónias familiares e a solidão.
Eu dei-lhe algo que não tinha há algum tempo: atenção. Fomos beber café, falámos sobre literatura e em nenhum momento me esboçou um sorriso maior do que a expressão que detém nesta fotografia. Perguntei-lhe pelos filhos que nunca teve e intervalei-lhe o tempo com histórias e pensamentos.
Beijei-lhe a mão na despedida, senti que seria nobre da minha parte, foi então que ela sorriu. Auf Wiedersehen Margareth foram as últimas palavras, o sorriso caiu-lhe e o rosto impenetrável,carregado, austero e imperial voltou.

em Amesterdão, Holanda

Eu gosto demasiado de fotografar pessoas e destes momentos em que elas estão alheadas do mundo e eu me cruzo nesses instantes.
Vi a Elisa a uns bons metros de distância, estava só, naquele banco, ou talvez nem estivesse tão só porque o telemóvel interligava-a ao mundo durante aquele tempo.
Coloquei-me atrás de uma árvore e fotografei-a, enquanto ela fazia um cigarro de enrolar e mexia no telemóvel.
Tudo o que se passou depois disto é bem real.
Fotografei-a, saí dali e encontrei outras pessoas e paisagens, a Elisa tinha ficado no tempo em que a deixara.
...pensava eu, porque algum tempo depois ouvi alguém gritar, olhei para trás e vinha Elisa a correr, chegou perto de mim sem fôlego e perguntou-me num Espanhol / Italiano se a havia fotografado. Fiquei atrapalhado e na realidade de imediato não me lembrei dela, disse-lhe que achava que não e ela foi-se embora, de semblante desanimado, calculo que a corrida tenha sido longa e dura.
Era a primeira mulher que literalmente corria atrás de mim e...em ruas de Amesterdão.
Virámos costas e pensei um pouco, eu já a tinha visto, mas depois dela já tinha visto dezenas de pessoas.
Felizmente ocorreu-me : "...porra Marcos, esta é a miúda que estava sozinha..."...
Desanimei também, ela só queria as fotos que eu tinha tirado, queria pedaços dela numa cidade que conhecia de forma solitária.
Disse ao Marcos que queria voltar ao local onde estava aquele banco, algo me dizia que ela ainda podia estar lá, ele insistia que era impossível, que já tinha ido embora, mas a persistência levou-me lá...e bem.
A escassos metros vi a Elisa e de imediato os semblantes tristes foram trocados por um sorriso.
Expliquei-lhe o sucedido e mostrei-lhe as fotografias, trocámos contactos e ainda hoje nos contactamos.
A Elisa é Italiana, vive em Roma, mas nasceu em Florença. Passeou por Amesterdão e ainda passou em Bruxelas antes de voltar a Roma. Durante esse tempo todo, eu e o Marcos ainda permanecemos em Amesterdão.
Mas a Elisa passou a fazer parte daquela viagem.
Despedi-me dela com um sorriso e um : "...arrivederci Elisa..."
Todos estes factos são reais.
De Amesterdão com a Elisa...

em Lisboa, Portugal

Seduziu-me por duas vezes, com os lábios e o olhar, é a Cátia com sedução e em tons...de Lisboa.

em Lisboa, Portugal

São o Joe e a Claire numa pausa para amar, assim em silêncio.

em Lisboa, Portugal

Fotografei a Luisa Sousa, pelo Terreiro do Paço, uma rapariga discreta mas atenta, ela disse-me isto sobre Lisboa :
"...Já consigo ignorar os aviões todos e os trajectos que tenho de fazer para chegar a um sítio.. já consigo chegar e apreciar o que queria. Ir à beira Tejo, seja em Belém, nas Docas ou no Terreiro. Ter sempre um miradouro para escolher. Ruas típicas e com arquitecturas catitas que já não se fazem. Os azulejos!! O Museu deles...os por de sol...ou os passeios de fim de dia com a vida que anda nas ruas.
Passeios com vida ou uma cerveja ou outra no Arco.
Lisboa tem encanto e montes de recantos!! A verdade é essa. Ando sempre com a cabeça no ar, literalmente. Gosto dos pormenores smile emotion...";
E o " smile emotion " está ali a mais, mas achei que lhe ia dar alguma piada.
Eu também gosto de pormenores, e foi por isso que vi a Luisa no Terreiro do Paço, segundos antes de dar um beijo apaixonado e minutos depois de fotografar o pôr do sol.
Mas vi também a Grace, a Irlandesa que conduz esta vespa e sorriu para mim...em rasgos de segundos.
A Luisa será uma das próximas fotografias.
A Grace melhorou o meu dia e mostrou-me como podemos sorrir de forma milimétrica de uma acelera...

em Lisboa, Portugal

É a Ariane Bille, inicialmente de rosto fechado, fotografei-a a medo, mas de rompante abriu um sorriso em vários, prestou-se como nunca antes.
Vinha de mãos dadas com o namorado e ele disse-me que ela gosta de ser fotografada mas ele não. Eu respeitei. Ele é Português e ela uma Alemã de Berlim que vive em Lisboa.
Ele puxava-a pela mão enquanto eu me despedia dela. Interrompi-lhes o amor por momentos para que ele se unisse novamente num abraço terno, que eu fotografei.
De Lisboa com Ariane, a Alemã simpática que levava amor nas mãos.

em Piódão, Portugal

- " ...olá minha Senhora, posso tirar-lhe uma fotografia?".
- "A mim? já estou velha, encontra coisas melhores..."
- "Como? velho estou eu, a Senhora está para as curvas, sorri com o olhar e tem voz de menina..."
3 gargalhadas depois, soltei o shutter.
Visualizei naquele momento esta fotografia assim, a preto e branco (apesar de não ser fã do p&b).
Conversámos mais um pouco, a Dona Rosa ocupa-se da capela do Piódão e eu ocupei-me da abordagem.
Deu certo, eu saí com ar de galã e a Dona Rosa com ar de menina envaidecida.
Tenho um gosto especial pelos idosos, são sábios, pacientes e cordiais. Coisa rara hoje em dia.
- "Até mais, Dona Rosa..." ;
- "Adeus menino ".

em Amesterdão, Holanda

Gosto do campo como ninguém, das paisagens que se " vêm " pelo som das cigarras, mas aos poucos e à medida que fui viajando mais ganhei o fascínio pela fotografia de cidade ( Street Photography ), pelas pessoas que a compõem, pelo quotidiano. Pelo Médico que apanha o metro e chega atrasado, ou pelo músico de rua que se cruza todos os dias com a Arquitecta com quem vai casar, mas ainda nem reparou que se cruza com ela há uma década num mesmo horário. Gosto da agitação ou da solidão acompanhada.
10h00 am - Havia chegado a Amesterdão, tinha tirado a máquina da mochila hà 3 fotografias atrás, ainda me familiarizava com o local, observava os sons e ouvia o que tinha diante dos olhos.
Na plataforma de cá estou eu e uma linha férrea depois são o : Jack, a Anne, a Julie e o Tom.
Podiam ser uma família, podiam estar de partida ou de chegada, podiam ser Mãe, Pai, Filha e Cão de uma família feliz com bases assentes.
Mas ao invés disso, nenhum deles se conhece, aposto inclusivé que ainda nenhum deles se apercebeu da presença dos outros.
Comecemos por Anne e porque as Senhoras merecem a distinção, é Mãe de 3 filhos e avó de 7 netos, espera pelo comboio que a leva diariamente a casa de um dos filhos para cuidar de 2 netos, espera o comboio enquanto o pensamento lhe foge para ontem. Perdera Jim, o seu gato e recuperava a expressão quando olhou para Tom...ele fez com que recuasse num tempo que não voltará. É contida e segura, preserva a família e os netos ensinam-na a viver todos os dias.
Jack está ao seu lado e curiosamente olham num mesmo sentido, talvez pela sintonia de um acaso. Jack leva Tom ao veterinário, está fraco e doente há dias e tem consulta pelas 11 horas. Está preocupado com o estado de saúde do seu único amigo.
A Julie não esconde um semblante carregado de tristeza. Olha para o telemóvel, e fà-lo pela enésima vez hoje. Há 16 horas atrás o marido deixou-a. Trocou a carreira pela família e levou da Julie o coração e o sorriso. Ela ainda não descobriu mas o tempo vai ser para ela aquilo que Tom é para o Jack.
3 vidas que coabitam nos mesmos metros quadrados, sem que exista ligação para além da proximidade física. Durante estes largos minutos, os 3 não se olharam e Tom virou-lhes o focinho. A vida constituiu-lhes os rosto.
Eu estive do lado de cá, entrelacei-os na minha memória e num retrato que poda ser familiar.
As vidas cruzadas não têm morada ou telefone fixo, mas existem e vivem-se como aqui, numa estação de Amesterdão.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Esta foto fica mesmo bem a preto e branco, foi por isso que a decidi colocar a cores. Tirei a saturação dos tempos de hoje e descolori-a com a dos tempos de ontem.
As vestes são assim, gastas pelo tempo... e vestidas por crianças repletas dele, vida e talento.
São então dois meninos que pertencem a um mini - rancho ( inventei isto agora ) e durante uma actuação em que exibiam as danças de outras épocas, a menina parou para " ajeitar " as meias, provavelmente incomodariam a dança, foi nesse instante que o menino cavalheiro se acercou oferecendo auxilio, num gesto preocupado e atento.
O galanteio é das coisas mais bonitas a existir, quando ele é praticado numa faixa etária abaixo dos 6 anos, é de encantamento puro, é genuinidade plena. É raro, precioso e emocionante.
Foi assim que eles me partiram o coração no sábado. A meia, ficou no sitio, várias tentativas depois...e antes: do abraço.
Com amor puro...

em Amesterdão, Holanda

Isabela é nome de artista, mas aqui ela é só uma bibliotecária que deixou Roma há 5 anos para organizar a biblioteca central de Amesterdão.
Adaptou-se à cidade com a mesma capacidade com que cataloga as estantes da biblioteca.
Escreve nas suas pausas e tem um ar distinto e sóbrio, pouco comum em District Line, o local onde vive, num rés - do - chão com pouco espaço mas muitos livros.
Falei-lhe do meu gosto por escrever, cruzámos experiências sem que uma virgula nos interrompesse e a exclamação tomou conta da nossa pontuação, sempre com um ar de interrogação, questionei-a acerca dos hábitos e da vida numa cidade que também eu já sentia minha.
Colocámos um ponto final na conversa, duas horas depois de muitas expressões, emoções e risos, sem que os parêntesis nos ocultassem as emoções.
Ainda vivo a gargalhada da Isabela, quando lhe disse pouco antes de vir, que o que me incomoda numa biblioteca é o pó das estantes que vivem inertes no tempo.
Não me esqueço dela, nem da forma como se passeou assim até casa, prostrada na sua bicicleta.
Não tenho dúvidas que abrimos uma página, naquela tarde...

em Lisboa, Portugal

Foi na baixa, podiam ser um casal vulgar, que escondiam os olhos do sol...podiam ser um casal de turistas, ou Portugueses discretos. Podiam apenas passar...
...se não lhes visse o entrelaçar de mãos. O Amor num nó do tamanho de cada extremidade.
Senti-lhes a força e o sentimento numa junção simétrica.
O carpo, o metacarpo e os dedos deram lugar a um amor com 4 décadas e histórias que se perdem pela vida...mas que ficam no coração.

em Amesterdão, Holanda

Cada vez que viajo tento incessantemente procurar o invulgar, desta vez estava numa janela de um 7º piso.
É o Richard, um Americano que escolheu Amesterdão para viver há quase uma década. É artista plástico na vida e curioso nas horas livres. É viciado em Winkipédia, é lá que se esclarece acerca de tudo.
É disciplinado e determinado.
Pretende voltar à Califórnia, mas por enquanto saboreia a vida de uma cidade que lhe enche a alma, simplesmente porque nela faz o não pode fazer noutra parte do mundo.
Depois deste instante, desceu ao rés - do - chão e no snack bar do lado comprou a sandes que foi o seu almoço.
Agradeço-lhe por me ter alimentado a mim também, os momentos em que o envolvi com a minha câmara.

em Lisboa, Portugal

Ainda não fiz nada de jeito por Lisboa, porque contratei esta rapariga para minha assistente. Leva-me a mochila, troca-me as lentes, compõe as sardinhas no prato para eu as retratar...e faz-me rir mais que o Bruno Nogueira e o Ricardo A. Pereira juntos.
Goza com as pessoas todas, menos com os coxos porque tem medo de partir o pé.
Dá gargalhadas sem receio de não ser chique e no meio disto tudo...não nos sobram 5 minutos para eu tirar pelo menos umas 10 fotografias.
Mesmo assim, ontem...tirei-lhe esta : coloquei-lhe Alfama dentro da retina e fiz-lhe das sardas algumas centenas boas de colinas.
Esta é " Metade Leti "...
...nem imaginam como é a outra metade...

em Amesterdão, Holanda

Sam e Eric, são amigos há menos de 3 dias e conhecidos há outros tantos. Sam veio do Alabama na América para estudar Contabilidade em Amesterdão. Já fumou legalmente para cima de 10 cigarros destes por dia. É a primeira vez que está na Europa e disse-me que pretende ficar. Tem o sotaque tipicamente Americano e demos um trago do mesmo " cigarro ".
O Eric tem traços Asiáticos, o Pai é Japonês, mas a Mãe Finlandesa e foi em Helsínquia que viveu os 23 anos anteriores da sua vida. Tem fumado menos que Sam, mas tem bebido mais.
Disse-lhe que não tardava se tinham esquecido que o propósito de ali estarem era para estudarem e eles concordaram comigo, salientando que iam lutar incessantemente contra os vícios fáceis.
Demos um abraço na despedida e apertámos a mão ao unicórnio, não os voltei a ver, mas ficaram com o meu contacto. Oxalá que estejam lúcidos para perceberem estas linhas em Português.
Com dois bons rapazes de uma cidade incrível.

em Lisboa, Portugal

" Saí de Cabo Verde com 7 anos, trago na memória pedaços de uma vida em que passávamos alguma miséria.
Eram tempos difíceis, o meu Pai saía com 3 dos meus irmãos para o alto mar, a pesca era o sustento da família e da vila onde vivíamos. Na maior parte das vezes vinham de mãos vazias.
A minha Mãe saiu de Cabo Verde comigo, eram vésperas de Natal e passámos a noite de 24 ao relento em Lisboa. Lembro-me do nariz gelado e das maçãs do rosto dormentes, pelo frio que se fazia sentir. A maior parte dos lares tinha as lareiras acesas e os corações quentes, as árvores de natal carregadas de presentes e eu só me lembro do cheiro a pipocas, que saía de um carrinho ambulante a poucos metros da caixa de cartão onde estávamos, do frio que nos gelava o corpo todo e da fome que só passou 3 dias depois, quando um Tio que tínhamos no Barreiro nos veio buscar para a casa dele.
Depois desses dias, passei a ser feliz com menos do que era...e já era pouco. A ouvir o coração e a rodear-me de gente de bem.
Foi assim que conheci o Gil, o Pai do meu único filho, mas o homem com quem quero ter muitos mais.
Nessa noite que mudou as nossas vidas, lembro-me da cor do carrinho ambulante, era a azul, um azul bonito, daqueles que nos fazem ver o céu sem para ele olharmos...".
Com ela...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

A Benvinda e o Francisco, são amigos há nove décadas. Como sempre, primeiro as Senhoras, Benvinda tem 92 anos e o Francisco 90. No intervalo desta amizade já caiu um muro em Berlim, já houve uma 2ª Guerra mundial, já eles próprios viveram uma ditadura e presenciaram inúmeras. Pelo meio nasceram, morreram e sobretudo viveram milhares de pessoas. Conquistámos e depois perdemos umas colónias em África. Benvinda é uma contadora de histórias e Francisco só não as conta como também as escreve. Sei e garantido por eles, que durante estes 90 anos, houve um momento que nunca tinha acontecido: este, os dois de dedo em riste a meio de uma história. Creio que há momentos que se eternizam, este será um deles.
Não há muito tempo Zuckerberg criou uma rede social onde nos é permitido pôr fotografias e as deles também. Não pronunciam bem o nome deste meio de contacto entre pessoas mas conhecem-no e até o apreciam.
Neste intervalo Ennio Morricone também fez esta música, foi com ela que revivi esta fotografia e escrevi isto.

em Lisboa, Portugal

A Caroline está de frente para o sol num dos maiores miradouros de Lisboa, os raios entram-lhe pelas mãos e pelo coração...

em Paris, França

O metro de Paris é dos locais onde hoje em dia a insegurança parece amedrontar quem passa. Mas Jasmine tem que fazer diariamente uma travessia de 50 minutos por baixo de terra...em paz com ele e com a música que ouve.

em Lisboa, Portugal

O Carlos raramente tem pausa para almoçar. É gestor de contas grandes no Novo Banco. Hoje teve e saiu com a cabeça nos números.
Este era o 3º cigarro naqueles 400 metros que o levaram da agência onde trabalha ao restaurante. Alheado do mundo que se vive cá fora, deu conta de mim...porque lhe tapei o caminho, como mostrarei numa das próximas fotografias.
A Inês, a Mafalda e a Cristiana já não têm um momento a sós com o Carlos, o Pai, desde que nasceram...e ele ainda não se apercebeu disso.
Senti-lhe a tensão e levei com o fumo.

em Fundão, Portugal

O amor é assim, incondicional, sem barreiras sem limites. Vive-se e sente-se. Existem almas gémeas, eles são a prova disso.
São o Francisco e a Ju. Ele é meu irmão, ela é a mulher com quem ele partilha o coração há quase uma década.
Neste dia vi-os bem vestidos ( como sempre ) e sorridentes ( como nunca )...numa passadeira que não é vermelha, mas que parece levá-los ao cume...ao cume do seu amor.

em Lisboa, Portugal

É a Simone, tem traços de artista e um rosto expressivo. A pele é branca e coberta por muitos sinais e o estilo é peculiar.
Está de férias em Portugal mas é de Toscana, uma região Italiana. É a 7ª vez que visita Portugal e diz que nunca se cansa, nem da comida, nem das pessoas, nem das paisagens. Descobre sempre coisas novas e motivos diferentes para voltar.
Observei-a ao longe, esperei que ela ficasse mais perto de mim e dei-lhe um novo motivo para voltar ( pelo menos foi isto que lhe disse na despedida...e ela sorriu e depois riu )...
A Simone foi um instante suave e harmonioso.

em Lisboa, Portugal

Volto a falar de amor, porque me cruzei com ele novamente.
Quando o mundo circulava a um ritmo normal : o carteiro corria com uma embalagem na mão, uma senhora com um carrinho de bébé atravessava a passadeira, um Turco olhava para o mapa a fim de perceber onde se encontrava e 3 ou 4 pessoas distraiam-se entre o telemóvel e o tempo. Foi nesse instante que os vi...
...ela veio de cima e ele acercou-se de baixo, o sorriso alargava-se, os passos também, a arritmia de ambos sentia-se deste lado da estrada e sem que nenhuma palavra dissessem, foi assim que se envolveram num abraço precedido por um olhar que parecia não ter fim.
São " ela " e " ele "...ali para os lados do " Amor ".

em Salzburgo, Áustria

Joanna com dois " n ", porque os seus pais assim entenderam. Podia ser Joana de Áustria, Princesa de Portugal. Mas este é o seu nome.
Podia ser a herdeira de uma fortuna incálculavel, em bens e em dinheiro, mas resolveu dedicar-se ao ensino. Foi 4 décadas Professora de Alemão em Insbruck, mas hoje vive em Salzburgo.
Olha as pessoas de frente e eu senti isso na pele. Mantém a postura e a altivez de sempre e o olhar sombrio como nunca. A solidão tomou-lhe conta da expressão e o sorriso foi-se com o tempo e com a companhia de sempre, Louis.
Encontrei-a num dos passeios diários em que alivia a alma da dor e a transforma em calma e perseverança.
Disse: " Hello...", ela respondeu-me assim...

em Lisboa, Portugal

Tem ar de Condessa e podia sê-lo certamente. O glamour acompanha-a com a idade e o requinte com o jeito.
É a Dona Maria Manuela ou a Manecas para os mais próximos. Não é só " Dona da Maria " como é dona de uma simpatia enorme, de uma voz pausada e altiva e de uma capcidade de dialogar tremenda.
A Dona Manecas é daquelas pessoas que te conquistam de imediato, podes estar atrasado mas tens que gastar algum tempo junto dela, porque ele te cativa e te enriquece. Porque tem uma história para contar a cada episódio. Porque é vivida, porque é dotada de conhecimento e experiência e é uma mulher independente.
Senti-a também bondosa, na hora de apreciar o que fazia, de me querer comprar o trabalho e grata...ela ficou grata de me conhecer, quando foi ela a única dádiva daquela tarde...em Campo de Ourique.
Com a Dona Manecas e o seu maior vício...de Lisboa.

em Lisboa, Portugal

Sentei-me novamente a apreciar um chão que me cativava pela diferença...em comunhão com o mundo que o rodeava.
...e passou o Xavier, levava pressa com ele e uma pasta com documentos.
Ele trabalha num banco 10 metros mais à frente, num dos que ainda não faliu.
Acenei-lhe com números e senti-lhe a firmeza de um pensamento que estava muito longe dali.

em Lisboa, Portugal

Não gosto de tratar as pessoas por : " Senhor " ou " Senhora ", porque acho que nos distancia severamente da pessoa, porque estamos de imediato a criar barreiras de contacto e porque somos todos iguais. Ou quase todos iguais...porque os idosos são menos iguais, esses merecem papel de destaque, porque chagaram primeiro, abriram as cancelas para que hoje pudéssemos ter a maior parte das coisas que temos, conquistaram privilégios que hoje nos são adquiridos e sofreram ou lutaram.
Acredito que muito do que temos foi semeado por eles, acredito nisso e na sapiência deles, sabem mais que nós, nem que seja pela experiência.
Caramba como eu gosto de ouvir um " velhote " ( e este termo nem é depreciativo, porque se eu sou um jovem, um velhote é mesmo um velhote. )...mas gosto mesmo, ás vezes perco-me nas histórias, sinto-lhes as palavras.
Este é o Senhor Francisco, porque a idade é para mim o único posto que nos faz Senhores, estive pouco tempo com ele. Mas " corri " a selva do norte de Angola, descobri numa savana uma tribo que tinha armas fretadas pela FNLA, vi-o matar um leão com uma carabina só porque se sentia ameaçado e entrei com ele numa tasca em Luanda onde conheceu Juliana, a mulher que o acompanha desde então.
Entrei naquelas histórias como entro sempre, vivo-as como se fossem minhas e espero sempre por finais felizes.
Foi um prazer ter parado no tempo com o Sr. Francisco, pela cordialidade, pela simpatia, pelas histórias, por gostar de falar...e eu gostar de ouvir.
É por isto que Lisboa me conquistou como nunca, porque desta vez para além da cidade...entrei na alma das pessoas.

em Paris, França

Sou fascinado por fotografar pessoas, em momentos que são apenas deles, alheados do mundo, daquilo que os rodeia. Imbuídos num pensamento longe da presença física.
Pessoas com expressões, pessoas diferentes. Rostos que falem sem dizer uma palavra.
Foi assim que vi Pierre, em Montmatre, o bairro que mais me cativou em Paris.
Ele não estava ali, o pensamento varria-lhe o momento e isolava-o do quotidiano.
Perdeu a mulher, a filha e o gosto pela arte e por pintar fugiu-lhe com as perdas, assim como a inspiração e a felicidade.
Falei com ele e debaixo de um rosto sombrio, está um homem de carácter, que apesar das adversidades, tenta viver...em vez de se remeter à sobrevivência.
Senti-lhe no momento da fotografia o rosto sofrido e levado pelas perdas duras de uma vida trágica.
Mas o Pierre é marcante e não foi apenas mais uma pessoa que fotografei, nem sequer foi um encontro fugaz, o Pierre sobrevive na minha memória...

em Paris, França

"...sabe Marco, saí do Canadá, porque morava numa cidade pequena, sofria maus tratos do meu marido e sentia-me angustiada. Era uma sobrevivência alienada à submissão.
Lembro-me que foi num dia depois do de Natal que tomei uma decisão. Comprei o bilhete de ida sem volta para Paris. Já conhecia a cidade, pelos filmes e porque sempre fantasiei viver na Europa.
Despedi-me dos meus Pais e parti para uma vida que me dá mais equilibrio, valor e onde me sinto mais independente e feliz.
Não foi fácil e ainda não o é. Mas os meus olhos brilham com mais intensidade, acredito num futuro que perdera com o passado e as energias passaram a existir e são boas. Consigo respirar sem que isso implique incomodar os outros.
Voltei a casar, redescobri o amor na cidade dele e quero ter um filho. Sou artista plástica e tenho o meu próprio atelier.
Aos poucos reconquisto uma felicidade que partiu na minha infância ".
- " Mary posso fotografar-lhe a expressão ? "
" Mas é claro que sim, Marco ".
De Paris com uma segunda oportunidade de vida.

em Paris, França

Junto ao Moulin Rouge...uma cidade que não pára...enquanto mundo corre decorre a um ritmo alucinante.

Paisagens

Com ou sem horizonte, é aqui que podemos ser felizes se nos resignarmos apenas a olhar.

em Serra da Estrela, Portugal

A Serra da Estrela e os tons diferentes e bonitos do Outono.

em Cabeço do Pião, Portugal

Hoje voltei ao Rio. Escolhi uma hora complicada, por causa da luz. Mas no outro dia reparei que quando o sol batia na água, fazia um reflexo de tal forma intenso que saía do rio naquele imediato e se esbatia em qualquer sítio.
Uma espécie de " ricochete " com o sol (sempre quis dizer isto). Parecia mágico, mesmo que a hora não o fosse. Aquele jogo de luzes encandeou-me o coração e hoje levei este propósito, com o sentido de receber os raios na ponte.
...e saí de lá assim.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Tenho uma relação peculiar com poças de água e não é porque gosto de rebolar na lama. É porque se pode ver o mundo atrás delas...reflectido.
Tenho já uma ligação estreita com esta, fruto das vezes em que lhe passo com as rodas da mota e ela me salpica na integra. Esta tarde passei novamente por lá e antes de arriscar mais um número enlameado, parei e cruzei o olhar e o coração com as cores do sol a pôr-se que pareciam incendiar tudo o que me rodeava.
Foi inebriante...

em Manteigas, Portugal

Um ouriço não cacheiro no meio do Outono

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

A minha Aldeia está desertificada, é assim que estão hoje a maioria das Aldeias. A gente vai-se embora, deixa a roupa que já não usa, as coisas que já não utiliza e as raízes.
Levam a essência, as tradições, a peculiaridade única de união ou os costumes.
Deixam o sol também.
Hoje resta-lhe as marcas, alguns canos com o fumo que sai das lareiras, pouco, o mesmo céu azul quando os dias são bons. Ar puro que oxigenaria mais de 100 cidades, memórias, uma natureza que teima em resistir às vicissitudes e que envolve a Aldeia toda, como se fizesse um arco verde pleno em pulmão e a tranquilidade só interrompida pelo chilrear de uma cotovia que colide com o do cuco. Permanece também a essência. Ou o corredor aéreo que trás e leva gente em milhas. E sol que nunca se foi.
Mas mesmo assim a Aldeia perde gente que emigra ou que se "vai", a população envelhecida é cada vez maior, e tenho uma página onde falo apenas sobre ela...e é nela que ultimamente faço mais de necrológio que de fazedor de sonhos.
Mesmo assim...teimo em subir ao alto apenas para ver esse fumo sair das chaminés ou o sol que pousa suavemente os raios como se fossem as pessoas que partiram mas que nunca foram.
E espero sempre que os sonhos se construam daqui com a ajuda dos raios de sol que trazem parte de todos.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Os trilhos de ontem, a vegetação de amanhã e um céu como nunca...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Foi ontem, contrariei os limites e os desejos da lua e virei-me para um lado oposto. Dediquei-me a um verde imenso, vi corsos, doninhas, raposas, furões, coelhos, águias, vi um colibri, várias formigas, ouvi os grilos e as cigarras, senti o som de um pica-pau que fazia um ninho num tronco e acenei a uma família de javalis.
Nenhum deles é um animal selvagem e é por isso que têm o seu habitat natural aqui, a 5 minutos da minha Aldeia...se formos a pé, porque de mota consigo fazer o caminho numa boa meia hora, porque páro uma vez ou páro mil, depende do acaso que a natureza me proporciona.
Ontem parei ao chegar aqui, quis cumprimentar cordialmente um castor que anda a tratar do dique na minha propriedade, saudá-lo pelo trabalho e pedir-lhe uns ajustes no orçamento, estivemos minutos à conversa e foi ele que me alertou :
"...Marco, já olhaste para a frente? "...
...olhei e era assim, algures diante do que os vossos olhos avistam fica o local de que tanto falo, o rio que se tornou no meu local secreto e o poiso que é quase meu, pela inacessibilidade do local e desconhecimento do restante (e ainda bem).
Paguei aos castor em dólares, porque ele vai ter uma obra no Canadá na semana que vem e precisou do câmbio, não me custou facilitar-lhe a vida, temos que ser uns para os outros - disse-lhe.
Já Platão dizia : " Felizes daqueles que conseguem falar com os animais ", ou se calhar inventei eu isto agora.
Eram 21 horas e olhei minutos a fio, sou rendido a paisagens, sou perdido pela natureza e lamentava-me pela crueldade de quem consegue queimar este pulmão de oxigénio, apenas porque sim.
Mas mudei de pensamento e aproveitei o ar puro que chegava ao sabor da vida.
Se olharmos com o coração, se sentirmos com os olhos e se abrirmos a alma, é possível sermos infelizes aqui?
Sorri e dei gargalhadas com a resposta que acompanhou o meu pensamento.
Agradeço por ser um privilegiado a dois passos de casa e apenas por ter um horizonte...verde, azul, às vezes laranja e outras vezes multicolor.
Com ar puro para dar, vender ou alugar...da natureza para o mundo...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

A ausência da máquina mexeu comigo mais que eu imaginara. Empreguei então o tempo a descobrir novos lugares para os fotografar mal ela chegasse.
Ela chegou e com ela veio a febre. Hoje não pude mais controlar o que me move, ainda febril peguei na câmara e fui fotografar.
Entre outras coisas trouxe comigo este pôr do sol que não trocava por coisa alguma neste momento.
Hoje vivi um reencontro impressionante com as paisagens e vi o sol pousar lentamente. Ainda estou inebriado...mas feliz.

em Quarteira, Portugal

O cais, com os pescadores, mas acima de tudo com os reflexos na água.
Perdi-me nas cores e na envolvência de uma lota firme no trabalho duro do mar.
Apeteceu-me pegar num barco e lançar as redes ao mar, puxá-las depois e com elas vir uma sereia, com a cara da Julia Belard e as barbatanas de uma arraia bonita.
Vim de lá a saber que um frade-de-rabo-de-andorinha não se dá com um Esturjão. É difícil perceber esta incompatibilidade, quando deveria existir harmonia no mar.
Do capitão : MG

em Pampilhosa da Serra, Portugal

A Luz
Pode tornar-se tudo mágico se tivermos a luz a nosso favor, se a hora for dourada e se nos alinharmos nessa sintonia luminosa.
Esta é daquelas que não se desliga no interruptor...dura até as montanhas a interromperem ou a intervalarem por raios, aquece o coração e faz-nos fechar os olhos pela intensidade.
Pode ser vista e sentida, por vezes resvala na alma, também nos ofusca mas é inesgotável em energia...boa.

em Serra da Estrela, Portugal

Num dia de verão...como tantos outros...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Como é que se explica isto?
...a estrada parece não tem fim e na realidade poucos a conhecem, além da fauna que por aqui vive e mais meia dúzia como eu.
Anoitecia e o sol transformava o céu numa palete de cores.
O silêncio tomou conta daqueles minutos e o coração também.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Tirei esta fotografia num final de tarde de Julho.
Esqueci-me dela no disco, só no outro dia me apercebi que existem coisas assim :
ÚNICAS.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

É um dos caminhos mais felizes que apanho, sempre que quero estar só, tranquilo e pensar.
Sempre que procuro o meu local mágico, ou sempre que me vou certificar das obras nos diques feitas pelos castores.
Neste dia, tinha cores especiais.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Hoje fui fotografar o nascer do sol, saí de casa ainda de noite e a estrada que tomei para o encontro dele, foi esta.
Sentei-me aqui à espera que ele brotasse das montanhas e arRISCASei-me a levar com um pesado de mercadorias, felizmente o motorista buzinou para eu me levantar e fiz de conta que tinha caído para não parecer tão mal, mesmo que nunca tenha tido jeito para coxear.
A sensação da estrada a perder-se da vida é igual ao infinito e aquilo foi momentaneamente mágico.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Vinha de fotografar lugares abandonados e caramba como adorei a experiência. Mal o tinha feito, mas aqueles lugares com história são inexplicáveis. Descobri atrás de cada cortina de pó, algo que me transcendia e me catapultava dali para outro lado, vivi o mistério em larga plenitude e recuei décadas.
Mas...
...mas eu sei que não é ali que me sinto pleno, cheio e que não consigo rasgos de genialidade.
Foi por isso que hoje ao final do dia peguei na câmara e fui ao sol, senti-lhe cada raio como fosse tacto. Apurei os sentidos e deixei-me levar em curvas e contra curvas até chegar à recta que me corroeu a alma.
É mágico ser a barreira entre o céu e a terra, poder ver a luz a bater nas árvores e resvalar para o asfalto. Gargalhei sozinho (porque são assim os loucos).
É aqui que tenho orgasmos visuais que perduram como se o olhar fosse tântrico.
Da minha Aldeia para o mundo...

em Azenhas do Mar, Portugal

Tenho um fascínio enorme por Cinque Terre em Itália de tal forma que o estou para concretizar. Mas havia um local em Portugal que nunca tinha visitado e me reportava sempre para aquele canto transalpino; ...eram as Azenhas do Mar.
Pela cor, pela luz, por parecer um presépio num colina virada para o mar e também pelo próprio mar.
Guardava expectativas enormes por este recanto e não fui defraudado. É mágico.
Intenso e mágico. Com um céu revirado pelos Deuses e luzes que pareciam piscar ao ritmo da música como se apenas lhes faltasse um pinheiro de natal.
Foi aqui que conheci o Serguei, filho de Pai Russo e Mãe Alemã, é fotógrafo profissional e depois de um ano na ilha do Pico nos Açores, veio há 13 anos para aqui...fotografar e viver ou vice versa. O Serguei é sábio, além do dom tem a técnica no olhar...ensinou-me, deu-me conselhos que humildemente acolhi...até porque Serguei tem a experiência e um percurso bem mais vasto. Em troca prometi-lhe um aventura pela Serra da Estrela.
Despedimo-nos com um abraço, porque eu não faço conhecidos, esqueço-me e faço logo amigos...
Das Azenhas do Mar com deslumbre e fascínio...
...eram umas 10h da noite...

em Neuchatel, Suiça

Lembrei-me logo de D.Sebastião e pus os óculos, não fosse a miopia contrariar aquele acaso.
Mas não apareceu, passaram 2 Seat´s e uma moto4. Nada do homem que há tantos anos anda para aparecer assim.
O nevoeiro é sempre remetido para o Rei que um dia nos deixou numa batalha, embora optasse que para sair algo dali...que fosse ao menos a Gisele Bündchen.

em Vila Velha de Ródão, Portugal

Entre o dia e a noite. Com um rasto de avião e cores a perder de vista.

em Sortelha, Portugal

As nuvens parecem vir das trevas e o dia parece coberto por um sol escondido.
O resto é o espaço termal das Aguas Radium, danificado pelo tempo ou inerte, para os lados de Sabugal.

em Serra da Estrela, Portugal

Um sítio bonito, de todos os tons, onde nos percamos e seria fascinante viver : É aqui.

em Neuchatel, Suiça

Talvez por ser de uma Aldeia, sou viciado em bosques e casas nas árvores. Gosto do Peter Pan e de contos.
Mas foi na Suiça, perto dos Alpes que no ano passado consegui acercar-me mais a sério da realidade.
Era uma floresta densa e o nevoeiro impedia-me de ver os trilhos que são caminho...as cores eram estas, vi o lobo mau atrás de uma das árvores e quase que juro que o Capuchinho vermelho espreitou lá do fundo...
...é mágico quando nos sentimos em sítios assim.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

É dos locais mais bonitos da minha Aldeia e dito assim parece arriscado, mas se explicar que bate o sol aqui somente nas primeiras 4 ou 5 horas do dia e depois não bate mais, ainda é mais incrível. Como é que um local com pouco sol pode ser dos mais bonitos?
Porque o sol dá lugar à vegetação, o verde substitui o seco e o cultivo é anual. Não é sazonal.
Chama-se Fontaínhas. Nunca percebi porquê, talvez pela excesso de fontes, mas há mais nascentes que fontes.
O que é certo, é que é fresco no verão e frio no inverno, é verde o ano todo e tem sempre estas duas estradas quando chegamos, parece uma fábula.
Às vezes atiro ao ar e escolho ao calhas, outras vezes sou supersticioso e na maior parte das vezes jogo ao jogo da pedra com um esquilo que costuma estar por perto, o que perde vai sempre pela de baixo.

em Castelo Branco, Portugal

O óbvio seria o lago, a árvore à beira do lago e as ovelhas ao seu redor.
Mas para lá do óbvio vi isto : a flora no auge de um dia de primavera mas com cheiro a verão.
E cigarras que ameaçavam o final do dia, só com o som.
Imaginei-me num alpendre azul, com uma rede xadrez, daqueles em que a madeira do chão, range, mas range de felicidade.
Diante de mim vive-se assim...

em Manteigas, Portugal

As estações trocadas, a chuva na primavera, e o Outono em qualquer altura. (podia ser uma letra do Pedro Abrunhosa).

em Quarteira, Portugal

Foi há muitos meses, na Quarteira, os outros barcos tinham ido para alto mar, de manhã cedo e este ficara, para arranjar. Tinha problemas no motor e só poderá voltar a navegar daqui a muito tempo.
O céu adivinhava chuva e a terra estava quente.

em Cabeço do Pião, Portugal

As Minas da Panasqueira envolvem-se pela terra extraída da mina. Este precipício é feito de dezenas de anos.
Ao fundo existem pedaços de flora que nasceram nos entretantos destas camadas de minério.
Não parece mas é uma perspectiva com muitos metros de altura...a descer, desde aqui.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Ela pousava mesmo ali, algures no meio, discreta e bonita, pude ver-lhe as pintas e a altivez de uma espécie que parece não ser presa para ninguém, era uma Joaninha, daquelas mesmo bonitas e puras. Durante esta fotografia até baptizei o local de o " sítio da Joaninha " e aquilo pareceu-me mágico, as cores, os sons, a fauna e flora...era uma mistura de sensações plena e cheia.
Ao fundo o " tal lago " com o alpendre e casa ou vice versa, o alpendre azul e a rede.
E aqui a distância que nos separava...entre violetas e uma primavera com tons melódicos.
Senti isto tudo com o coração.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Eram 6h30 quando peguei na mota, para subir mais 1100 metros que no dia anterior.
Não tinha ficado satisfeito com o Nascer do sol desse dia e a meteorologia reserva chuva nos próximos dias, seria a última oportunidade por um bom par de dias, para ver o sol brotar atrás das montanhas e sobre o nevoeiro.
Marcavam - 6 graus quando saí de casa, não me recordava de ter estado tão próximo de temperaturas negativas há algum tempo. Só quando vi um documentário sobre alces no Canadá.
Assim que abri a porta da rua, respirei e senti o gelo de imediato na face, o choque térmico foi instantâneo.
Mas caramba eu ia de mota até lá ao alto, não havia nada a temer, mal entrasse na mota ligava a " sofagem ".
Acelerei em direcção ao destino, fui de subida em subida até ao topo, durante o dia anterior já tinha andado a pensar neste lugar, achava que seria perfeito, porque junta no mesmo horizonte a Serra da Estrela, a Serra do Açor e a da Gardunha. Não há muitos locais no mundo, onde podemos conquistar tantas cordilheiras com o mesmo olhar.
Parei a mota, desliguei a " sofagem " e o que a seguir vou tentar descrever é indescritível, parece contraditório mas não, o nível emocional, as sensações e o que ali vivi, só consegue ser-se sentido porque quem o contempla.
Mas consigo dar uma ideia :
O ar puro, contrastava com o gelo, com o frio, com as cores, com a neblina que pausava sobre o rio, com a variedade de tons que se tonificavam a cada segundo.
Respirei e achei que seria um desperdício e egoísmo involuntário da minha parte, não partilhar aquilo com mais ninguém.
O que ali observava em tamanho é gigantesco, em conteúdo é infinito e é definitivamente um orgasmo visual.
Respirei, emocionei-me, observei-me, gargalhei, sorri, fiz o ar de sacana...era um momento meu e único.
A dada altura concentrei-me no local de onde iam sair os primeiros raios de sol e quando aconteceu...foi definitivamente incrível.
Para que vivamos uma vida bem vivida temos que raiar com o sol e nascer com o dia.
Esta manhã, foi inacreditável..tinha perto de mim um melro que chilreava notas musicais, tinha ao fundo a natureza em harmonia com o dia que hoje nasceu...e fui feliz.
Fechei os olhos várias vezes e consegui ver na mesma, é assim quando tudo o que nos rodeia é intenso.
Hora e meia depois, voltei, todo molhado da brisa e gelado ao ponto de não conseguir soletrar bem as palavras. O aquecimento da mota tinha deixado de funcionar e para baixo vim ao vento e ao frio, abri o rosto para uma manhã que nascia feliz.
Não me lembro do percurso até casa, porque deixei a minha memória presa ao local.
Foi tremendo...garanto-vos.
Da minha Aldeia para o mundo...com um " sunrise " igual a muitos, mas diferente de todos.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

No meu local secreto, uma paleta de cores quentes e paz feita de reflexos, num dos últimos dias quentes do verão.

em Castelo Branco, Portugal

A luz, o trigo e sol.

em Serra da Estrela, Portugal

E porque nada é por inteiro...
...este é o Covão D´Ametade.

em Eindhoven, Holanda

Sempre quis que a minha maior fotografia outonal fosse num lugar incrível. Não se percebe ainda, mas ao longo destes dias irei dar a perceber que Eindhoven é realmente um lugar incrível, organizado, bonito e especial.
Aqui tinha feito 30 centímetros com a bicicleta do André a já me sentia cansado, parei e fotografei um túnel feito de árvores e folhas secas.
Ao fundo vem a Karen, e ela será a próxima fotografia.
Comigo estavam a Marina (primeiro as Senhoras) e o Marcos...cada um com sua bicicleta e preparados para uma tarde, daquelas que não conseguimos esquecer só porque já passou.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Faz hoje 15 dias que a tirei, foi antes de virem estas chuvas fortes. Pus 7 despertadores para as 7h da manhã, mas levantei-me ao primeiro.
A noite trocava-se pelo dia e eu rompia estes graus negativos ao ritmo do vento que cortava com a mota.
Cheguei aqui, a altura já era considerável e sentei-me, vi que por cima do Zêzere havia algodão doce e dispersava-se pelas montanhas ao redor dele.
Olhei novamente pensei-me na Nova Zelândia, esfreguei os olhos e podia ser na Escócia, ou nos pontos mais baixos do Canadá. Tirei os óculos e era de facto entre o Tibete e a Mongólia.
O frio tomava-me conta da consciência e por entre a senilidade que contemplava o dia a aparecer. Passaram 3 corsos de porte bem definido enquanto ali estive, nem os cumprimentei porque os maxilares eram gelo.
Da minha Aldeia para o mundo...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Hoje é o dia da seara, ou da esteva ou lá o que é...mas foi ocasionalmente que ontem ao pôr sol sol tirei esta fotografia.
E...nem sei bem porquê...é desde ontem...das minhas fotografias preferidas : Por tornar o simples...tão bonito. E apenas por isso.
Sem grandes elementos, sem invenções, apenas o sol a pôr-se...e uma seara mesmo no local onde o sol se despedia. Num campo cheio delas com aquelas cores com que um dia quente termina; ...transformou-me em paz naquele momento.
É assim que fico amigo das cigarras, quando me deito (literalmente) no campo para poder fotografar isto e lhes tapo o caminho de regresso a casa.
Com os pulmões cheios de ar puro e um coração repleto de cores e tranquilidade...da minha Aldeia para o mundo...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

É fácil escrever sobre as nossas raízes. O local de onde saímos e que quando voltamos sabemos que será sempre porto de abrigo, ou de abrigo ou de memórias. O sítio onde nascemos representa na maior das vezes quem somos. As origens são eternidade mesmo que as renegamos, quando nos apetece.
Eu tenho orgulho nas minhas, nos pedaços de terra cultivados pelos meus Avós, nos costumes das minhas gentes, mesmo que se tenham perdido no tempo. Na firmeza de hábitos que me chegaram desde a infância e são parte de mim para sempre.
Gosto da palavra "Conterrâneos", porque me soa a união e a gente que tem tanto em comum como em partilha. É familiar.
A minha Aldeia, é na Beira Baixa, fica perdida entre a Covilhã e Coimbra, nos limites destes concelhos e até de mais alguns.
É recôndita e apesar de rodeada por um verde imenso, os montes podem cobrir-se de amarelo porque o sol lhe palmilha cada recanto.
É constituída por histórias, está desertificada como todas as outras, mas nunca o estará pelas memórias das gentes que a carregam no coração e a sentem como parte intrínseca de si mesmos.
Tem o nome do meu irmão, mas já o tinha antes, tem um clima agradável, tem noites quentes e manhãs frias, não tem poluição visual e a natureza é que a sustém num cordão do tamanho do coração ( rimou, gosto quando rima ).
É a Aldeia de São Francisco de Assis e tirei-lhe esta fotografia hoje ao final da tarde, entre o cheiro a mimosas, e uma confusão de sons : o das andorinhas que começam a chegar, do sino da torre da igreja e do silêncio.
RY X - Sweat

em Monsanto, Portugal

Hoje fui a Monsanto, encontro sempre naquele local uma pacatez envolta em magia.
A subida foi custosa como habitualmente e o caminho íngreme, venho sempre a "brincar" com o sol na subida.
Chegado ao topo a vista é esta.
O céu podia ser de algodão, as nuvens de polyester, as rochas de esferovite e as árvores e ervas de bambu...mas não, é tudo real e tocado a raios de sol.
Este ao ainda nenhum pôr do sol tinha sido tão intenso e radiante.

em Cabeço do Pião, Portugal

A cor do céu é verde, como as árvores, a água do rio, os peixes, as pedras e o sol.
É o reflexo de uma coisa muito forte que se chama : NATUREZA.
...o rio é o Zêzere...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Encho a alma, quando olho para esta fotografia que tem apenas umas horas de vida.
Podia ser por muitos motivos, mas o principal é pelas cores feitas de camadas que se emergem num silêncio impenetrável, só interrompido pela noite.
Esta foto tem história, foi hoje pela tarde...saí de casa, quando vi o laranja do céu, normalmente ele costuma ser azul, hoje era assim. Mas uma paisagem assim não pode ter história, com começo nem fim.
Ando aos dias para fazer uma imagem da minha Aldeia que represente o Natal deste ano, mas sem sinos, renas, ou bonecos de neve...uma que nos encha a alma e o coração e tenho conseguido tantas. É assim quando vivemos ladeados de sonhos...e o meu é este :
No verde que se avista, qualquer coisa como meio hectare é da minha Avó, vou ver se o herdo, para que um dia possa ser o terreno que dá vida a uma casa de madeira, de alpendre azul, com rede, ou várias redes, uma casa na árvore, mas uma casa mais pequena. Comida para dar às raposas, muitas raposas e crianças..que sejam muitas também.
Se forem gémeos, melhor ainda. Uma biblioteca interior, pode ser nas águas furtadas, para que se possa ler com a luz natural e uma parabólica, para apanhar os jogos do Benfica.
O céu...esse, pode ser sempre assim...

em Neuchatel, Suiça

Foi na Suiça, entre Genebra e Zurique, nem sou fascinado por este género de fotografias.
Mas revi o álbum perdido pelo disco e achei que devia mostrar ao mundo que elas não são roxas como a milka inventa. São iguais às outras, vacas.

em Cabeço do Pião, Portugal

Foi num dos dias bons do ano. O Rio é o Zêzere e a ponte tem mais de 100 anos. Fica a minutos da minha casa e a ponte também.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Um lençol de água e a natureza da cabeça aos pés.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

É este o caminho que tomo para o " céu "...

em Pampilhosa da Serra, Portugal

Dizer que o sítio parece dourado já o enobrece...mas...
Foi hoje. Aliás foi há instantes quando o dia trocava com a noite.
Tinha lá estado há dias e aquilo pareceu-me de uma magnitude incrível...se a proporção for tomada pela beleza. Voltei hoje...levei a alma e câmara.
Trouxe os raios de sol que pousavam sobre a água, a tranquilidade, o som do cuco que contrastava com o do trinca-reis (googlei).
E quando a água é tomada pelas partículas da luz e fica cristalina..pode ser mágico.
Ousar-me a descrever ainda mais esta paisagem será mexer em algo que aos meus olhos está perfeito. Ou se calhar não...
...além ao fundo...existe uma casa com o alpendre azul e uma rede colorida que não se consegue ver daqui. Agora sim..." não mexo mais ".

em Cabo da Roca, Portugal

Simples e natural, é sempre assim a natureza.
Com a particularidade de esta ser no ponto mais Ocidental da Europa...a poucos metros de um mar tumultuoso.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Não faço habitualmente este tipo de fotografias. Gosto de uma paisagem sem detalhes. Poderosa e densa.
Mas esta tarde o ambiente convidou-me a pormenores.
Saí de casa para fotografar, tinha bem traçado o local na minha cabeça. Havia lá estado há dois dias atrás e tinha deixado por lá a retina e a memória.
É uma serra ladeada por vales e com um vista privilegiada para o pôr do sol, é coberta por um manto verde e foi-lhe renovado o ecossistema : raposas, javalis, águias, corsos (veados) e coelhos. Este foi o habitat que escolheram há meia dúzia de anos para eles se reproduzirem em paz.
Fica a 7 minutos da minha casa, se for de mota, a correr ainda fica mais perto (com a minha costela de Obikwelu)...
...o verde aqui é denso, há um manto de pinheiros e eucaliptos capaz de fazer inveja à Amazónia e o silêncio é igual à paz, é forte se não estivermos habituados a ele e capaz de nos revitalizar se o soubermos aproveitar.
Fiz há dias uma amizade forte com uma cigarra que vive abaixo desta planta que destaco na fotografia.
Conversamos, rimos, ela anda a ensinar-me o som que faz para chamar os machos e eu em troca trago-lhe aveia, migalhas e água.
Hoje ela estava aqui quando cheguei, demos um abraço (como fazemos sempre) e sentei-me logo ao lado...sós, avistámos o horizonte com um sol a fugir e um frio a regressar. Juntos sentimos a paz...capaz de existir só num sitio como este.
Ela calou-se um pouco e eu aproveitei para me contagiar por isto tudo. Há lugares incríveis e não precisam de ter metro ou shopping.
Levantei-me, fotografei-lhe o lar e com a promessa de voltar amanhã...deixei-a com o meu canto ensurdecedor de acasalamento e postura de ovos.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Segunda-feira - 17 : 00
Mãe : "...Marco, vai chover a partir de amanhã. "
Eu : " Epá que treta..."
Mãe : "...o Padre disse na igreja que já só volta o sol para Abril..."
( Silêncio grande )
Mãe : "...Marco, Marco? Marco? Oh Marco Sérgio?...onde estás?..."
Virei costas mal percebi o negócio que o Padre da paróquia fizera com o São Pedro.
Corri contra o sol e contra o vento, voltei 2 horas depois e trouxe esta fotografia.
O sol punha-se e as nuvens começavam a aparecer como algodão doce. As montanhas permaneciam ali...preparadas para as chuvas que vieram.
A minha Mãe ficara a falar sozinha e o Padre passou naquela tarde e para mim, a ser o meteorologista cá da zona.
Até voltar o bom tempo, ficamos assim...

em Neuchatel, Suiça

Na Páscoa passada andei por aqui.
Cheguei a visitar 3 países por dia, em dias bons e uma cidade por tarde, quando queria dar tempo ao tempo visual.
Desfrutei das ruas de Munique, vivi as sequelas de uma cidade forte, mas envergonhada pela guerra, conheci os rostos firmes e carregados mas orgulhosos destes tempos.
Passeei pelas praças de Salzburgo ao som de Mozart e ao ritmo dos meus passos, do cimo dos castelos vi os Alpes cobertos de neve e frio, mas imponentes como tudo o que os rodeia. Acordei nos bosques Austríacos com a vista dos Alpes e a sensação de uma paz sem tempo e limite. Da Suiça trago a organização e a paisagem, os dias cinzentos podem ser de todas as cores, os lagos são cheios e a vida é ritmada pelo curso das horas feitas pelos seus próprios relógios.
Esta paisagem de tons amarelos e azuis, tem como pano de fundo os Alpes, a meio o lago de Neuchatel e junto a mim, um campo coberto de um amarelo que ainda desconheço de conteúdo mas conheço de cheiro.
Um cheiro com tudo. O céu, esse era revolto de nuvens, sem o nosso azul, mas com tons de uma vida feita de algodão.
Vim com a esperança que é cor de uma floresta que me acompanhou e continua bem perto de mim.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Ainda consegui aproximar-me da lua, ou ela de mim, entre as várias camadas da natureza...

em Neuchatel, Suiça

Foi há poucos meses que cruzei Áustria, Alemanha e Suiça na mesma tarde. Almocei em Zurique, lanchei em Munique e fui jantar a Salzburgo.
Durante a viagem descobri a diversidade da terra e do clima. E descobri também paisagens envoltas de nuvens e cobertas de um verde que é pasto para animais.
Foi aqui que vi a vaca da Milka, roxa como habitualmente e serena como sempre, mugia ao mesmo tempo que lhe eram ordenhadas as barras de chocolate do preto. Dei-lhe uma trinca (à vaca) e segui viagem...ao longe ainda a ouvia mugir, senti então que tinha sido sacana com ela...e ainda hoje não me perdoo.

em Serra da Estrela, Portugal

Ontem fui à serra com mais 3 amigas. Uma delas enjoou, a outra já nem se lembra de lá ter ido e a terceira nem sabe o nome da serra. É a da Estrela, fica entre Marrocos e o Norte de Espanha (para o caso de algum Americano ver esta publicação).
É diferente de todas as outras, é a única que possui um nome de um astro e não existe no céu.
O primeiro parágrafo é mentira.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Hoje foi um dia cansativo e admito-me cansado (limpei 3 mosaicos cá em casa) e ia dormir, contudo...não o consegui fazer sem publicar esta fotografia.
Coloquei Sigur Rós como habitualmente e estou a escrevê-la começando pelo fim : sem saber estou apaixonado por ela, mesmo que o mundo não o perceba continuarei fascinado, nem que seja onde a água reflecte as cores do céu e se mistura com a lua em quarto crescente.
Foi mais ou menos assim : Eram 17:00 h e apesar do frio que se fazia sentir, peguei na mota para ir fotografar um pouco (sem que tivesse mesmo fotografado com a mota. Isto porque levei a câmara)...e segui a brisa de um dia findar e tornar-se cada vez mais frio.
Cheguei aos 1000 mil metros, mais ou menos no cume da minha Aldeia, onde pudesse ver a neve na Serra da Estrela e o sol a bater na torre...e consegui. O sol punha-se nas torres e brilhava na neve. Fotografei aqueles instantes e voltei-me para Oeste, quis ver o pôr do sol também.
Perdia-se em tons de laranja e fui " atrás " dele...
...perdi a cabeça e acelerei a mais de 40km/h...e foi quando tive que parar, a água separava-me literalmente da outra margem.
Era uma poça de água na estrada, mas que mais se parecia com um lago e foi ali que vi o anoitecer...e caramba foi incrível.
Atento aos pormenores, não me descuidei de nada...nem da lua lá no alto que se encontra a formar e apesar de ainda não estar cheia, encheu-me a mim de ilusões e sonhos; ao reflexo dela na água da poça, aos tons de final do dia que incidiam fortemente na água e me reflectiam nos olhos ou me contagiavam o coração e ao descanso da mota que se curvou e levou o veículo ao chão (mas nem liguei).
Foi perfeito, a natureza brindava-me e eu agradecia de pé e ás vezes de joelhos, dependia do ângulo e da perspectiva.
As coisas boas da vida são simples e nascem de detalhes se os soubermos observar com o coração. Foi o que aconteceu.
Perdi o frio que levava comigo e aqueci a alma de cores quentes.
Podia estar em Times Square, em Taj Mahal, em qualquer outro sitio...podia? Podia. Mas quem estaria aqui para presenciar um final de dia que rimava com a natureza, como se de uma estrofe ou de um verso se tratasse...?
E se a virmos ainda melhor de lá para cá a poça de água pode ser um coração...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

A minha mota esteve a descansar e voltou como nova, decidi que a partir de amanhã vou guiá-la novamente a fotografias nocturnas, a arrastos de estrelas, a constelações, ao mistério da noite e das estrelas, à luz do céu e é então...possível que esta fotografia finde por uns tempos as paisagens de pôr do sol.
Voltarei com a via láctea...

em Pampilhosa da Serra, Portugal

Laranja forte...foi assim que o sol ontem pousou atrás das montanhas, quando já passava das 21h.
Em harmonia com a engenharia do vento...

em Minas da Panasqueira, Portugal

São as Minas da Panasqueira e o aterro é tudo aquilo que sai debaixo de terra e não tem um grande valor económico.
Não sou um aficionado deste tipo de paisagem, simplesmente porque faz mal ao ambiente e ás pessoas no geral. Contudo não se pode lutar contra o que nunca se vai fazer. E portanto olho para estas escombreiras e vejo erguida na terra a bravura de cada mineiro que com as mãos escavou um pedaço de terra para depois pôr um pedaço de pão em cima das suas mesas.
É trabalho de valentes, de coragem e de esforço. Alguns perderam a vida enquanto lutavam por dar vida aos seus (só por isso).
A imagem é forte, é imponente, não é bonita, mas é honrosa.

em Salzburgo, Áustria

A magia de se viajar vive acompanhada pelo que nos rodeia. Estou em viagem há uns dias. Mas no sábado quando ia de Munique para Salzburgo, percebi que os países não se separam apesar das fronteiras.
Tirei esta foto em solo Austríaco e este pôr do sol é Alemão.
As cores prenderam-me no tempo e a magia de uma lua a compor-se também.

em Nazaré, Portugal

Um forte ao pôr do sol.

em Manteigas, Portugal

Nunca fui perdido pelas cores do Outono, sempre preferi o pôr do sol do verão, mesmo sabendo que qualquer comparação é sempre injusta.
Mas, nunca...até há dois dias atrás...
...no coração da Serra da Estrela, junto a Manteigas existe um bosque, completamente encantado. É definitivamente um mundo à parte...vive-se com espanto e entranha-se com arrepios e admiração.
Tem tudo...tem cor (mágica), sombras (certas) , luz (única), sol (divino), tons quentes e frios (como em nenhum outro lado); Tem tudo...
Os feixes de luz entram-nos na alma e ficam-nos no coração e foi ali que percebi a Alice...e a lógica absurda de viver no País das Maravilhas ou num mundo de sonhos.
Foi mágico...e inacreditável.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Foi ontem. E como explicar isto?
Sentei-me e respirei, observei em vez de olhar apenas e depois disso peguei na câmara para fotografar o poder da natureza.
Ao fundo do lado esquerdo é água e é um dos maiores lagos de Portugal, do lado oposto é sol e é a maior estrela do sistema solar, apesar dos 150 milhões de km que nos separam era assim que o via daqui, a despedir-se do dia entre as montanhas.
E essas montanhas são uma cadeia rochosa que começa algures aqui e termina...ainda que intervalada nos Pirinéus.
Os vales e os montes são das coisas mais mágicas que costumo fotografar.
E a flora? está com as cores iniciais da primavera, contrasta entre um lilás, violeta e ainda que suave é intenso ao mesmo tempo.
A Fauna? 3 Coelhos bravos, um Guaxinim que comprei pelo olx só para o soltar aqui, a Raposa que me acompanha há 2 anos e teima em seguir o som da mota, 7 Melros, um Cuco que não percebi onde pousava porque o som parecia ecoar de todos os lados.
O céu? pode ser mais cristalino que a água mas tão expressivo como o vento.
E o cheiro pode sentir-se daqui se olharmos para a fotografia com o coração. Nem é a terra molhada, nem a dias quentes, é ameno e brota com as plantas em flor.
Procurei algumas músicas para poder escrever esta fotografia, mas escolhi o silêncio, o mesmo que me acompanhou naqueles momentos celestes, em que a poesia era o horizonte.
Não sei se é das melhores fotografias que tirei nos últimos tempos, mas é certamente a que mais mexe comigo.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

O por do sol de ontem com uma palete de cores que parece pintado a guache.
Azul do céu, laranja do sol e rosa por magia.

em Manteigas, Portugal

A floresta encantada...na parte assombrada.

em Monsanto, Portugal

O sol...entre os vales e as planícies.

em Cabo da Roca, Portugal

É no Cabo da Roca e foi por isso que lhe segui esta linha longitudinal contínua...porque parece um sítio sem fim.
Sorte a minha foi levar os binóculos e vi uma Boliviana mesmo ao fundo, apanhava mangas para o pequeno almoço dos filhos. Foi enternecedor.
Virei os binóculos um pouco mais à esquerda e vi 32 pessoas a serem sequestradas em Caracas, ainda gritei que ia chamar a policia...mas os sequestradores eram a policia. Levantei um pouco mais o visor, para ver o que estava acima da Venezuela e foi então que no canto do binóculo esquerdo surgiu Paquito um Colombiano de motorizada...ia para o trabalho...tinha 3 hectares de cocaína para apanhar e precisava do dinheiro para poder comprar uma passagem definitiva para os Estados Unidos.
Continuei a observar e por sorte o Paquito não se despistava contra um daqueles autocarros que atravessam Bogotá...e que levam mais cestos de galinhas que pessoas. Ainda assobiei mas creio que o condutor do autocarro não ouviu.
Continuei a viagem e quando me deslocava mais a este, entra-me um mosquito para o visor do binóculo que me impediu de continuar longe mas perto.
É assim que podemos sonhar...se o local for bonito, se nos carregar de boas energias e nos fizer felizes...o resto pode ser imaginação.
Do Cabo da Roca pelo mundo...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Não sei fotografar a lua, nunca soube, foi por isso que a vi aparecer ao fundo e a enquadrei com montes e vales, com a fauna e a flora, com os tons do verão e o verde que predomina uma Aldeia com ar puro.
Depois ela começou a crescer e eu fugi.
Só a voltei a fotografar 30 segundos depois.

em Janeiro de Cima, Portugal

É aqui que se mergulha no verão, salta-se da prancha e cai-se na água.
É em Janeiro de Cima, mas o que me cativou foi a argila a abrir-se na terra, os reflexos das árvores na água e do céu também.
A mistura e a envolvência de tons e sensações foi perfeita.
Ouvia-se o Zêzere que corre em direcção a Constância e meia dúzia de estorninhos que trocavam de árvore.
Pareceu-me tudo bonito e mergulhei na paisagem.

em Portela de Unhais, Portugal

Duas camadas e ar puro com força...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Era o caminho que me levava ao sítio mágico por meados da melhor estação do ano.
Hoje a terra molhada substituiu o pó, o céu tem nuvens, o calor passou a frio e eu já não posso mergulhar naquelas águas como vim ao mundo.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

As montanhas separavam um céu revolto que se preparava para explodir em chuva e cobrir de água estes campos secos.
Sentei-me e esperei pelas primeiras gotas

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Na maior parte dos dias, e com mais força naqueles em que chove...costumo sonhar com uma casa no campo, um alpendre azul da cor do céu em dias suaves, uma rede, o chilrear dos pássaros (podiam ser colibris), um campo de algodão e sol, calor ao serão, uma brisa ao escurecer, cigarras e grilos.
E dentes de leão que voam com a brisa leve.

em Vale do Lobo, Portugal

Ao fundo o azul do mar tem um tom diferente do azul do céu. Foi entre tons que vivi o momento desta fotografia.

em Portela de Unhais, Portugal

Esta força tecida pelo asfalto sem fragilidades à vista é algo que me fascina. A simetria envolvida por tudo ou por nada, as cores.
Tudo junto parece uma cintilização musical que se tocada ao ouvido é magia.

em Castelo Branco, Portugal

Esta foto é para se ouvir também : Sigur Ros - Olsen Olsen

em Manteigas, Portugal

Como as estações do ano parecem trocadas e perdidas pela incerteza do ecossistema cada vez menos linear. Trouxe o Outono nestes meados de Abril. São folhas e cores de uma estação melódica em tons e tocada pelas folhas que caem incautas das árvores ao ritmo do vento ou apenas da brisa.
Gosto de bosques e sinto-me o Robin cada vez que os exploro, por vezes puxo da flecha, mesmo que só nesse instante perceba que não a tenha. Vejo veados que podem ser apenas imaginação ou cannabis e sou feliz com estes pedaços que podem parecer pouco...mas são tanto.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

E se eu tivesse ficado na cama, naquela manhã?
E se tivesse desperdiçado esta brisa matinal?
E se não me enchesse de coragem para enfrentar os - 6 C ?
Ainda me arrepia a pele, quando olho para o que avistava diante de mim. Ao fundo era o sol a raiar, 2 minutos depois erguia-se...poderoso, para mais um dia em que estendia o raio sobre todos nós. Foi poesia o que vivi naquele amanhecer.
Assim vale a pena...viver-se...

em Pampilhosa da Serra, Portugal

Este é dos sítios que mais gosto de fotografar...pela paz que emerge do asfalto e cobre os montes que se perfilam diante dos olhos.
O dia estava no fim e as cores eram as do sol.
Tudo ao ritmo do silêncio, com resquícios da energia do vento.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Parece a mesma foto de à dois ou três dias, mas não é. Esta foto tem outro enquadramento, tem mais paisagem e foi tirada minutos antes, o que na "hora dourada" representa bastante.
Posso falar um pouco mais sobre ela : eram 7h35 da manhã, em volta de mim pairavam 3 melros que me desviavam a atenção e que me tentavam em fotografá-los também, 5 minutos antes de tirar a fotografia o sino da torre da igreja badalou ás 7h30 e na verdade a essa hora e junto com o sino ecoaram outros sons, dois ou três galos cantaram na encosta atrás de mim.
Foi também fascinante perceber que àquela hora, começava a sair fumo dos canos das lareiras que vivem inertes nos telhados das casas, parecia que conjugavam horas e sons, tal a sintonia. Não havia ninguém, apenas o som do sino, o cheiro a natureza, um frio gélido, o despertar dos animais e o que avistava de fundo - A HORA DOURADA, assim baptizada, por entre um nevoeiro cerrado que cobria as montanhas e um sol a nascer numa manhã fria e tranquila. Na minha memória esta manhã viverá eternizada.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Os pôr de sóis que agora podem ser sunsets, são por vezes perfeitos e não se descrevem facilmente.
O sol foge-nos aos poucos, a brisa é quente a cor multiplica-se em segundos e o céu perde cor e ganha estrelas.
Lamento pelas pessoas que dizem que não o avistam sem os fumos da cidades, porque eu avisto-o assim.

em Serra da Estrela, Portugal

Camadas de tons e cores que só o Outono pode trazer.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Respiro e observo...apenas.
Foi ontem a meio da tarde, aqui de casa.

em Portela de Unhais, Portugal

Foi por aqui que o Tony Carreira nasceu. Costumam chamar isto de "...atrás da serra...", mas de forma depreciativa.
Como se o ar não fosse puro, o verde não fosse oxigénio, e o céu límpido fosse claro demais.
É aqui que a qualidade de vida não tem filas de trânsito e as buzinas são só as dos padeiros, é aqui que o tempo nos dá tempo para podermos fazer tudo e ainda sobra.
...e foi aqui também que o Tony Carreia nasceu.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Fica a 5 minutos da minha Aldeia, mas não conhecia este local até à semana passada, depois disso já lá voltei 3 vezes.
Aventurei-me com a mota e descobri entre um caminho íngreme e uma floresta bem composta todas as montanhas que se perfilam no horizonte.
Os tons eram de por do sol. E a minha alma era do tamanho de tudo isto.
Amanhã se a temperatura subir 1 grau, volto lá, só para contemplar.

em Serra da Estrela, Portugal

A Serra num branco silencioso, é neve.

em Vila Velha de Ródão, Portugal

As Portas do Rodão são envoltas por uma paisagem inexplicável e constituídas pela imponência que a natureza lhe conferiu.
O sol nasce para cá das portas e põem-se para lá delas. O dia muda várias vezes, fruto do ecossistema e da particularidade do local. Mas o que mais aprecio aqui é o silêncio, apenas interrompido pelo tumulto do comboio.
Ninguém fica indiferente, nem mesmo as perdizes, conheci 3 : Pai, mãe e filho, vivem por aqui, numa das árvores que ladeiam o rio. Estive vários minutos à conversa com o patriarca. Acenei-lhe com a caçadeira e ele veio logo, percebeu de imediato que o que eu gosto é de caçar pombos e agradeceu-me a gentileza de lhe poupar a espécie. Falámos de tudo, do curso do rio, de quando a lua se reflecte nele e faz magia, falámos de outros animais, dos tios e primos deles, que emigraram para a Espanha em busca de um milho melhor e discutimos a escassez de coelhos por estas bandas. Criámos uma afinidade muito própria entre uma perdiz e um ser humano, apreciei-lhe as plumas e despedimo-nos cordialmente, prometi-lhe voltar e trazer minhocas para a família. Deu-me uma bicada e voou. Minutos depois desapareceram os 3, no céu.
Arnaldo era o seu nome.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Quando me perguntam, " Porquê " ?
- É por isto. Pelo ar puro, pelos 4 corvos que se levantam no campo de trigo quando me ouvem passar, pela água límpida e corrente que é fria no inverno e fresca no verão, pelas cores de inicio de dia e do fim deles, pelo céu...sobretudo pelo céu transparente, onde as estrelas se vêm como se lhe pudéssemos chegar com as mãos.
Pelo cheiro a verde, mesmo que as cores não tenham cheiro. Pelo calor em dias frios e pelos serões de silêncio.
Foi há dias que fotografei o horizonte assim, mas se lá voltar hoje está igual ou surpreendentemente melhor...

em Vila Velha de Ródão, Portugal

As Portas do Ródão são de uma beleza sem fim.
Mudam de tom a cada hora do dia e são esculpidas por pedra e cobertas por água.
Ás vezes o dia e a água são tão nítidos que ganham reflexos.

em Portela de Unhais, Portugal

Se os Simpsons tiverem mesmo sitio para morar, é aqui, onde as nuvens parecem um papel de parede.
As montanhas essas são minhas e da Heidi.

em Lisboa, Portugal

Esqueci-me destas fotografias no disco. Lembrei-me agora que estavam lá.
Foi num pôr do sol dos bonitos, entre o Tejo, as cores, o calor, a brisa que se avistava bem fresca, a serenidade e a Fundação do Senhor que era bem rico.

em Pampilhosa da Serra, Portugal

Esta fotografia foi num dia bom e nasceu com alma, não foi ao acaso, quis conjugar fauna e flora ou um céu revolto e bonito, tudo debaixo de um sol que se despedia.
Há junções perfeitas e esta parece-me uma delas. É uma imagem que se respira, que se entranha, pode sentir-se o cheiro a terra molhada, pode ouvir-se o silêncio e tudo pode fazer sentido de vivido apenas assim.
Eu gosto mesmo desta fotografia e de toda a envolvência que ela me deu.
A música que me inspirou foi esta : Hayden Calnin - Small Leaf

em Serra da Estrela, Portugal

A terra tocou no céu
Foi ontem, peguei no Zé e no Marcos às costas e subi à Serra da Estrela. É com eles que me aventuro quando quero descobrir mundo. Fui então explorar melhor aquele que tenho a meia hora de casa.
O dia era sublime e a terra parecia estar a tocar no céu com tamanha sintonia que sentíamos arrepios, que não eram de frio.
Fotografei como manda o meu coração, tinha comido sushi minutos antes e fiquei a sentir-me ainda mais Japonês, ao ponto de disparar a tudo, como eles fazem.
Mas foi aqui que larguei a minha veia Asiática para dar um pouco de mim.
Deus e a natureza uniram-se diante de mim, colocaram-me numa serra que é por si só uma Estrela. Eu fiz o resto.
Hoje pela manhã pensava que ontem tinha tido um dia tão bom, que a fotografia tinha ficado de lado e que não tinha feito nada de jeito com a câmara.
Mas olho desde aqui e sinto que ontem valeu a pena, nem que seja apenas por isto, por esta fotografia. Por sentir o frio na pele e o quente na alma.
Pus 7 músicas para escrever esta fotografia e não consegui tirar os olhos dela para me concentrar nem no som nem na escrita. Não me lembro de algo semelhante me acontecer, desde que vi um poster da Samanta Fox.
Este foi o momento em que toquei no céu.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

É o meu segundo auto retrato.
Não consigo explicar onde é este lugar, porque não é acessível, a não ser que seja a pé ou de mota. É deserto e paradisíaco.
Eram 22h30.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Descrever tudo isto e como ali cheguei é incrível.
Saí de casa para levar comida à raposa e decidi passar por aqui, já lá não passava desde o verão.
E pela primeira vez na vida ou desde que me conheço...um abate de eucaliptos ou pinheiros me foi útil e não me deixou com o coração despedaçado.
Ganhei um miradouro...que me leva a uma vista que me faz perder dela própria. Os cumes e os vales...são de um fascínio igual à paz.
O céu estava coberto e o sol escondia-se, a convulsão entre eles permitiu-me desfrutar como há muito tempo não o fazia.
O terreno com as cores fortes da terra que o desbaste dos eucaliptos me deixou...é a semente de outros...que nascerão com a mesma força.
Mas até lá, ganhei gratuitamente um miradouro que me foi dado por viver em conformidade com a natureza.
...gelei as mãos para poder fotografar, são uns bons 1200 metros de altitude, gelei a barba também...e enquanto descia os caminhos que me levaram lá acima, percebi que os sonhos podem nem mudar de sítio, podem permanecer intactos ou despercebidos, que a memória pode pregar-nos partidas...mas que um dia voltamos ao cume dos sonhos e tudo muda...que o horizonte se alarga em segundos e nos dá espaço a amar ainda mais...do mesmo sítio.
O céu até pode ser outro...mas a intensidade com que o vemos é maior em dimensão, o cheiro é mais forte e até os ninhos dos cucos parecem ter triplicado.
Da natureza em mutação.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Fechei os olhos : Ouvi buzinas, um trânsito caótico, senti gritos, passos apressados, dois carros que chocaram, um taxista que falava num tom alto, mais buzinas. Fumo no ar, é da fábrica do cimento, o barulho do metro, um autocarro preso no trânsito, pessoas de rosto apressado e passos perdidos. Um relógio que não pára e tempo escasso. Outro choque, um veículo ligeiro com um pesado de mercadorias. Ouço por fim o som de um pássaro...vem do Zoológico, confusão no metro, dois roubos em 10 minutos, eram carteiristas. Pressa, passos ainda mais apressados, alguma intranquilidade, duas horas numa fila de trânsito e ainda faltam 10 km para o trabalho.
Abri os olhos : Ouvi um despique entre uma cotovia e um cuco, no cimo da árvore que tinha junto a mim, são espécies raras de pássaros, mas não são raras aqui. Estão a tentar perceber qual deles tem o melhor chilrear, um rasto de avião que não trás barulho, vê-se o rasto feito pela limpidez de um céu como poucos, dá quase para perceber qual o corredor aéreo que tomou.
Silêncio, outra vez mais silêncio, mas o padeiro estraga tudo com a buzina durante dois minutos que parecem duas horas. Um coelho que foge pela encosta e nos retira a inquietude.
O sino da igreja que toca ao ritmo das horas que parecem dias e ecoa com espaços de 30 minutos.
Respiro...é ar puro, expiro e é vapor do frio. Olho em frente e as cores multiplicam-se com o nascer do dia.
O padeiro foi-se e a cotovia também, mas chegou um melro, olha na mesma direcção que eu, sem que o horizonte nos castigue pelo voyeurismo daquele instante.
Passaram duas horas, mas podia ser eterno.
Pego na mota e já não vou demorar cinco minutos a chegar a casa...tenho diante de mim...um formigueiro, são milhares que entram no ninho e não quero cometer um massacre. Mas nem buzino para elas se desviarem. A formiga rainha percebe e toma conta do rumo da outras.
Vou dar comida à raposa que me espera diariamente no mesmo sítio que delineámos...quando o coração nos uniu há três anos atrás. Ela já lá está, sou sempre que me atraso. Hoje atrevo-me a dar-lhe comida na boca, a minha coragem pode retirar-lhe astúcia a caçar...mas ela sabe que na ausência das presas pode contar sempre comigo.
Volto para casa, deixei migalhas de pão no alpendre azul para três alvéola-citrinas que madrugam sempre por ali nestes últimos meses do ano.
Gosto de fechar os olhos em muitas alturas, de sentir o ritmo exagerado das coisas que precisam do tempo que o tempo não tem. Do silêncio confuso e do multiculturalismo de expressões feitas de pessoas.
Mas no fim, preciso de voltar. De abrir os olhos e ter tempo para sentir, escutar ou ouvir.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

O campo de futebol da minha Aldeia...e a baliza a norte...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Fui lá quase todos os dias deste verão, na maior parte das vezes sempre sozinho.
Enchia-me de paz, sentava-me nas rochas enquanto a água me passava corrente pelos pés, relativizava o mundo e voltava inspirado para a realidade.
Ontem voltei lá, novamente sozinho, fui despedir-me da época " Ribeiralnear ".
Mas se calhar até volto amanhã ou sempre que possa.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Cai neve em Nova York, faz sol na Patagónia e está assim na minha Aldeia.
Podia ser o fim do mundo e pedi uma reunião com o Deus dos céus, para me esclarecer quanto a este fenómeno.
Entrei no gabinete dele e explicou-me serenamente que é quando as temperaturas estão baixas e o sol entra em contacto com as nuvens e tende a desaparecer porque o fim do dia está quase. Não há interferência dele, nem da lua.
É um fenómeno maior em Aldeias, porque o céu não é poluído e se vêm as estrelas mesmo que tenhas miopia e te tenhas esquecido dos óculos em casa.
Pode ser magia nos céus se te sentares encostado a uma árvore apenas a contemplar.

em Portela de Unhais, Portugal

Gosto mesmo desta. Pela forma como mexe comigo, por todos os factores que só eu e o casal de Pato-de-dorso-branco que me acompanhavam...sentimos.
É no alto da minha Aldeia, se me virar para o outro lado vejo a Serra da Estrela, a da Gardunha ou a Cova da Beira.
Mas se estiver assim : vejo o sol a pôr-se, os limites do Distrito de Coimbra, montanhas que se perdem de vista, cordilheiras de rochas que terminam nos Picos da Europa, a Barragem se Santa Luzia que é aquele lago ao meio e um avião que percorre o corredor aéreo do Zêzere...e é o traço recto quase no centro do céu que se revolta em nuvens dispersas.
Mas são os raios de sol que pousam até mim que fazem com que tudo seja assim...simples mas verdadeiramente imponente.
Não há música que substitua o som bonito que os Pato-de-dorso-branco fazem; quando forem a um lugar assim nunca se esqueçam de pôr um casal deles para o bolso, eles tornam tudo ainda mais incrível.
Nota : Acabei de escrever e não volto atrás para corrigir linha alguma, mas ainda não percebi porque falei de patos diante de uma paisagem destas.

em Manteigas, Portugal

A parte mais triste do bosque encantado.
Fica em Manteigas, no Parque natural da Serra da Estrela, e chama-se Bosque de São Lourenço.
Para se chegar lá, precisamos de 3 dias : um para combinar com os amigos, outro para nos deslocarmos para junto destes e um último para se chegar aqui. Não é fácil.

em Monsanto, Portugal

Desde domingo que ainda não saí daqui, Monsanto disponibilizou-me encanto e eu retribuo com fotografias.
As ruas calcetadas, as casas feitas pelo esforço de gente valente e erguidas por pedras que perduram através de séculos.
Um horizonte que se perde de vista, onde se baralham os tons e se misturam as cores.
As pedras dão lugar a moradias e as moradias a pessoas que visitam um lugar que vive imaculado numa encosta e se faz a subir.
É também assim Monsanto.

em Serra da Estrela, Portugal

Não sou propriamente doido por neve, prefiro o calor, campos de trigo, andar descalço e usar muita roupa nunca me convenceu, incomoda-me.
Mas há coisas que me convencem...uma curva - contra curva, perdida no nevoeiro ou nas nuvens que trazem outra tempestade de neve ou um horizonte a preto e branco onde só o verde da vegetação se vê e a espaços.
Ou uma serra que tem o nome de uma Estrela que tem luz própria.
Foi fascinante olhar daqui para o infinito.

em Monsanto, Portugal

As regras podiam pedir que se visse mais céu que o resto, mas que se lixem as regras quando fotografamos com o coração.
Que se lixem as coisas certas quando diante de nós avistamos mundo e o mundo a cores, quando o sol mesmo ao fundo rasga o céu e irradia a terra com luz.
A alma é feita de socalcos, mas a terra também. Ao fundo é Espanha, estou sentado numa pedra mesmo no cume de Monsanto e pelo meio é magia intervalada por Aldeias e terrenos cultivados ou outros esquecidos.
O tempo não passa se o vivermos deste pedestal feito de argila.
Os meus olhos responderam com felicidade e o coração encheu-se com a luz do sol.

em Pampilhosa da Serra, Portugal

O poder das eólicas na natureza, quando o sol se põe debaixo das nuvens.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Fui buscar Sigur Rós para poder escrever esta fotografia, não fazia sentido brincar à música na hora de se escreverem coisas a sério.
Foi no domingo que nos cruzámos pela primeira vez, eram umas 15 horas e o manto verde estava coberto por nuvens, muitas e dispersas que prometiam chuva. Entre elas o sol rasgava e pousava sobre os montes como se eles pudessem sentir-lhe aquelas partículas feitas de luz.
Eu estava lá, levava apenas o telemóvel e sentia-me limitado para poder expressar da forma que melhor sei tudo o que avistava.
As montanhas podiam ser na Nova Zelândia, as curvas que intervalam os montes podiam ser os vales na Escócia ou no País de Gales e a vegetação podia ser Canadiana.
Ouvia água junto a mim, parecia uma nascente. E era...era uma nascente que vinha do alto e trazia água, a da chuva a outra e fazia com que tudo ficasse ainda mais verde.
Respirei e era oxigénio, mas em quantidades incríveis.
Suspirei e lembrei-me que o horizonte podia parar ali, diante do que os meus olhos viam, porque seria suficiente, estaria eu perto do que pode ser perfeito.
Abstraí-me do barulho da água e ouvi um cuco, tentei perceber de onde vinha o som, mas sem sucesso. Saudei-o com admiração, a mesma que prestava à natureza.
Como pode ser tão simples e imponente ao mesmo tempo?
Prometi voltar, como fica a 5 minutos de casa se for a correr ou se fosse o Obikwelu.
E voltei ontem por duas vezes, primeiro com a minha Mãe, para lhe mostrar, só mesmo para isso. Que a Mãe natureza nunca estará ao alcance da Mãe a sério, mas que nos pode surpreender.
E depois...mais tarde, ao pôr do sol, para conseguir as cores que trouxe nesta fotografia.
Quem não tem um contacto permanente com a natureza não vai perceber isto, mas : o cuco ainda lá estava e sentia-lhe o som, o vento soprava lentamente, era brisa.
Ao fundo permanecia tudo intacto, as cores, os sons, até o sol que esbatia ao longe sobre aquele manto verde que intervala as montanhas com o rio, sim porque ali ao fundo onde bate o sol, passa o Rio Zêzere.
Despedi-me cordialmente do cuco, com um "até logo", passei água na cara, só para me refrescar, acenei com gratidão a tudo isto e voltei, voltei com esta fotografia que tem tanto de bonito como de saudável, porque se inspirarmos neste momento...entrará oxigénio nos nossos pulmões.
Voltei a escrever com o coração inteiro, porque existem momentos que nos devolvem a paz e nos fazem sorrir por dentro e gargalhar por fora.

em Vila Velha de Ródão, Portugal

Entre o azul do céu e o da água sobressai o verde da natureza e um canal que separa as rochas...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

...E aquele cheiro a verão?...
...e o som das cigarras atrapalhado com o dos passarinhos, o cheiro a terra. O calor que nos transpira ao mesmo tempo que nos revigora.
Que nos faz passar a água na cara, só pelo prazer do "fresquinho".
...o alpendre azul (é sempre azul), onde podemos caminhar descalços, fazer festas ao cão, antes de nos deitarmos na rede : a ouvir e a sentir.
A chatice das melgas que nos fazem falta em dias frios, a brisa que nos toca na pele e nos faz suspirar, mesmo que por momentos.
Esses momentos que valem dias, que nos fazem perder. Que nos acompanham uma vida toda, são as memórias da infância, ás vezes da adolescência.
E o cheiro a terra misturado com o cheiro dos pinheiros, da erva já seca ou dos rosmaninhos. Ás vezes um toque de eucalipto, só para não se tornar enjoativo.
As jardineiras por cima de nada. o assobio que ecoa do outro lado da encosta porque a melodia é feita de silêncios.
O som dos riachos, ou das ribeiras, sem pausas nem ritmos.
A natureza é preciosa. E se a soubermos apreciar? se lhe retirarmos partido?
Tenho andado sem inspiração para escrever, quem me conhece de perto, sabe os motivos ou conhece as razões.
Mas quem não sabe escrever sobre memórias? estas...as que escrevi...vivi-as ontem.
Hoje vou "devorar" a lua, com a mesma intensidade com que me fiz(desfiz) neste pôr do sol.
Os raios que saem do dono e cobrem estas plantas mesmo junto a mim, tocaram-me na pele e senti-os de olhos fechados.
Da natureza...com as memórias dos cheiros e dos sons.

em Quarteira, Portugal

O pôr do sol no Algarve, sem filtros, sem ruído. Apenas assim : simples e natural com uma tonalidade que nos faz sonhar, mesmo que estejamos acordados.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Eram 7h40 da manhã, não foi no Mónaco, mas era curva contra curva...ladeado pela natureza e coberto por nuvens que pareciam uma montra composta.

em Cascais, Portugal

Foi num domingo de calor, luz e nuvens, no Farol de Santa Marta em Cascais...

em Janeiro de Cima, Portugal

Este barco faz a travessia pelo Zêzere há mais de 40 anos, mas está parado há 10 minutos, para descansar a madeira e os remos. O remador já há muito se habituou à travessia e passa a hora de pausa a fumar 4 cigarros.
Este é o rio Zêzere, nasce na Serra da Estrela e desagua no Tejo, aqui estamos a meio do seu caudal.
Entre os reflexos límpidos na água e os tons de final de dia em terra e no céu.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Passavam minutos das 7h da manhã, o relógio da torre da igreja tinha dado as 7 badaladas e ainda me refazia do toque...quando olhei para os minúsculos buracos da persiana que tapava a porta da varanda, entre eles via laranja, violeta e púrpura.
Não me lembro do que aconteceu depois, porque num impulso saltei da cama já com a Nikon na mão...devorei a palete de cores que revoltava o céu e respirei um ar frio mas limpo. O sol aparecia minutos depois e levava com ele as cores...
Hoje o dia nasceu assim...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

As saudades que tinha disto, do ar puro, do verde em contraste com o azul e laranja.
É aqui que tenho sempre uma epifania e volto ao mundo tempos depois. É aqui que encontro o fôlego para voltar sempre que viajo.
Chama-se porto de abrigo.
Fecho os olhos e sonho, abro os olhos e sinto que ainda continuo nele.
A preocupação deixa de existir e o único perigo são os dejectos de um pássaro na cabeça (pode ser engraçado mas é real).
É bom voltar...voltar assim...

em Vila Velha de Ródão, Portugal

Ultimamente tenho tido variedade e qualidade no que a paisagens diz respeito. Contemplo-as sempre da mesma forma : com admiração e por vezes respeito.
Quando aqui cheguei, sabia o que me esperava, porque estava a repetir o sitio e há muito tempo que o queria revisitar.
Com o deslumbre inicial, dei tempo e espaço a um tumulto de sensações, porque gosto de sítios assim, admiro a natureza criada pelo tempo com a ajuda do clima.
Pensava nisso, quando ouvi um barulho, era o apito do comboio (ele existe, para quem não acredita), aproximava-se pela linha férrea que passa por aquele caminho íngreme mas de paisagem divinal. Era a junção ideal, a juntar a tudo aquilo, ainda tive a sorte de estar por lá no horário em que passava o comboio (e juro que não tenho cunha na cp). Respirei de contentamento, fotografei para depois pousar a câmara e admirar a paisagem.
Ela está lá todos os dias, mas eu não...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Saí de casa com o objectivo bem definido na cabeça.
Fotografar a estrada que me " leva " à Serra da Estrela.
A direcção é ao cume de neve onde sol ainda bate por mais meia hora. Por aqui deitei-me nos trilhos onde as linhas brancas são pontos de direcção e o asfalto se consome com o tempo.
A natureza compõe o resto...

em Manteigas, Portugal

Olhei várias vezes e pensei numa história, ou até em várias, mas não consegui ficar preso a nada, soltei a imaginação e decidi que num bosque encantado e colorido cada um deve escolher os sonhos à sua maneira...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Ontem voltei ao meu sítio mágico e ele estava como sempre.
Com cores de sonho e uma paz que só se sente se for vivida. Susceptível apenas aos chilrear dos pássaros.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Nunca foi tão difícil escolher uma fotografia para publicar, como hoje, porque todas têm o mesmo céu, mas em todas ele tem cores diferentes.
Mas história é simples. FOI ESTA MANHÃ.
7 : 00 - O meu telemóvel toca a primeira vez. Viro-me para o lado.
7 : 01 - Toca novamente, viro-me para o lado de que me virara.
7 : 02 - Volta a tocar, decido finalmente olhar para ele. Dizia " Julio " no visor. ( mas o que é que este gajo quer? ), finjo que não vi nada.
7 : 04 - Ele volta a tocar. Decido atender e do outro lado, oiço o Julio entusiasmado :
" Mira marico, el cielo hoy está como nunca lo he visto. Sale de casa ya y va fotografar. Ni te vas a creer..."
...Ainda o Julio se estava a despedir, já eu tinha a câmara na mão, uma lente no bolso e preparava-me para sair de casa com coração aos pulos.
Só o Benfica e a fotografia me levantam a esta hora da cama.
Saio de casa e o cenário é este, o dia nascia mágico, as nuvens envolviam-se com o sol tímido a a temperatura eram - 2 C.
40 minutos depois volto para casa. Ligo ao Julio ainda da rua a agradecer-lhe (tremia a voz com o frio)...e reparo então no pijama ás riscas e nas pantufas de lã que eu ostentava com orgulho e de peito cheio...apenas porque me esqueci mais uma vez de me vestir antes de sair de casa.
(Caramba, já tinha dito bom dia a 4 pessoas).

em Serra da Estrela, Portugal

A Serra da Estrela na vertical em cores, montes, ou caminhos. Nas pedras, no cheiro, na suavidade ou na intensidade.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Foi hoje. Cheirou a primavera.
E quando o sol desaparecia e deixava lugar ao frio, ainda lhe aproveitei os últimos raios que se confundiam entre as cores de plantas que floriam precocemente.
Quis rebolar como habitualmente mas senti o frio e levantei-me da mesma forma que caí, em milésimos de segundos.
É a natureza com o poder da última luz do dia.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

A Serra da Estrela é o ponto mais alto de Portugal Continental mas nem por isso a avistamos de todos os sítios.
Se viajares para Tóquio por exemplo não consegues vê-la desde lá, por causa da poluição visual.
Eu tenho a sorte de a ver desde o sitio onde vivo. Hoje o sol quando estava a despedir-se do dia, andou ali numas cores violetas ou rosadas e eu fui logo fotografar a paisagem e o céu. Calhou meter lá também a Serra da Estrela e calha ela própria a estar coberta de neve.
Tirei algumas fotografias e esta é a pior na minha opinião, foi por isso que a publiquei, para que as que venham consigam fazer suster a respiração...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Há dois dias que aqui vim e na realidade ainda só o meu corpo saiu deste sitio. É o sol a cobrir o campo.

em Pampilhosa da Serra, Portugal

Já repeti várias vezes que gosto de tudo o que faço, mas de umas coisas mais que das outras. Gosto quando sinto que faço o " pleno ", quando olho para a imagem e sou absorvido pelas sensações e me transporto para todos os sítios possíveis ou até para lado nenhum. Este é um desses casos.
Ontem fui apenas meter gasolina na mota, mas sei que quando passo por aqui, a paisagem pode surpreender-me, são uns 1300 metros de altitude a dois passos de casa e quase que posso contemplar dali o mundo se for com vontade disso. O pôr do sol nunca é igual, existem 365 diferentes.
Era assim que estava ontem, sentei-me e senti aquela sensação de movimento...tomado pelas nuvens, pelo silêncio, pelo ar puro, ou pelo vento frio, pelo asfalto simétrico aos olhos....;
Este é um lugar especial, é por isso que nunca levo là excurssões e só ensino o caminho aos corsos, às raposas e a meia dúzia de toupeiras.
Não tenho passado por tempos fáceis, mas ontem recebi este sinal de que o caminho é para a frente...e se nos depararmos com este horizonte orgásmico, podemos assumir que existem momentos perfeitos.
Em todo o tempo que ali estive ouvi esta música, se a colocaram alta e olharem para a fotografia, vão sentir...sentir muito mais...:
Sigur Rós - Fjögur píanó

em Pampilhosa da Serra, Portugal

Já repeti várias vezes que gosto de tudo o que faço, mas de umas coisas mais que das outras. Gosto quando sinto que faço o " pleno ", quando olho para a imagem e sou absorvido pelas sensações e me transporto para todos os sítios possíveis ou até para lado nenhum. Este é um desses casos.
Ontem fui apenas meter gasolina na mota, mas sei que quando passo por aqui, a paisagem pode surpreender-me, são uns 1300 metros de altitude a dois passos de casa e quase que posso contemplar dali o mundo se for com vontade disso. O pôr do sol nunca é igual, existem 365 diferentes.
Era assim que estava ontem, sentei-me e senti aquela sensação de movimento...tomado pelas nuvens, pelo silêncio, pelo ar puro, ou pelo vento frio, pelo asfalto simétrico aos olhos....;
Este é um lugar especial, é por isso que nunca levo là excurssões e só ensino o caminho aos corsos, às raposas e a meia dúzia de toupeiras.
Não tenho passado por tempos fáceis, mas ontem recebi este sinal de que o caminho é para a frente...e se nos depararmos com este horizonte orgásmico, podemos assumir que existem momentos perfeitos.
Em todo o tempo que ali estive ouvi esta música, se a colocaram alta e olharem para a fotografia, vão sentir...sentir muito mais...:
Sigur Rós - Fjögur píanó

em Sortelha, Portugal

Há imenso tempo que queria conhecer este lugar.
Chamam-lhe Águas Radium. Era um local termal há quase um século, hoje são pedaços de ruínas de um edifício imponente e de uma arquitectura forte.
Fui acompanhado, por causa dos fantasmas e felizmente só vi meia dúzia deles, neste dia as nuvens pareciam vir das "trevas" e o cenário que eu desejei impôs-se.
Vim contente e agradeci aos deuses do mistério.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

A natureza pode ser assim : Simples...

em Salzburgo, Áustria

Era domingo, o dia de Jesus e aposto que ele não me quis defraudar. Eu havia acordado com esta paisagem, pensei até pegar nela e escrever um postal para enviar para a minha Mãe, mas depois percebi que não ia dar lucro nenhum ao comércio local e temos que ser uns para os outros.
Mas adiante, acordei assim : eram 7h da manhã, dormira numa casa rural nos arredores de Salzburgo, deixei as cortinas abertas para despertar com o sol a bater-me na cara e bateu. Levantei-me abri a janela, enchi os pulmões de ar e o cenário era este : os Alpes Austríacos, a separá-los de mim, um rio a poucos metros, o som dos pássaros já se fazia sentir, assim como frio da manhã.
Quando tudo parecia perfeito e eu pensava que era impossível uma melhoria aqui e ali, dos rés - do - chão chegava um som, intermitente no inicio mas mais forte segundos depois, não era Anselmo dos Ralphes, era Mozart.
Senti-me evadido por emoções e preenchido por tudo. Nunca tinha iniciado um dia assim.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Era verão...ouvia os grilos e cigarras, tinha uma palha na boca...de lado, como fazem os homens com os palitos.
E coçava-me nas virilhas...pelo calor infernal e porque não me dou com "brugos".
Soltei o descanso da mota e urinei ali mesmo...para dar de beber em dias de seca...
Depois contemplei o horizonte...era imenso. Soltei de novo o descanso...passei com a mota por cima da poça de urina para parecer cross e acelerei de cabelo ao vento e capacete no braço (como faz um bom "tuga").

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Sem filtros ou quase sem edição. Só com o sol e a natureza.

Nocturnas

É como caçar constelações. Ou fazer acordar o mundo das estrelas, dar luz ao silêncio e aproveitar uma galáxia de cores que se aproxima com o nascer do dia ou o cair da noite.

em Minas da Panasqueira, Portugal

Uma fotografia pode reflectir trabalho se ela for as Minas da Panasqueira, pode significar valentia, humildade, sacrificio e união se ela falar sobre os mineiros e túneis feitos de galerias com milhares de km de extensão e de bravura. São mais de 100 anos a extrair da terra o ganha pão com suór, esforço e dificuldades.
As Minas da Panasqueira são as maiores minas de Volfrâmio do mundo e reerguem-se através dos anos...por homens de coragem.
Eu passei há pouco por elas, espreitei entre a luz do turno da noite...debaixo de uma lua do tamanho do esforço desta gente.

em Águas Radium, Sortelha, Portugal

A locomotiva...às 4h da manhã...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Estou de volta...
...com a Aldeia, numa prespectiva de que nunca foi fotografada, a minha Avó com 94 anos, confirma-me a exclusividade da imagem.
Existia neste sitio um pinhal que impossibilitava a vista durante dezenas de anos a fio e depois o local ficou com um acesso dificil.
Eram 23 horas quando a eternizei assim : ladeada por um verde que parece não ter fim, debaixo de um céu incrivel e iluminada por luz artificial e pelo coração das pessoas que habitam os lares, mesmo que poucos.
Sobra-lhe a história de uma Aldeia com o nome de um santo que é o mesmo do meu irmão e coberta pela natureza numa confluência entre ribeiras e vales ou montanhas.
Da minha Aldeia para o mundo pelas 23 horas...

em Paris, França

Conheci neste dia as Argentinas e combinámos com elas no Trocadero, que é um dos poucos locais onde se pode fotografar a Torre na integra e de frente, sem que nada desvie a atenção.
Mas depois disso, fomos ver de um bar, com cervejas baratas e bem dita essa hora, porque foi por esse motivo que passámos aqui por baixo, da grande dama e a retive pela 1h da manhã, numa imagem que podia ser um diamante.
Rezei ao Gustave por tê-la feito tão bem feita, ao Thomas Edison porque se ele não inventasse a luz eléctrica eu estaria tramado e à raridade da cerveja barata por Paris, porque se assim não fosse teriamos ido a um qualquer lugar e não teria passado por aqui àquela hora.
Antes de vir embora, calcei umas botas de biqueira de aço e fui certificar-me se aquilo ainda está para durar, pareceu-me que sim, 10 " biqueiros " depois.

em Londres, Inglaterra

O planeta terra tem 7 mil milhões de pessoas, são 2123 mil km que se separam Portugal de Londres, mas ainda me sinto lá, com os meus 2 amigos, Jose Geraldes e Marcos Gonçalves. Esta foi até hoje a viagem da minha vida, por tudo o que a cidade engloba e por estar na companhia dos meus. O que vivemos ali ultrapassou o que sonhara. A vida é simples mas também preenchida de coisas boas. Um dia, eu, o Marcos e o Zé voltaremos, até lá vamos sobreviver uns sem os outros, nós sem Londres e Londres em nós. Na semana passada encontrámos a conjugação perfeita. Quando tirei esta fotografia já passava das 21h ( soou o relógio do Big Ben ), estava com eles, no melhor sitio do mundo a viver um dos momentos da minha vida.

em Cabeço do Pião, Portugal

Voltei a este sitio. Passavam das 3h da manhã. Com a diferença de que o céu desta vez estava semi nublado, com as estrelas intermitentes.
A lua, que era nova descobria-se das nuvens mesmo no cimo da montanha.
O resto do cenário pode parecer o faroeste mas são as escombreiras das Minas da Panasqueira e casas perdidas e inertes que em tempos foram foco de uma potência mineira.

em Lisboa, Portugal

São quase 5h da manhã e acabo de chegar há pouco de outra maratona fotográfica com quase 24 horas. Ia deitar-me...levado pelo cansaço.
...mas lembrei-me de repente de uma das coisas que me trouxe a Lisboa... : a LUZ.
Foi por isso que me vim agarrar a esta fotografia que tirei a noite passada pelas 2h da manhã. Não podia dormir sem partilhar o que me fascina, porque é assim que a rede das emoções de faz.
Munido de lanternas e com parceiros de combate, dos bons, fui para a margem sul, afim de apanhar Lisboa e a ponte com luz.
Tive a sorte de ter o céu do meu lado e o resto é mágico... : São nuvens feitas de algodão, castelos de luzes, um horizonte que merece contemplação e os reflexos no Tejo. São watts de sonhos...de encher o fôlego.
O mundo parou naquele instante.
...depois continuou...mas intervalado por esta imagem.
De Lisboa com luz...

em Amesterdão, Holanda

...uma semana depois, volto assim.
Ainda não tinha chegado e já tinha decidido que esta seria a primeira fotografia a publicar quando voltasse. Porque é impossível fazer algo errado neste sitio, porque aqui tudo corre bem se a luz estiver como está todos os dias e se as janelas estiverem abertas para o mundo. O reflexo, esse...existe sempre.
Fechei a porta do Hostel sem saber que a fachada traseira do edificio pertencia a esta paisagem que tantas vezes vi em fotografias.
Procurei incessantemente este local, sem saber que estava a 30 segundos de mim. E ainda bem que o equivoco perdura muitas vezes na nossa vida, porque abordei Adam, um cidadão do mundo que havia regressado de Tavira há 15 dias, disse-me : " Fica tranquilo..." e "...feijoada no bairro alto..."; fiquei boquiaberto, - ...este gajo sabia falar umas coisas em Português...e lá lhe expliquei que a especialidade do Bairro Alto não era bem a feijoada. Indicou-me então que esta fachada de prédios presos a um reflexo no canal e que fazem parte do cartaz de visita ou dos iman´s para frigorificos, era logo ali.
Um abraço e um passou bem e fui-me embora. Quando cheguei, fui assolado por isto : um trocadilho de luzes e reflexos que só se explica...vivendo-se.
Eu vivi-o.
O hostel onde fiquei é 5o edificio da esquerda para a direita e o meu quarto era naquele último andar, o que tem menos luzes ligadas, porque eu não estava...ou estava, mas na outra margem.
Amesterdão pode ser isto ás 22h30 ou toda a noite.

em Lisboa, Portugal

Que nunca se impeça de ver o que se anseia, ou aquilo em que acreditamos. Nem que se tapem os ouvidos e se cale a boca...porque somos ruído e silêncio.
Porque somos intensos por sermos simples e somos também o contrário...
Esta fotografia são pontos luminosos de silêncio que me entram na alma e teimam em ficar ou se atracam à beira do cais...numa corda com um nó bem apertado. Pode ser loucura...mas que seja perdoada. Porque é Lisboa.

em Lisboa, Portugal

O Eduardo nasceu pobre, vivia com mais 7 irmãos numa casa com apenas um quarto. Mas aos poucos começou a vingar, aos 7 anos já trabalhava.
Apanhava o 7 que ia do Areeiro para Estremoz e era no Alentejo que trabalhava 7 horas por dia, para ganhar já naquela altura 7 centavos.
Mas o Eduardo tinha olho e ao cabo de 7 meses na apanha da azeitona por Estremoz, decidiu investir o dinheiro e comprar o Parque daquela vila.
Remodelou todo o parque, chegou a fazer excurssões turisticas para se visitar aquele espaço, estava aberto aos turistas nos 7 dias da semana e por 7 escudos permitia a entrada de grupos de 5 jovens com direito a desconto de 7 milréis mais um casal de adultos.
O sucesso foi de tal forma tremendo que 7 anos volvidos já tinha mais 5 parques, 4 em território nacional e 70% de Hyde Park em Londres.
Aos 20 anos era um jovem ambicioso que já não sentia a miséria que lhe assolou toda a infância.
Tinha 7 empregados em cada um dos 6 parques para lhe cortarem a relva e já naquela altura ele lhes permitia descontar para a caixa, quando o imposto do iva era apenas a 7%.
O Eduardo era visto com admiração, não só em Portugal, mas nos 7 cantos do mundo.
Ajudava os mais pobres, nunca permitiu que a sua familia passasse mal e aos empregados ainda lhes oferecia o subsidio do 7o mês, como prémio pela lealdade ao longo dos anos.
7 dias antes da sua morte e já perto do abismo da vida, Eduardo já em convalescença...mas lúcido como sempre...acordou pelas 7h da manhã e mandou chamar a branca de neve e disse-lhe as seguintes palavras :
" Olá Branca de neve, sabes a estima que sempre tive por anões, ( porque na altura em que foi para Estremoz, trabalhava com anões, que por virtude de não chegarem às oliveiras, apanhavam a azeitona do chão )...e se fosses ali acima ao mercado e comprasses 7 anões? "
BN :: " Eduardo, mas já tens a mobilia toda ocupada, para que queres mais peças de barro? e depois onde os metes ? "
" Anões de verdade, dos reais e a cada um deles deixarei como herança um dos meus parques..."
BN : " Eduardo, mas tens apenas 6 e lembra-te que o de Londres é teu e dos teus sócios ".
E foi naquele instante que bateu à porta o Rei Eduardo VII do Reino Unido...tinha visitado Lisboa anos antes para reafirmar a aliança entre os dois países e foi-lhe doado um espaço na altura ao cimo da Avenida da Liberdade com 7 hectares. Mas este estava falido e vinha falar com o Eduardo para ver se lhe o comprava.
O negócio ficou fechado ao fim de 7 longas horas de negociações por 7 contos.
Já comprados então os 7 anões, foi assim que Eduardo deixou em herança um parque para cada um.
Este da imagem é o que o Rei vendeu a Eduardo, talvez o maior, mais bonito e imponente e o único que não chegou a visitar.
Eu fi-lo por ele e fotografei-o. Faltavam 7 minutos para as 4h da manhã quando tirei esta fotografia. E hoje, 7 dias após a minha visita a Lisboa decido publicá-la.
Com uma história escrita em 7 minutos e ao acaso, é o Parque Eduardo VII...

em Portela de Unhais, Portugal

Andava com esta imagem na cabeça há uns meses, só esta noite a fotografei.
A força da Engenharia Éolica, comandada a vento, a via láctea logo por cima, um céu estrado, e duas ou três nuvens que estavam de passagem...

em Lisboa, Portugal

A cidade dos 7 pecados mortais:
- Luz
- Cor
- Rio
- Mar
- Modernidade
- História
- Sol

em Amesterdão, Holanda

Um ponto de luz só é vencido por vários pontos de luz.
Fiquei sem fôlego quando aqui cheguei, nem consegui soprar o vento.
O conjunto de reflexos, luzes, prédios, barcos, edificios pequenos e grandes e cores invadiu de imediato o meu campo de emoções e senti-me preso àquele lugar.
Ainda hoje, quando por vezes fecho os olhos vejo aquele jogo de luzes.
Enquanto tirava uma sucessão de fotografias ...

em Portela de Unhais, Portugal

Numa noite de lua cheia, a natureza desfez-se em algodão por cima das aldeias perdidas entres os vales e montes.
Fui lá assistir a tudo.

em Águas Radium, Sortelha, Portugal

As Águas Radium pelas 5h da manhã, debaixo da luz da noite.

em Amesterdão, Holanda

Damn Square...é um local de luzes e divertimento quase no centro de Amesterdão e um pouco ao lado da Red Line District.
Quem ali chega fica rapidamente fascinado pela música, é tipica das grandes feiras, remete-nos para os filmes Americanos e depois vemos na sua maioria pais com crianças ou jovens que ali estão para sentir a adrenalina.
Eu cheguei lá porque vi a roda ao longe e então este tornou-se num ponto de orientação.
Foi aqui que conheci Julia, uma senhora simpática e de coração gigante, mas de olhar perdido e lacrimejante.
Olhava para as luzes e chorava ao mesmo tempo que sorria, mexia-se com o ritmo da música.
Acerquei-me dela com convicção e preparado para conhecê-la.
Recorri ao óbvio : "...precisa de ajuda?"
E dali em diante estabeleci diálogo, uma conversa amena mas forte, a carga emotiva foi visível na Julia e deixou em mim marcas naquela noite e talvez para sempre.
Julia tem 77 anos, é Dinamarquesa. Perdeu o marido há 10 anos mas perdeu o filho há 50, ele tinha 6 anos. Foi atropelado numa cidade pequena no norte da Dinamarca, pelo autocarro da escola onde estudava.
Jim era o nome do malogrado pequeno. Não mais a vida de Julia foi igual, ficou presa ao passado e evitou viver um futuro que dali decorreu.
Nas férias, aos fins de semanas, em todos os tempos livres, Julia e o marido levavam Jim a passear e presentavam-no sempre com aquilo que ele mais amava, uma feira popular.
Os olhos de Jim brilhavam mais que a luz da feira quando numa delas brincava.
E uma semana antes de morrer, Jim, Julia e o marido estiveram aqui, em Damn Square.
Julia diz que nunca mais largou o sorriso que vira a Jim nestas horas de magia. Que se fechar os olhos vê a ternura, a excitação e a alegria com que descia na roda gigante.
Julia chorou, comoveu-se nestes instantes, eu comovi-me com ela.
Dei-lhe um abraço apertado, sem falar, sem acrescentar nada e foi tomado pelo impulso que a abracei, até lhe sentir um sorriso.
Depois de a largar explicou-me que um ano depois da morte do seu filho veio viver para um pequeno apartamento com vista para a feira e que todas as noites antes de se deitar, vem aqui e cumpre um ritual com cinco décadas : fecha os olhos, sente a mesma música e vê o Jim baloiçar-se e correr, repleto de vivacidade.
Emocionei-me e não lhe disse nada, sorri...para lhe dar conforto e abracei-a novamente. Senti que lhe havia feito bem falar e ver-me. Que a vida nos encarrega de sermos felizes e por vezes de aliviarmos a dor, a nossa ou a de alguém.
Ela não sabe, mas naquele dia contou-me uma história que nunca esquecerei.
Pensei dois segundos antes de combinar comigo próprio que não queria fotografar Julia, que a queria eternizar no pensamento e trazê-la na retina da memória.
Preferi fotografar a eclipse de um tempo que não se foi, porque a feira se encarrega de o trazer todos os dias.
Com Julia e a feira e uma música que se sente sem se ouvir...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Impedido de fotografar nestes dias de estrelas cadentes ou fugazes ou meteoritos, mas consciente de que o fenómeno acontecerá até final de agosto e esperançado de poder fotografar qualquer coisa...trouxe hoje...as estrelas do mês passado, com arrastos de luz e cor. Eram 4h da manhã...

em Lisboa, Portugal

Os rastos de luz em Lisboa são de tal forma incríveis que podemos ver as pessoas na Rua Augusta, ou a calçada, com um eléctrico à nossa frente.
É fácil Amar -( elo )...aqui.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

A luz da noite é das coisas que mais me fascina, por ser mágica se a soubermos aproveitar.
Este é um dos recantos mais bonitos da minha Aldeia, é um lugar de história, com história, de expressões, de emoções, de detalhes fortes, com um cheiro caracteristico, é peculiar e diferente...e à noite é assim : fascinante.
Volto de quando a quando, nem que seja para melhorar a mesma imagem, nem que seja para ver a firmeza de cada pedra, nem que seja para estar...por estar.
Ontem voltei, a cigarras cantavam ali perto, ouvia-se um mocho perto da torre da igreja mais antiga e o resto era silêncio. Sentei-me, olhei várias vezes, " vi " as vidas que por aqui se viveram, senti a agitação de outrora e a acalmia de hoje.
Na janela que dá sinal de gente, ouvem-se as noticias que saem de um rádio, não eram perceptiveis, mas entre murmuros, percebi que para esta semana : " ...o céu estará temporariamente nublado e por vezes existem abertas, sem periodos de chuva..." ;
Pareceu-me que vêm dias suaves, suspirei e voltei a contemplar, um lugar que parece imaginário mas que existe aqui junto a mim.
Prefiro o dia à noite, gosto da luz do sol, mas aqui poderia ser sempre de noite.
Da minha Aldeia para o mundo.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Passei o dia a fotografar. Cheguei a casa e quando pensei estar cansado, passei as fotos para o computador, pus novamente a mochila às costas ( como fazem os miudos da 4a classe ) e saí para fotografar.
Escolhi o campo da bola da minha Aldeia e juntei-lha a via láctea. Como não gosto de aparecer...apareci. Podia ter escolhido uma gruta, uma cama de javalis, 7 suecas. Mas foi nesta baliza que o meu Avô marcou os seus primeiros golos. Decidi colocar-me perto e fazer do feixe de luz a intermitência entre o passado e o presente...
Como se fosse um golo daqueles.
Nos 30 segundos em que estive ali parado, passou um javali por mim, cheirou-me as sapatilhas e foi à sua vida ( maçarocas de milho ).
Cheguei agora a casa. Vou fechar a via láctea e dormir.

em Paris, França

Esta devia ter sido da primeiras fotografias a publicar...por tudo...mas por ser o símbolo maior de Paris ou até de França. E porque a fotografei de noite, quando ela parece mais imponente ainda. Mas decidi publicá-la, hoje a esta hora, por muitos motivos, mas principalmente por este :
Há 15 dias atrás, quarta-feira como hoje, faltavam 15 minutos para a meia-noite pude fazer esta e outras fotografias assim, há meia-noite ela piscou luzes azuis, que também fotografei, durante 20 minutos seguidos e será assim até ao verão.
Se fechar os olhos e me reportar 15 dias atrás, por esta hora ( exactamente )...era isto que via...
Estou a tentar fazer uma piada, mas não consigo porque a pele se arrepia, os olhos lacrimejam e o coração sente. Posso estar a ter um orgasmo visual ( mas não lacrimejo quando acontece ).
Caramba que ver a Torre que foi feita por pessoas e desenhada por Eiffel de noite, é de uma magia inacreditável e na impossibilidade de o explicar por palavras...que esta imagem escreva o resto...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Era a maior do século e estava assim no domingo, a lua.

em Minas da Panasqueira, Portugal

As Minas da Panasqueira e todo o couto mineiro. À superficie são as casas, os edificios inerentes às Minas, as escombreiras e o barulho da lavaria ou das oficinas.
Mas debaixo de terra existem milhares de km em galerias e trabalhadores com turnos seguidos ou variados, encontra-se o esforço de vidas que trabalham para viver ou sobreviver e outras que se perderam naqueles pedaços de terra que podemser ao mesmo tempo...de risco. Existe uma vida que não se vê a olho nú mas se sente há mais de um século.
Ao fundo é a Covilhã e todas as Aldeias que separam as Minas da Panasqueira da cidade, entre os montes e vales...que culminam com a Serra da Estrela.
Foi numa noite fresca de verão, com a luz da lua, pelas 4h30 da manhã.

em Covilhã, Portugal

A Covilhã é bonita vista de muito lugares, mas devia ser vista pelo menos uma vez daqui.
As luzes que emergem da cidade da lã e que a iluminam. A Serra da Estrela que a guarda e a compõe como se de um desenho se tratasse.
E a linha...e é esta que mais me marca, os trilhos férreos que parecem brilhantes e nos levam sem rumo mas destino.

em Amesterdão, Holanda

Estou dentro do hostel, numa das janelas que se vêm das outras fotos nocturnas que tenho colocado. Esta é então a visão do outro lado da margem.
Os tons amarelos predominam, a magia mantém-se e os reflexos causam impacto.
Eu fotografava a Luiza, dentro do hostel, a Brasileira cuja história já vos contei e nos entretantos entre o sorriso dela e as paredes de um hostel rústico e peculiar vi o outro lado do canal...e era assim.
Não hesitei em colocar o tripé no parapeito da janela e enquanto a Luiza observava e lhe explicava o que estava a tentar fazer, saiu esta fotografia.
Os canais de água parecem sempre os mesmos, os prédios parecem sempre iguais, as luzes parecem manter sempre a mesma cor, o céu é da cor das luzes...mas tudo é diferente em Amesterdão, TUDO.
O coração enche-se a cada segundo e os reflexos são de uma magia nunca antes sentida.
Já lá vai um mês que deixei a cidade...mas todos os dias dou um passeio por lá.

em Caria, Portugal

Eram 5h da manhã...e os trilhos tinham a luz da noite...

em Lisboa, Portugal

Eram 5h da manhã...e os trilhos tinham a luz da noite...

em Lisboa, Portugal

Passou e eu continuei ali, a admirar a rua, a sentir o cheiro do calor nas noites de verão, a absorver os rostos das pessoas. A espremer uma cidade em movimento.
Passaram 10 táxis e depois mais 10, 3 eléctricos de 10 em 10 minutos, mais de 20 pessoas por meia hora e na maioria estrangeiros.
Fechavam as lojas e abriam os bares, apagavam-se as luzes e acendiam-se incensos.
Passaram 6 homens de calções, 5 de calças e 16 mulheres de saia com outras tantas de calças ou vestido.
A vida movia-se um ritmo alucinante e eu dava conta dela...sentado ali na berma de uma colina.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Esta noite mudei de rumo, em todos os sentidos.
O caminho não foi o habitual, subi a um monte, teria uns 900 metros e avistava a lua de forma nitida e clara.
Contudo e depois de umas fotos casuais ao cometa mais próximo da terra, deixei a camera no tripé, em descanso, enquanto respirava e apreciava um horizonte já feito noite.
Ao mesmo tempo as nuvens cobriam o céu e tapavam a lua, reparei então que aquilo parecia uma espécie de aurora boreal. Fotografei de imediato essa espécie.
Enquanto o fazia, vi pinceladas no céu, aposto que junto à lua, foram retoques de Salvador Dalí, nos seus tempos mais deprimidos.
E o resto do céu é obra da natureza, é a luz da lua reflectida nas nuvens, estrelas aqui e ali e uma cor azul.
Ao fundo são vales e serras preenchidos por campos eólicos.
Venho a tremer, podia ser por isto tudo que acabei de descrever, mas não, quando se sobe a 900 metros, também se desce depois e caramba como aquilo era vertiginoso.
Por fim, um abraço ao Deus dos céus, hoje esteve perfeito.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

São 3h20 da manhã, deixei este sitio há mais ou menos 1h. Alguns dizem que sou louco por roubar horas ao tempo e à cama para isto. Mas é com a mesma intensidade com que se vivem as coisas plenas da vida que eu saio para fotografar.
Este local é quase "virgem" de pessoas, foi explorado pelas minhas fotografias e por 3 ou 4 castores que fazem os diques deste paraíso recôndito. Diria que não lhe falta nada, que na ausência do resto ele tem tudo. As árvores protegem os ventos, a água é cristalina e as estrelas estão ali todos os dias.
Hoje ele deu-me a luz da noite eu retribui-lhe com a promessa de voltar. O que se sente ali é de um sentimento igual à paz. O silêncio é apenas interrompido pelo obturador da minha camera e nem as estrelas cadentes incomodam este quotidiano. Amanhã volto, levo comida aos castores e trarei comigo a tranquilidade de um sitio mágico.
Se lerem isto a ouvir isto, garanto que é diferente.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Todos os anos por altura do Natal, costumo fotografar a Aldeia de noite e fazer dessa fotografia a esperança e imagem de uma época festiva que tem como elo apenas uma só família.
Este ano já tinha em mente o mesmo ritual, ao mesmo tempo as pessoas da Aldeia, as que estão por fora e as que estão por cá, começaram a pedir-me, a ( re ) clamar a fotografia deste ano.
Quando fotografo a Aldeia deste ângulo, que até é o que mais a favorece, costumam dizer sempre : "...parece um presépio...";
Ora, surge então a altura dele ( s )...quis fazer do nosso porto de abrigo o vosso presépio e portanto que todos vocês coloquem uma árvore de natal com uma estrela acima dele...o céu que se vê daqui é o infinito e as luzes o amor.
Ontem, quando fazia esta fotografia, marcavam - 4 C, ao mesmo tempo que era consumido pelo encantamento das luzes, sentia sobre mim a geada própria de uma noite fria. Saí de lá sem conseguir mexer o maxilar para poder falar...mas repleto de desejos e sonhos...para mim e para vocês.
Creio que nunca fotografei tão bem a Aldeia, creio que nunca uma imagem foi tão carregada de emoções e propósitos como esta.
Peço-vos ( aos nossos )...que façam desta a imagem mais partilhada deste Natal e que assim a Aldeia de São Francisco de Assis circule pelo mundo...a aquecer lares e corações.
Com desejos de um Natal muito feliz e da Aldeia para o mundo.

em Portela de Unhais, Portugal

Eram 4h da manhã, o nevoeiro com a brisa fresca da Barragem de Santa Luzia, pousava sobre quase todo o concelho, o céu parecia uma pintura e o silêncio vencia tudo o resto...

em Lisboa, Portugal

A Ponte 25 de Abril com a magia de uma luz que só é vista se a observarmos assim.

em Amesterdão, Holanda

A Ponte 25 de Abril com a magia de uma luz que só é vista se a observarmos assim.

em Amesterdão, Holanda

Voltei a Amesterdão, voltei com Sigur Rós, voltei na noite que me iluminou os dias e voltei com a mesma nostalgia com que a deixei.
Não consigo falar destes dias sem que me arrepie na pele, sem que me corroa por dentro, ou sem que as palavras tomem aquilo que o meu coração sente.
É magnifico sermos reflexo de um tempo por nós imortalizado.
Naquela noite, a água estava em silêncio, o reflexo que se fazia no canal era limpido como o céu e as ruas eram de todas as cores.
Eu sentei-me na ponte...e a memória ainda eterniza aqueles momentos feitos de luz e magia.
Por vezes não encontramos palavras que descrevam aquilo que o coração sente, foi também o que me aconteceu nesta noite.
https://www.youtube.com/watch?v=Bz8iEJeh26E

em Lisboa, Portugal

A luz de Lisboa é das coisas que mais me arrepia.
As simetrias e os planos feitos debaixo destes watts são magia.

em Amesterdão, Holanda

Como se pode esquecer uma cidade onde a luz substitui a escuridão? Onde os rastos de luz podem até ser de barco e onde os canais de água vivem entre as casas.
Amesterdão é um caso sério de beleza, mesmo quando se faz por conhecer por ser liberal e excêntrica. É uma cidade do mundo.
Sorrimos para um Holandês, pensando que é um Sueco mas na realidade é Neozelandês. Falamos com um Brasileiro pensamos que vem de férias e vive há 10 anos, só porque não sobrevive sem toda esta envolência.
Não há outro local no mundo onde os reflexos na água são constantes ou se intercalam por meia dúzia de metros. Não há outro local no mundo onde a amablidade das pessoas é genuina e não existe ao acaso.
A droga é livre, é uma leve realidade mesmo quando falamos de coisas pesadas, porque as pessoas vivem os limites com a moderação com que não se encaram quando são proibidos.
Aqui eram 23h20 e esta é provavelmente a primeira fotografia em Red Light District que publico, ali ao fundo onde se vê uma igreja, começam a ver-se as primeiras montras ( não as aconselho porque uma delas tem um travesti que se chama Diego, foi o Marcos que me disse ).
O céu consegue ver-se nitido, o que quer dizer que o excesso de fumo não é tão grande assim.
A razão porque chove e logo a seguir está sol ainda não foi explicada, mas eu julgo que as cidades mágicas não se explicam. Vivem-se e sentem-se.
Fui feliz em Amesterdão de uma forma que consigo mostrar. Trouxe comigo tudo aquilo e ainda inspiração.
Portanto se um dia escrever um livro...a história começou aqui...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Voltei. É sempre assim quando somos felizes em algum lugar.
Pouco mudou, a via láctea no mesmo local, as estrelas não se desviaram muito.
As maiores mudanças foram criadas por mim, a mota tinha mais gasolina, mudei de roupa, esqueci-me da roupa interior enquanto a mudava. E levei um repelente para os javalis.
Cortei a via láctea com a lanterna num feixe de luz que parece fazer um " X ", como se daquele universo astral conseguisse trazer para mim e para os outros : Super poderes.
Hoje os grilos e as cigarras estavam mais activos.
E num acto de puro malabarismo decidi subir para a mota e apontar para o céu.
E tudo seria bonito, se a minha companhia não fosse ela extraordinária. Convenci a minha Mãe a ir comigo, ( não a levei na mala da mota )...foi mesmo um pendura perfeito que se encarregou de respirar o mesmo ar puro que eu, comtemplar tamanhas obras de arte da natureza, partilhar isso tudo comigo e ainda disparar o shutter que eternizaria este momento.
Levou dois pêssegos e duas águas, seámos na manta e a noite terminou assim :
" Filho foi mesmo bom, para desanuviar e para tudo, só não sei como não tens medo de andar sozinho de noite..."
- " Mãe, tenho as raposas...a fazer de ti nas outras noites...";
Sorri por dentro e fechei novamente a via láctea, feliz porque amanhã sei que ela estará no mesmo sitio...
https://www.youtube.com/watch?v=oll6UfK6iUg

em Lisboa, Portugal

Não é a luz que distingue Lisboa. É tudo. Ainda não consegui fazer meio por cento do que quero.
...fiz quase e apenas esta fotografia.
Reencontrei o Jakir e ainda não socializei com mais de 4 Norueguesas juntas. Mas foi bom estar aqui...há uns minutos atrás...
Da cidade das colinas...com luz.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Não gosto de fotografar a Lua, porque acho que não dou " uma pá caixa " a fotografá-la. Temos uma relação lixada no que respeita aos horários, nunca acerto com ela e hoje continuo a achar o mesmo, não a sei fotografar. Olho para ela não gosto do que fiz.
Mas é diferente e tem uma cor cool, podia ser uma tangerina e tudo. E como daqui a 18 anos é capaz de estar a chover, tirei-lhe então um retrato.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Podia ser a capa de um vinil dos anos 70. Mas a história desta foto começou há mais ou menos 2 horas.
Mãe : " Marco Sérgio, é perigoso andares no mato e de mota a esta hora, pode vir um lobo e comer-te ". (sem risos)
Eu : Mãe se vier um lobo a mota dá 50km/h, eu fujo. E dos javalis também. E não tenho medo.
Dá aí 3 paposecos para a raposa se faz favor, que é capaz de lá aparecer ". ( e deu, mas não apareceu ).
2 horas depois, algumas fotos depois, movimentos das estrelas depois, agitações de arbustos depois...chego a casa.
E chego como sempre, feliz. Vale sempre a pena fazermos aquilo que gostamos.
Mostrei-lhe a fotografia, sorriu e murmurou : "...valeu a pena... ".
Pois valeu Mãe, vale sempre a pena fazermos o que o nosso coração manda, fugirmos ao dia para dar voz e rosto à noite. ( Não lhe disse esta parte final, mas devia ).
Estive nesta recta desde as 22h.
https://www.youtube.com/watch?v=8LeQN249Jqw.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

A via láctea é uma galáxia em espiral que vista da terra aparece como uma faixa brilhante. Tem entre 100 e 400 bilhões de estrelas, pensa-se que terá mais ou menos 13 bilhões de anos. Estrelas como o sol, são comuns, mas tem outras super gigantes.
E o núcleo da Via Láctea encontra-se a cerca de 26 mil anos-luz do Sistema Solar.
A minha Aldeia só tem duas balizas, escolho sempre a mesma, mais a norte, porque tem a nebulosa logo ao lado, que ou é uma nuvem de poeira, ou de hidrogénio ou de plasma, fica mesmo ali, atrás da baliza, a completar um cenário que parece feito a pincel.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Saio de casa para fotografar de noite. Levo comigo: uma mota, lanternas, uma raposa, um canivete de artefacto suiço, coragem e um coração cheio de luz para atrapalhar o escuro da noite, os olhos brilham na maior parte das vezes, os da raposa também e espero horas para fazer uma fotografia que seja. Posso voltar com a noite perdida entre tentativas e um céu nublado, mas trago sempre comigo felicidade.
Ontem foi mais um dia, não sei bem o motivo, mas escolhi o campo da bola da minha Aldeia. Pousei a raposa no chão, liguei as luzes ao canivete e puxei das lanternas para cortar uns arbustos que me apareceram no caminho. A mota elevava-se pelo descanso e eu meti mãos à obra.
Uma baliza, um campo pelado, memórias dos golos do meu avô...intervaladas por 9 décadas, natureza e uma constelação que teimava em não sair dali. 10 minutos depois passou a existir esta fotografia.
Levantei o descanso, a mota não caiu e de punhos bem cerrados no guiador, cheguei a casa com um sorriso largo. A minha noite terminara assim.
Escrevi isto a ouvir isto e foi melhor.

Cidades

A história das cidades do mundo em geral é longa, pelo que decidi fazê-la de instantes. São lapsos de um quotidiano urbano à luz do dia ou da noite.

em Paris, França

Ao fundo não é a Torre de Belém mas foi para mim um dos maiores descobrimentos, perceber que em Puteaux (o bairro onde vive o Antony) tem um dos pontos mais bonitos para se ver a Torre do Gustave ao final do dia.

em Londres, Inglaterra

Não escondo de ninguém que Londres foi uma das viagens da minha vida. Talvez porque ainda não fui a Cabeceiras de baixo, ou de cima. Todos os dias revisito Londres, num álbum que tenho no meu computador através de fotos.
Hoje decidi colocar uma nova fotografia que tirei por lá, num momento em que apanhei o Palácio de Buckingham (sem que a Kate estive nua á janela) e um típico táxi Londrino.
A junção dos dois foi propositada e o taxista não se apercebeu disso. Dois minutos depois a guarda mudou e eu tentei dar a volta a uma Paquistanesa (sem efeito).

em Lisboa, Portugal

O eléctrico noutros tons, com a calçada de sempre. E a perpendicularidade de uma cidade incrível.

em Porto, Portugal

As casas, o sol, as cores ou a simetria entre as janelas e o coração das pessoas : É o Porto.

em Porto, Portugal

As casas do Porto são de muitas cores e o coração das pessoas também.

em Zurique, Suiça

Uma estação de comboios é sempre para mim, um local de partidas e chegadas, de amor, de reencontros e despedidas.
Ás vezes também têm comboios.
Nesta, eu encontrei-os, estavam na linha férrea, como é habitual, predominava o vermelho e diferenciavam as carruagens entre o antigo e o moderno. Ao fundo, vi o caminho que eles seguem.

em Lisboa, Portugal

Lisboa é feita de trilhos...nas calçadas, no asfalto, dão passagem a eléctricos ou elevadores.
Aqui é na Bica, guiei-me pelo carril e segui-lhe a descida...

em Lisboa, Portugal

É a luz que pousa sobre os trilhos dos eléctricos...
( Não fazer isto em casa )...

em Lisboa, Portugal

...as simetrias de Lisboa...

em Lisboa, Portugal

Com simetria...de Lisboa.

em Paris, França

Todos vemos as fotografias de diferentes formas e esse é um dos fascínios do instante capturado.
Esta fotografia leva-me a Itália, a Génova num dia frio, com música por todo o lado e cores quentes.
Mas é em Paris, ou Montmatre. Ouvia "La Vie en Rose" num café ao lado e a mota subia a calçada, aquele clima inspirou-me ao romance e corri em direcção ao centro da estrada, esperei que ela se aproximasse de mim e fotografei aquela imagem que me remete para muitos sítios.
Passou por mim a 50 à hora, o perfume de Anne tomou-me conta do olfacto e os cabelos que saiam do capacete e rompiam o vento foram a última imagem.
De Montmatre.

em Salzburgo, Áustria

Não se descrevem alguns sítios, mas descreve-se a magia que alguns deles nos causam.
Em Salzburgo é assim, o rio não tem margens, tem claves de sol; as casas são de todas as cores, as pessoas diferenciam-se pela forma como desfrutam os momentos, o céu é de algodão e as horas podiam ser minutos. Podíamos roubar tempo ao tempo para viver mais e melhor, porque cada segundo aqui é como uma nota musical. Ainda trago em mim pedaços daqueles momentos.
Lembro-me de tirar esta fotografia, estava rodeado por dezenas de pessoas, mas sentia-me só e preenchido pelos tons de uma cidade que vence apenas por existir. Pousei os cotovelos na barra da ponte e respirei uma data de vezes, tirei a foto depois.
E revivo estes instantes ainda com aquela intensidade.

em Lisboa, Portugal

Metade rua, metade calçada. Mas Augusta por inteiro (parece um fado dos maus).
Separei o ébrio do sóbrio com vidas pelo meio.

em Paris, França

Tinha intervalado Paris há uns tempos, não por esquecimento, mas porque tenho fotografado outras coisas e tomam-se outros rumos. Mas...os intervalos são para serem sempre retomados.
Hoje voltei a Paris, por nenhum motivo em especial...mas todos ao mesmo tempo.
A Sofia chegou de Paris e tem-me perguntado se Lisboa me fez esquecer Paris, mas na realidade nunca esquecemos onde somos ou fomos verdadeiramente felizes.
É público que tenho um fascínio especial por Amesterdão que transcende tudo o que é comum, mas que à parte disso todos os locais no mundo me fazem soltar o brilho no olhar.
A Sofia tem-me conquistado a nostalgia de Paris, ela e o marido o Jean Christophe que é um Parisiense típico, eles voltaram pelo verão, como em todos os anos, mas desta vez olho para eles e vem-me de imediato à memória o burburinho em Moulin Rouge ou as aventuras em Montmatre e estou-lhes gratos por isso, por me fazerem recuar a um passado onde a felicidade é presente do indicativo de um tempo que há-de vir ou que perdura e se vive por memórias e instantes que são mais que tempo e espaço.
Hoje chegou o Pai do Antony, falou-me de imediato de Paris, perguntou-me se "...me perdi por lá...", em sentido figurado é claro...e a resposta foi afirmativa. Antes quando chegava o Pai do Antony, dava-lhe um aperto de mão, desta vez com ele senti a firmeza daqueles pilares feitos de ferro.
Os emigrantes têm assim chegado à minha Aldeia, aos poucos....mas todos eles trazem-me a França no cheiro, na essência, nos hábitos, nos detalhes. No sotaque, caramba no sotaque vincado e nada despercebido.
Todos eles são Portugueses que trazem nas mãos uma bandeira a 3 cores, porque é o País que lhe deu uma vida, um trabalho e lhes permitiu deixar as nossas marcas e raízes.
Nunca antes sentira a França assim.
Foi por eles, por todos eles, pela Sofia, pelo Pai do Antony, pelo Jean Cristophe, pelo abraço sentido ao Mr. Lisbonne ou à Piedade de Marselha, pela Judite, pelos meus primos que são primos de todos e que estão a chegar, pela Sylvie ou pela Christéle que estão na estrada ou numa auto-routte, pelos que estão para vir...que hoje decidi voltar a Paris.
Foi também por me parecer intemporal que escolhi esta fotografia, porque me recordo do momento exacto em que a tirei e por ter percebido naquele instante que parecia Paris em 1920...quando os nossos emigrantes começaram a chegar para os ensinar a fazer casas ou pontes.
Foi no domingo de Páscoa que tirei esta fotografia, mas o tempo perdeu-se na cor e as memórias que a Sofia e os outros me trouxeram ou trazem serão também elas eternas ou intemporais.
Foi ao som de " La vie en rose " que acabei de escrever cada palavra.
Da cidade do amor...com memórias de dias felizes...

em Lisboa, Portugal

As portas que dão para ao sol e a varanda que dá para Lisboa, para o Tejo e para as cores feitas de luz.

em Paris, França

É a Ponte Alexandre III e foi a que mais gostei em Paris, pelos tons dourados e pela ausência de cores. Resume-se a um cinza misturado com dourado que lhe confere uma magia especial...e uma imponência incrível.
Achei que uma fotografia a preto e branco (que não aprecio muito) a faria mais impactante...e acho que acertei.
Coloquei-me ao centro da ponte, esqueci-me dos carros que se aproximavam, ignorei as buzinas e foquei-me no edifício que se impunha ao fundo da ponte. Tudo pareceu...conjugar-se.
O asfalto sorriu para mim, eu sorri para os tons dourados que sobressaíam dos pilares e estes sorriam para as nuvens.
Uma triologia tremendamente romântica.
A ponte não é plana, sobe e desce, e isso causa-lhe um efeito ainda mais bonito.
A partir daquele dia, quando me voltarem a dizer : " ...ah vais para ali? e depois como fazes...vais viver para baixo da ponte? "...Pois que seja esta.

em Neuchatel, Suiça

Ao fundo são os Alpes num dia de neve como todos os outros. A cidade é Neuchatel, fica na Suiça.
Este foi um daqueles dias bons em que tomei o pequeno almoço na Alemanha, lanchei no Lichenstein, jantei na Áustria e acabei a pernoitar na Suiça.
O céu esteve quase sempre assim, tomado por Deuses.

em Paris, França

Paris da cor dos monumentos e de frente para o Louvre...

em Paris, França

A hora era a dourada e foi por isso que os raios de sol cobriram a Catedral de Notre Dame em tons mágicos...

em Paris, França

O Louvre era dourado, o céu tomado por Deuses, a ponte era aquela onde prendem o amor para ele ser eterno e o rio é o Sena.
O sol estava a por-se e ainda lhe conheci uns raios, provavelmente se lá voltar mais umas mil vezes não conseguirei um final de dia tão perfeito. E porque há imagens que se substituem palavras, esta é uma dela e esta fotografia poderia até ter esta música : La Vie en Rose - Ukulele
E agora podia ser perfeito...

em Amesterdão, Holanda

É uma das imagens mais marcantes que trouxe de Amesterdão, trouxe-a na alma.
Talvez porque aqui era um ponto de encontro para todos os locais, talvez porque aqui se dividia o Red Light District, ou porque o cheiro era igual ao dos outros sítios.
Não foi aqui que conhecia a Elisa, a Italiana, mas foi aqui que conheci dezenas de pessoas.
Dou por mim também a pensar que se olhar em frente...esse poderá ser apenas o motivo (forte) de este ser um local diferente.
"Magia" definiria o que se vê daqui...

em Amesterdão, Holanda

Uma cidade feita de sonhos e uma folha ou duas de cannabis.

em Amesterdão, Holanda

A vida a cores é intemporal, mas a vida a preto e branco também o pode ser.
Este é um túnel que vive debaixo de um museu em Amesterdão.
E aqui as pessoas circulam no meio da arte, há pessoas que cantam, outras tocam e outras que observam. É um local onde se respira arte, onde o som nos remete para outros tempos.
E onde temos literalmente uma luz ao fundo do túnel que nos faz sair e entrar num mundo repleto de coisas boas.
Eu suspirei ali...e ainda suspiro.
Cinco minutos depois, conhecemos a Melissa, a Nova Iorquina de quem o perfume e olhar ainda sobrevive na nossa memória.
Ainda hoje penso que ela foi a nossa luz ao fundo do túnel...e pensarei sempre, creio.

em Amesterdão, Holanda

Amesterdão em tons de sonhos.

em Amesterdão, Holanda

Amesterdão não tem que ser apenas a cidade dos canais. Também é cosmopolita se a explorarmos mais, de canal em canal, chegamos a uma parte mais financeira, industrial, mas igualmente bonita.
Passou o tram, passaram 200 bicicletas, passaram carros e eu aqui sentado, tirei a fotografia e saí vivo do local, porque em Amesterdão podemos viver as vidas que quisermos.
O rasto do asfalto deixou-me preso a este local.

em Lisboa, Portugal

As nuvens estavam bonitas, as cores eram as de final do dia e eu parei.
Parei para fotografar, mas pessoas iam de " passo " apressado no terreiro dele próprio mas com " Ç ". O mundo corria entre cores e uma cidade que se agitava por gente e ritmos. Eu suspirei por tanto AMAR-elo e pelo resto.

em Paris, França

De Paris com tranquilidade.

em Londres, Inglaterra

Hoje voltei a Londres com a certeza de nunca ter saído de lá.
Uma cidade plena de detalhes, vida e cores quentes ou frias.
À minha direita vem Robin a marcar passo, ele será uma próxima história.

em Lisboa, Portugal

Lisboa...são as pessoas e a sua diversidade.
Os infinitos lugares que...de cada vez que os visitamos, nos fintam com pormenores novos ou cores diferentes.
São sabores incomparáveis...
Lisboa é amor ou cheiro, é recanto ou pedaço de calçada.
É o som dos talheres, o cheiro a sardinhas o assobio arisco para a Senhora na janela, é um cumprimento ou acenos.
Lisboa é detalhe, é acaso ou circunstância, mas pode ser convívio ou um serão.
Pode ser o som de uma guitarra ou um acorde planeado.
Lisboa é amor por ser tão amada...

em Lisboa, Portugal

Quando o sol esbate no chão feito de trilhos...

em Lisboa, Portugal

" Antes do beijo "
Lembram-se da foto do " caraças "? Aquela perto do beijo, tão perto que lhe pude sentir o cheiro...Lembram-se daquela expressão de amor remetida a um plano tão curto como a minha câmara e os lábios deles?
Pois hoje trago-os por inteiro, caminham de frente para mim, segundos antes daqueles momento do " caraças ". Senti-lhes o aproximar e o meu coração batia ao ritmo daqueles passos. Foi tudo antes do beijo.

em Lisboa, Portugal

Não sei muito bem o que escrever nesta fotografia. Diria que esta fotografia é : - LISBOA - ; por tudo...
...pela cor, pela luminosidade, pelo ambiente, pela ponte, pelo histórico que se vai juntando ao moderno sem nunca se confundir. Pela vida, pelo Tejo, pelas praças, pelas gentes que desfrutam alegremente nos miradouros ou esplanadas, pelos telhados ou pelos detalhes, pelo ébrio e pelo sóbrio, pelo distinto ou pelo bairrismo.
Por um infinito e infindável número de coisas boas que nos fazem apaixonar ao primeiro olhar.
Foi do Miradouro da Senhora do Monte e sinto-a (por enquanto) como uma das fotografias da minha vida. Porque consigo ver tudo o que quiser desde aqui..., porque a visito e revisito, porque nela vejo as pessoas nas janelas ou portadas, porque lhe sinto o cheiro e porque mexe comigo.
Tara Perdida ft Tim | Lisboa
ou
Rádio Comercial | Parabéns Carlos do Carmo

em Amesterdão, Holanda

Tinha tudo para correr bem este final de tarde e correu. 3 paragens no mesmo número de coffeeshop´s ou talvez mais, mas a memória ficou neste último espaço e num final de dia com o sol de tons dourados que pousava pelas águas tranquilas do canal.
Amesterdão muda a vida das pessoas, nem que seja momentaneamente.

em Paris, França

É a estação de Bir-Hakeim...quando a conheci foi assim, com estas cores e com Paris de fundo, achei-a incrível, quis saltar para a linha para lhe dar um enquadramento melhor, mas apareceu o comboio e não quis ser preso ou morto.
Mas a estação não mais a esqueci, enquadrada, linear ou não. E no último dia, voltei lá, já de noite e foi ali que tirei a última fotografia em Paris. Que foi esta.

em Lisboa, Portugal

Quando por vezes digo que a luz de Lisboa é diferente, é disto que falo. De uma luminosidade que não se encontra noutra cidade. Que esbate como pinceladas nas fachadas das casas e reflecte ao coração.
É no Bairro Alto num final de dia, o sol pousava para o anoitecer e a luz parecia cintilar entre prédios e portadas.
Esta é a luz de uma cidade com alma.

em Amesterdão, Holanda


Amesterdão é a Veneza do norte, pelos canais e pelas casas formadas em prédios e ladeadas por água. Este é um local emblemático e foi por isso que eu e o Marcos nos hospedámos no edíficio mais laranja de todas as fachadas.
E ocupávamos tranquilamente e carregados de sonhos o último piso do Hostel, a janela é a do meio e só não estou lá a dizer " adeus ", porque estou aqui a tirar esta fotografia. E seria estranho.
O dia era nublado, nuvens que pareciam desenhos, formadas pelo tempo, cobriam Amesterdão silenciosamente, como se de algodão se tratassem.
Ao lado do edíficio onde fiquei, ao nosso lado esquerdo e no terceiro andar, se contarmos de cima para baixo, vemos um apartamento de janelas abertas. É um T4 quem tem a sala virada para o lado de lá e o quarto para aqui.
Lá dentro vivem há 12 anos, Marie (primeiro as Senhoras) e Paolo..., um casal unido pelo mundo, mas sustentado por Amesterdão.
Ele é Italiano e ela é Francesa. Conheceram-se, num mini concerto em Paris, são ambos músicos, desconhecidos no meio, mas músicos.
Começaram a "tourné" do Amor em Paris, mas estenderam-no até aqui, a cidade que lhes enche a alma e lhes permite sonhar, sem que confundam o passado com o futuro e vice - versa.
Marie tem um aparelho vocal distinto e Paolo faz-se acompanhar por ele à cintura e ombros, é uma "Ibanéz", de 1972.
Os bares, as ruas e alguns teatros são o veículo que lhes permite divulgar o talento.
Hoje estão em casa, sinto-lhes o amor feito por claves de sol, oiço as notas musicais que saem daqueles metros quadrados e sei que estão abraçados.
Paolo passa a mão no cabelo de Marie e esta agarra-lhe na mão, são envolvidos por gestos de carinho e amor e eu "espreito-os" daqui.
Sugo-lhes o sentimentos e viajo-lhes no coração.
Ás 21 horas têm concerto num bar e aproveitam o tempo para se amarem a esta distância se mim.
Desta vez não passei por eles, porque estavam ali...naquele T4.
Esperei 50 minutos até que Paolo aparecesse à janela, a sorrir e será ele a próxima fotografia.
O amor é assim : não tem lugar fixo.
De Amesterdão com sentimento.

em Lisboa, Portugal

Esta foi uma das primeiras fotografias que fiz por Lisboa. Tinha chegado há poucas horas e o céu desfez-se em algodão para me dar as boas vindas. Creio...
Sentei-me no Cais das Colunas e com a câmara no chão, tentei apanhar tudo o que me rodeava. Até as formigas.

em Paris, França

É o metro de Paris, que pode atingir uma velocidade vertiginosa, comparável com a minha mota ou com um comboio regional.
Ajoelhei-me para conseguir esta fotografia, porque fotografar com adrenalina pode ser orgásmico.
Senti o vento e a pressão junto ao meu corpo, a centímetros de distância...porque eram eles que nos separavam.
A passagem foi fugaz...mas deixou-me este rasto de movimento...capaz de ganhar velocidade se apenas o olharmos...

em Londres, Inglaterra

Cheia de história, realeza, estilo, museus, palácios, uma agitação por vezes elegante, diferente do mundo todo, a meca do rock ou dos parques verdes, dos ícones vermelhos, punks, pub´s, moderna, vibrante.
É assim Londres.

em Paris, França

As estações de metro em Paris, são bonitas, mais por fora que por dentro.
Esta fica ao fundo dos Campos Elísios e tem a particularidade de ser igual a uma em Lisboa.
Porque quando remodelaram a estação de Picoas em 1995, foi oferecida toda a ornamentação da saída, por parte do Metropolitano de Paris, num projecto chamado " Acesso Guimard ", assim Picoas ficou com um ar Parisiense na entrada do metro.
Não fui ler isto que acabei de escrever ao Google, perguntei a um Senhor Moldavo que por ali passava, no meu fluente Moldaviense.

em Lisboa, Portugal

"...na Bica eu passo por ti..."

em Lisboa, Portugal

Lisboa de cima para baixo.

em Londres, Inglaterra

Hoje voltei a Londres.
A minha amiga Leticia quer pôr umas fotografias minhas nuns azulejos da cozinha. Para poder "viajar" enquanto frita as batatas.
Quer que sejam a preto e branco e de todas as cidades onde tenho passado.
Fui ao disco ver de uma de Londres, esta tem dois anos e depois de a colocar a preto e branco vou querer que ela a ponha no azulejo mais bonito lá da cozinha. Que a gordura e o resto não lhe retirem a cor ou não desgastem, da mesma forma que a conservo ainda na minha memória. Não pelo impacto, mas pelo detalhe de se poder viver com uma vista impactante em dimensão e história. Ou pela carga emotiva em que a pensei quando disparei o shutter.
Pode o tempo recuar, ou avançar...pode ser fugaz. Mas as memórias obrigam-nos a revisitá-lo de vez em quando.
Que venham mais azulejos...

em Londres, Inglaterra

Quando vi este cenário, lembro-me de ficar a olhar por segundos antes de pegar na máquina, simplesmente porque me é alheio no meu dia a dia.
Depois de o fotografar, ocorreu-me que quem aqui vive, simplesmente vive, ou faz aquilo que imaginei momentaneamente : chega o fim de semana, pega no carro, com a tenda na mala, e vai para o campo simplesmente ver as estrelas, ou pescar no lago, ou estacionar o carro e ficar dentro dele por 2h com a chuva a bater nos vidros sem outro barulho por perto, e assim foge de aflições diárias.
E penso que essa será a única coisa que os separa da ilusória sensação de liberdade perante este mundo.
Foi isto que vi quando aqui passei : o oposto.

em Lisboa, Portugal

Insistiu na troca de olhares com a lente da minha câmara por várias vezes. Seguia encostado à parte de trás do eléctrico.
Acenei-lhe e nem me passou "cartão", o mundo tem pessoas afáveis, mas tem imensas que são estranhas. E isso pode nem ser necessariamente mau.

em Amesterdão, Holanda

Entre os reflexos de Amesterdão.

em Paris, França

Foi há mais ou menos 8 dias atrás, que o mundo que vemos desde aqui passou a viver debaixo de medo, em vez de nuvens carregadas de chuva.
As sirenes da policia e das ambulâncias ocupavam o lugar dos músicos de rua, da " La vie en rose ", que o charme dava lugar ao pânico e as pessoas deixavam os passos tranquilos para outros apressados.
Que as cabeças se viravam para todos os lados acautelando o medo. Que a Torre Eiffel desligou as luzes, que as portas se fecharam e os pontos de socorro de abriram.
Paris é num sentido figurado uma sala de espectáculos bem maior do que aquela que explodiram e um dia voltará a subir o pano com firmeza e glamour.
E os artistas voltarão a coabitar nela intervalados por um dia trágico mas um futuro seguro.
A música e imagens podem ser estas : Paolo Nutini - Iron Sky [Short Film]

em Londres, Inglaterra

Sou péssimo com datas, mas sou bom com as minhas datas, raramente me esqueço delas quando são memoráveis.
E é por isso que sei que há precisamente dois anos, a esta mesma hora, atravessava o Tamisa, com o Zé e o Marcos.
Hoje fui ao disco externo procurar uma fotografia que me catapultasse para essa tarde e encontrei esta, estava um dia cinzento e frio, mas quente pela intensidade que Londres nos estava a proporcionar e colorido de emoções.
São as margens do Tamisa, rodeadas por Londres num dos dias memoráveis da minha vida.

em Paris, França

Uma cidade que une Amor, luz e encanto não se define facilmente.
Podemos encontrar o amor ao virar da esquina (se escolhermos as esquinas certas), podemos encontrar luz se ligarmos o interruptor do olhar e podemos ver o monumento mais emblemático da cidade através de um carrossel, enquanto escutamos o som das crianças felizes e dos adultos atentos.
Esta fotografia foi no primeiro dia, fizemos 10 km a pé, só porque nos apetecia caminhar e embalámos o cansaço ao som da música que saia do carrossel...
Encostei-me a um cavalo de madeira, segredei-lhe ao ouvido, " Obrigado por estares aqui "....entre grunhidos e saí feliz.
É assim que Paris pode ser surpreendente, se estivermos atentos.

em Amesterdão, Holanda

A ruas com as cores de uma cidade repleta de magia.

em Lisboa, Portugal

É um dos sítios mais perfeitos que conheço. Tem um castelo de frente e é multicolor em pessoas, objectos, sons ou cheiros.
São as escadinhas do Duque de Lisboa. Mas à primeira vista pode ser numa calçada no sul de Itália, ou em Montmatre, Paris. É multicultural, típico, agradável e encantador...
Depois de o encontrar passo sempre por lá...só por passar...

em Lisboa, Portugal

Lisboa num dia cinzento.

em Amesterdão, Holanda

Uma cidade que não tem cor, nem tempo.
Pode ser intemporal se nos perdermos no espaço e nas vidas que vêm e que vão.

em Lisboa, Portugal

É Lisboa...desde a calçada...

em Amesterdão, Holanda

Foi aqui...que eu depois de a terminar a atirei ao chão e a pisei ainda de seguida...a beata.
Depois disso sobrevoou nestes tons quentes de Amesterdão um elefante, abanava as orelhas e trazia um megafone, chamava as pessoas para o circo onde era a estrela.
Amesterdão pode ser o que quisermos...bastar fazermos as coisas de uma forma legal.

em Lisboa, Portugal

Lisboa a muitas rotações.

em Amesterdão, Holanda

Conseguimos perceber que um lugar é intemporal quando lhe mudamos as cores e continua mágico.
Recuei no tempo de imediato, estava numa daquelas janelas do lado esquerdo, com uma chávena de café quente na mão, o frio era tanto que o vapor do café era maior que nos outros dias, e eu tranquilo apenas olhava para a rua.
A janela tinha uma pequena cortina bege e os vidros eram amplos. Amanhecia.
Era fevereiro e estávamos em 1941, no prédio da frente, eram vários os tropas nazis que chegavam em camiões ou jeep´s e procuravam por Judeus. Normalmente eram denúncias que os levavam a locais concretos, como este. Esta seria mais uma delas.
Eu vivia em Rivierenbuurt, um dos bairros mais calmos de Amesterdão e em frente existiam vários comércios, um deles era o meu favorito, o " Opekta Works ", que vendia extratos de frutas para fazer geleia. Entrava lá todos os dias e tinha até uma relação estreita com Otto Frank, o dono, um homem sábio e calmo.
Era Judeu e fugira de Frankfurt anos antes para viver na tranquilidade de Amesterdão, ele, duas filhas pequenas, a mulher Edith e a Mãe desta.
Os nazis saíram sem ninguém, carregavam apenas as armas. As buscas pareceram infrutíferas e notava-se no semblante zangado que eles carregavam. Por vezes as denúncias eram falsas, ou as pessoas sabiam que eles estavam para chegar e ainda lhes sobrava tempo para os despistar.
...Voltei ao meu mundo, dentro daquele apartamento pequeno, terminei o pequeno almoço e saí para o estúdio de fotografia que partilhava com Evans, o meu sócio.
Hoje tínhamos os alunos de uma escola para fotografar, assim que chegámos percebi que um se distinguia dos restantes, era sincera no olhar, energética e extrovertida, era Anne a filha do meu amigo Otto...
Podia ter escolhido outro dia qualquer, mas escolhi este.
De Amesterdão há 80 anos atrás...
Daughter - "Still"

em Paris, França

Paris é assim...e assim : ZAZ - "Sous le ciel de Paris"

em Amesterdão, Holanda

Neste dia, tudo era diferente, as cores, os sons, os objectos e as pessoas.
Há alturas em que não conseguimos exprimir por palavras aquilo que o coração sente...pois que esta imagem conte uma história.

em Eindhoven, Holanda

Ontem, depois de editar esta fotografia, confidenciava com amigos que esta era das minhas fotografias " street "...a que mais me enchia a alma. Porque me completava o olhar e me enchia em presença, em cores e em ambiente.
Foi em Eindhoven numa das melhores viagens da minha vida.
Esta é uma rua de muito movimento e andei ajoelhado nela apenas para lhe captar diferentes ângulos e foi talvez de pé que a fotografei da melhor forma.
Esta é a cidade da Phillips e recarregou-me as baterias para conhecer aquele que possivelmente seria o País que me levaria a deixar o meu.

em Paris, França

É assim...quando a cidade não pára...

em Paris, França

É a estação de Moulin Rouge...e só por si já significa tanto.

em Amesterdão, Holanda

Damn Square é uma praça central a Amesterdão. É multicolor...nas pessoas, nos objectos, nas luzes, nas montras.
Tem uma feira que acrescenta cor à cor, tem cavalinhos de porcelana, tem uma roda gigante e tem uma montanha Russa mas que fica na Holanda.
E por isto tudo, nada faria mais sentido do que colocar a fotografia a preto e branco, para se ver para lá do óbvio, para lá do observável.
Porque imaginar aquele local de outra forma é quase poético e foi assim que o consegui, as tonalidades deram lugar a um preto e um branco que lhe confere ainda mais magia e imponência. As cores momentâneas passam a duas cores eternas.
A diferença estranha-se na maior parte das vezes, mas quando se entranha é de uma diversidade tremenda.
Transformar um lugar pode ser apenas isto...
O ritmo das pessoas, a agitação, o céu, o tempo, o silêncio...tudo mudou apenas se o imaginarmos.

em Paris, França

Esta é para mim das imagens mais bonitas que trouxe de Paris.
Pelos tons e porque parece haver calma quando rodeado pela multidão.
Pela peculiaridade dos pormenores : Encontrei a bicicleta de que vira em Amesterdão, as árvores de Eindhoven, a calma das praças de Salzburgo, a falta de sol de Londres ou de Munique e as pessoas de todo o mundo...sem sair do mesmo sitio...recordei os outros todos.
E é por isso que a fotografia é como a quisermos ver.
De Paris...pelo mundo.

em Lisboa, Portugal

Mais uma prova de que o AMOR não tem lugar fixo. Existe, vive-se e pode estar por todo o lado.
Encontrei-o na Bica, num daqueles letreiros com informações para turistas, entre o Tejo e Lisboa.

em Amesterdão, Holanda

Amesterdão também é isto. É urbano no seu sentido mais extensível.
Tinha chegado a Amesterdão depois de conhecer : Londres, Madrid, Genebra, Munique e Salzburgo.
As expectativas iam reduzidas...e iam reduzidas pelo fascínio de Londres, pela magia de Salzburgo, pela imponência de Munique ou pela organização de Genebra e pelo coração de Madrid. Mesmo que Londres ainda me pudesse ter preso no tempo.
Passei por Eindhoven antes de chegar a Amesterdão e tinha ficado encantado com a cidade, passei lá 2 dias e a Holanda entranhou-se de imediato. Continuei a manter baixas as expectativas por Amesterdão.
E cheguei meio desconfiado, sem arritmia ou palpitação de maior...até;...até 2 minutos depois.
A retina deslocava-se para todos os lugares, as pessoas desviavam-me a atenção, o cheiro também, a envolvência, o carisma de uma cidade preenchida por tanto, o mistério e o misticismo.
Um turbilhão de sensações foi desenvolvido nos 5 dias seguintes e Amesterdão passou a pertencer ao meu coração com direito a lugar Vip.
Tudo é diferente numa cidade ímpar e incomparável.
Vou falando mais sobre ela...aos poucos. Porque é aos poucos que se devem saborear as coisas boas...ou intensas.

em Lisboa, Portugal

A maior parte das pessoas conhece uma fotografia assim, mas não a conhece #assim.
#assim : Naquele final de tarde o céu parecia pintado por Van Gogh, a ponte dividia a água do céu e as cores eram tão fortes que as podia ver reflectidas nos olhos de quem tínhamos ao nosso lado.

em Lisboa, Portugal

"...na Mouraria descanso o olhar..."

em Paris, França

Esta fotografia leva-me de imediato à imponência, à garra dos nossos emigrantes que não tinham medo de correr mundo, que passavam dias fechados em comboios ou faziam km a pé, que passaram fome e sede...mas que vingaram, como nas epopeias dos descobrimentos. Por mar ou por terra há sempre força e firmeza nos nossos genes.
De Paris...

em Lisboa, Portugal

Foi num dia bom, naquele que é o " Miradouro ", as nuvens agitavam-se por cima da ponte e as águas por baixo.
As cores eram de fim de dia e Lisboa anoitecia ao silêncio do vento que aqui eu sentia.
A frase é a que me substitui todas as palavras que poderia ter para esta fotografia.
" Que amor é este que me faz ir e voltar, Lisboa ? "
- A resposta estava diante dos meus olhos...
Com uma das fotografias que mais me apaixonou fazer até hoje...de Lisboa...

em Lisboa, Portugal

" Caoticamente "...Lisboa.

em Lisboa, Portugal

A Conceição que chegava a casa, depois de uma missa ocasional...

em Lisboa, Portugal

Disse há dias a alguém que de todas as cidades que tenho conhecido, aquela que tem a luz perfeita é Lisboa. Nem sei se pela latitude, se pelo sol, se pelos postes de electricidade (um lol), ou pela forma simétrica ou até pela ausência dela.
A luminosidade é perfeita, independentemente da hora ou do local.
Aqui foi num final de dia, o sol esbatia-se nas janelas e reflectia nas portadas em frente, os telhados brilhavam em consonância com o sol e eu, eu...regalava-me.
Ao fundo a ponte rasgada pelas nuvens era o ponto de encontro de um horizonte simétrico à luz do sol.
Vi há dias um filme que fala sobre um telhado que tinha a vista mais bonita sobre Lisboa, não sei se era este, mas sei que este não lhe fica atrás. E é pelos terraços assim e por uma luz incrível que gosto de voltar sempre e por vezes ficar.
Para a semana volto e é possível que por enquanto fique...por tempo indeterminado.

De Lisboa com luz...

em Londres, Inglaterra

Algumas pessoas preferem o chão, a segurança de sentir terra, outras porém preferem escutar o vento.
Do London Eye, a vista é diferente, não só porque a altura é primordial mas porque vemos aquilo que não se vê em mais nenhum local no mundo. Há quem goste de ver a agitação, o trânsito, o Tamisa, as casas. Eu entretenho-me com as pessoas, mesmo sem o tamanho observável, distingo-as pela cor.
Vejo o casal que entra numa loja Italiana para beber um capuccino, mesmo que a loja possa não ser Italiana e o casal nem ser casal. Não consigo ver o vapor que sai do capuccino quente num dia frio, mas sinto-o, imagino os rostos, imagino as vidas.
Imagino o rapaz que surpreende a noiva á porta do trabalho com um ramo de flores, imagino o Escocês que atira um baú ao Tamisa só por tradição. Imagino...vendo.
Esta é a minha realidade do London Eye, é aquilo que consigo " ver " a 135 metros de altura. Quando desço, não me consigo dissociar de que as cabines foram fabricadas nos Alpes Franceses, as partes da roda na Holanda e as janelas produzidas em Veneza.
É por isso mesmo que isto é mais que uma roda gigante.

em Amesterdão, Holanda

Volto sempre a Amesterdão, de quando a quando. Nem que seja para tomar o pequeno almoço num coffeeshop.
Depois disso fumo sempre qualquer coisa que não contenha apenas tabaco e seja legal, porque gosto de coisas legais.
Converso com a Abi (para mim) mas Abigail para os outros. Falo num Espanhol imperceptível e mudo para o Inglês, porque um Australiano quer dois dedos de conversa.
Corro os canais sem correr, porque quero passear ao ritmo de passos leves, contemplo as fachadas das casas, as cortinas abertas...porque eles não se envergonham de mostrar a casa por dentro ou as vidas por fora.
Aceno ao executivo e ele cumprimenta-me, porque em Amesterdão os estatutos não existem e a simpatia não tem propriamente hora ou local.
Páro num banco junto ao canal e fumo outro " não cigarro convencional "...penso que ali o ritmo da vida é desregulado do stress da sociedade actual.
Cumprimento uma Dinamarquesa...mas pode ser um unicórnio, fico-me pela primeira opção e trocamos contacto.
É assim Amesterdão, ou assim ou diferente, porque pode ser tudo.

em Paris, França

Dentro do arco e ao fundo vê-se a famosa ponte dos cadeados, aquela onde se perpetua o amor através de cadeados em gestos simbólicos e com vista para o Rio Sena.
Tive a sorte de a ver também daqui, este arco com outro ao lado que não consegui fotografar seria a parte de cima de um coração e a luz e a cor que se vê é a dourada de final de dia...que faz do pôr do sol magia.
E é também por detalhes assim que esta cidade consegue ser particular e única.

em Amesterdão, Holanda

Joanne vai às compras numa rotina que tem 6 décadas... em Amesterdão.

em Amesterdão, Holanda

As cores e os reflexos de Amesterdão, debaixo de um céu que parece de algodão.

em Lisboa, Portugal

Os recantos de Lisboa.

em Paris, França

Foi no último dia em Paris que vi a torre de um dos sítios mais especiais. Parecia o rótulo daquele whiskey com a perdiz...o sol parecia dourado e a minha retina reteve estes momentos feitos de luz.
Atrás de mim luziam os olhos de Eric e Samantha, um casal Canadiano que namorava longe de Paris, num mundo só deles.
Fui cupido naquele intervalo de magia e ainda assobiei para a perdiz ir defecar em cima deles...num momento de festa com direito a confetis vindos do céu.

em Amesterdão, Holanda

Não há cidades a preto e branco, mas há fotografias de cidades a preto e branco. Esta é a rua onde fica o Hostel em que dormi, naquelas transversais ali à frente fica a Red Light District e já ali existem várias montras com Senhoras, na sua maioria Sul Americanas.
O cheiro aqui é algo que consigo definir facilmente, mas não quero entrar por aí.
As pessoas são de todos os sítios e não existe um idioma que predomine nestas ruas.
Para diferenciar tudo o que se podia passar ali, abriu-se o sol e a rua desfez-se em raios luminosos. As sombras das pessoas pareciam o dobro e tive que por a mão por cima dos olhos a fazer de pala.
Mas prossegui caminho, sem olhar para as montras (a evitar tentações) e fui beber uma cerveja a um Bar de um Albanês...
...falarei dele depois.

em Lisboa, Portugal

"...E assim desfaz-se o novelo
De azul e mar..."

em Paris, França

Paris pode pontualmente deixar de ser glamour e charme, para ser movimento, acção ou um perfume caótico pelo ar.
Foi nos Campos Elísios a desafiar o trânsito.

em Paris, França

As fotografias não estavam a correr bem, tinha perdido em mim os detalhes e a sensibilidade. Até que cheguei a Montmatre, um dos locais mais mágicos onde já alguma vez estive...e aqui tudo mudou. Os objectos passaram a ser acasos da rua, as cores eram todas e os sorrisos passaram a ser frequentes...
No meio de tudo, passou Lucas com a sua " Diane ", o 2cv que ele que carinhosamente trata e que apelidou com amor com o nome da Princesa malograda. Lucas ostenta o carro com um orgulho e uma vaidade tremenda, dei-me conta disso assim que apareceu da esquina à minha esquerda até desaparecer com o Sacre Coeur à vista...
...aqueles momentos foram poesia com rima e estrofes a sério.

em Paris, França

Foi nesta ponte que conheci a Aline, mas é também a Ponte Alexandre III...
A Aline é uma das centenas de pessoas que fotografei em Paris e lhes contei a vida em minutos.

em Paris, França

" Em Paris não tirei as melhores fotografias da minha vida ", disse isto ontem, antes de ver sequer as fotografias no disco.
Depois disso vi 10% das fotografias e é com elas que tenho viajado por Paris, é com elas que tenho começado a gostar ainda mais de Paris.
Não sei de um sitio perfeito, não sei de um dia perfeito, não conheço a hora perfeita apesar de gostar do por do sol.
Mas lembro-me que eram 19h30, este Rio é o Sena, estava num barco que percorre as margens de Paris, que contempla os monumentos que se absorvem pela luz natural e os casais que se amam nos jardins, tinha diante de mim a Ponte Alexandre III, a Torre Eiffel, um pôr do sol que deve ser único porque a luz em Paris assim o é, um céu encomendado por deuses, as cores podiam ter sido pintadas por Van Gogh e ao meu lado tinha a companhia que era a perfeita, os meus 5 amigos : O Zé, a Mafalda, a Leti, o Marcos e o Antony.
Pode ter sido aquele um dos momentos da minha vida? Definitivamente.
Da cidade mágica com magia...

em Paris, França

Le miroir de l'amour.

em Amesterdão, Holanda

Se pudesse mudava-me ontem.
Amesterdão é um dos sítios onde deixei o meu coração e volto de quando a quando nas fotografias que trouxe ou nas memórias que nunca partem. Até poder voltar verdadeiramente um dia.
John passava a ponte, uma das muitas que atravessa por cima dos canais, daqueles canais que trazem água e sonhos.
Medi-lhes os passos até desaparecer entre as cores da cidade.
Se pudesse mudava-me ontem...porque esta é a cidade onde deixei muitos sonhos...

em Lisboa, Portugal

Acabara de me cruzar com o Nuno, demos um abraço daqueles que damos a quem não vemos aos meses...e fotografei a rua depois do abraço. Aparecia um eléctrico dos que trás Japoneses e alinhei tudo ao lancil do passeio.
No meio daqueles acasos todos o sol vinha de cima, esbatia os raios na fachada do prédio que dá para a outra rua e por consequência reflectiam no eléctrico.

em Lisboa, Portugal

Nem sempre é mau, quando somos apanhados na curva. Foi assim que o vi aparecer...entre as ruas...

em Lisboa, Portugal

Entre o céu, a estrada e os carris. É Lisboa.

em Lisboa, Portugal

Lisboa e os eléctricos...nas curvas apertadas.

em Lisboa, Portugal

Ninguém sabe ao certo, mas aqueles dias em Lisboa mudaram a minha vida.
Fotografei incessantemente e com uma paixão inacreditável para trazer momentos assim, porque me libertavam a mente e porque queria trazer Lisboa de uma forma diferente e feliz.
É verdade que me deslumbro a cada viagem, mas nunca a paixão foi tão avassaladora quando unida com a vontade de fotografar e com uma cidade cada vez mais multi-cultural e completa.
Esta é a ponte, vista de uma outra forma, foi debaixo do primeiro tabuleiro da ponte que a vi assim...com Lisboa ao fundo perdida entre pontos de luz (ouvir Sara Tavares).
O Tejo erguia-se nas margens e os lismos tomavam conta das pedras, foi num domingo...enquanto escurecia...ao ritmo da felicidade.

em Paris, França

Foi mais ou menos a esta hora que tirei esta fotografia.
O sol rompia a cidade do amor e esbatia nas fachadas das casas de uma forma radiante, reflectia nas janelas e entrava nos olhos ou no coração. Parecia "ricochete" tal a forma como isto tudo era sentido.
A meio de todos estes prédios incidia na clarabóia de Rose e iluminava-lhe o final de dia.
O Rio Sena suportava toda esta luminosidade com as águas calmas e tranquilas.
Paris anoitecia ao sabor da luz do sol. Eu entranhava tudo aquilo com o Zé, a Mafalda, a Leti, o Antony e o Marcos.
Sim foi um dos momentos perfeitos da minha vida, porque a Rose veio à janela acenar-me.

em Paris, França

Paris, 31 de Março de 2015, 9:45.
São local, data e hora que perpetuam o inicio de uma semana que não se pode definir com uma história.
Paris não foi a melhor cidade que já conheci, nem a mais bonita, foi talvez a mais imponente, as pessoas não foram as mais amáveis, mas os monumentos substituiram sorrisos, as fachadas ao pôr do sol tornaram momentos normais em minutos mágicos.
A vida não é apenas a fotografia e por isso não foi em Paris que tirei as melhores fotografias, os primeiros dias foram contrariados pela falta de inspiração e fotografar não foi de imediato prioridade.
Até que visitei Montmatre e tudo mudou, as imagens foram melodia e a chuva caia sem que eu a sentisse. As cores eram um arco-íris de monumentos e casas e as pessoas mudavam o semblante. O glamour instalou-se, o encanto também, o perfume das mulheres quando passavam a 2 metros de distância sentia-se a milimetros, o olhar fixo e inebriante, a história e aquilo que mais gosto de fazer : conhecer pessoas...aconteceu repentinamente.
Soltei-me e fiz de Paris a minha casa, 9145 fotografias depois e...pousei a máquina fotográfica.
Esta viagem permitiu-me perceber de uma forma imensa que não é o sitio, ou o cheiro ou a beleza que faz das viagens felizes. São as pessoas com quem estamos.
Paris pode não ter sido o melhor local onde já estive, mas esta foi a melhor viagem que já fiz.
Quem disse que não escolhemos a familia? Eu passei a ter outra, com um nome " avec " e tudo, mas que preencheu 8 dias em memória perpétua.
" La Famille de Puteaux " : são a união entre alegria, boa disposição, fidelidade, companheirismo e um sentimento de sintonia inacreditável.
Se perguntarem a um treinador o que faria sem uma boa equipa, ele vai responder que não faria nada. Os meus são bons, melhores que ontem e maiores que amanhã.
Estes dias não podiam ter acontecido sem a descontracção e os abraços da Mafalda , o rigor e a sensatez do Zé, a alegria e as gargalhadas da Leti, o sentido único e a genuinidade do Antony ou o companheirismo a presença do Marcos.
Não tenho dúvidas que todos juntos fomos mais felizes, que dignificámos a palavra amizade e lhe demos um valor maior daquele que já existia.
Podiamos ter alargado a familia, o Zé conheceu um anão nos Campos Elisios, a Mafalda um Italiano em Chatelé, o Marcos uma Argentina em Montmatre, a Leti um cantor que nem a viu, o Antony uma Árabe ( esta inventei agora ) e eu centenas de pessoas com a câmara focada neles...mas na altura certa voltávamos uns para os outros.
Não sabia com que fotografia haveria de começar esta viagem, escolhi esta porque foi feita com o trabalho de todos. A Leti definiu o poste onde haveria de colocar o tripé maleável, o Marcos deu-me a ideia dos arrastos, a Mafalda espantou as pessoas da frente com a beleza e o Antony com o Zé olhavam de longe sem perderem o norte a algo que podia ficar bem e bonito. ( também podiam estar a olhar para miúdas, mas quero pensar que não ).
Mudámos Paris apenas por lá termos passado e Paris fez-nos felizes como poucas vezes nos sentimos.
Hoje não estamos juntos e sentimos uma nostalgia imensa que ainda nos liga à cidade.
Acredito sem dúvida alguma que a cidade do Amor e da Luz, passou a ser também a cidade da Amizade.
Podia continuar...mas não se continua aquilo que parece interminável...
Agradeço à Sofia e à família, á Sylvie e à Cristéle por perderem tempo para o poderem desfrutar connosco, e ao Didier e à Isilda pelo amável convite a que não podemos corresponder.
Ao Antony por nos disponibilizar a casa e ligar os aquecedores quando estava frio.
Se a vida se divide por etapas, em Paris começou uma nova e marcante como nenhuma outra.
Por fim quero agradecer ao Louvre por me ceder em definitivo o quadro da Mona Lisa que desviei como se parecesse um roubo mas que não foi.
Com amizade da cidade do amor.

em Lisboa, Portugal

A preferência por fotografar Amesterdão ultrapassa outra qualquer, mas não há melhor cidade que Lisboa para se fotografar a qualquer hora do dia.
Faça chuva, sol, vento, venha de lá um furacão ou que a corrente não esteja a nosso favor...é indiferente, porque a luz de Lisboa é inacreditável, não pode ter sequer comparação.
Sou fascinado por Lisboa, mas sou ainda mais fascinado por fotografar Lisboa.
A luz da noite consegue ter a magia da luz do dia e a cor é sempre intensa.
As nuvens podem estar para norte que temos sempre qualquer coisa a nosso favor, nem que sejam as cores do astro.
O azul do Tejo e do céu, o verde das algas e o vermelho da ponte são a singularidade de um recanto como poucos.

em Lisboa, Portugal

É das fotografias mais "Street" que devo ter tirado.
Para um Albanês não é fácil perceber o local onde a tirei, mas se vivermos de Vilar Formoso para cá rapidamente identificamos o local.
Este dia foi em cheio. Recordo-me que fotografei 17 casais que equivaleram a 17 beijos na boca e que tudo somado foi um dia de amor. Conheci pessoas e ainda hoje lhes carrego as histórias.
Mas quando subia do Chiado e procurava ainda mais amor à volta, a cidade despiu-se um pouco de pessoas e do trânsito caótico e presenteou-me assim.
É raro acontecer, mas desta vez gosto mesmo da fotografia.
De Lisboa com uma cidade de mão cheia e mais dois dedos...só em colinas.

em Amesterdão, Holanda

A cidade parece um conto de fadas e se optares por fumar qualquer coisa legal, deixa de parecer...para o ser mesmo.
Na realidade Amesterdão pode ser o que nós quisermos. Nesta tarde o céu estava em convulsão e tudo aquilo era reflectido nos vidros das janelas das casas, ou dos barcos, ou nos espelhos dos carros. Salvavam-se as bicicletas.
Vinha apenas chuva...mas parecia mais que isso, o céu perdeu a cor e deu espaço às nuvens que lutavam incessantemente. Apoderavam-se de tudo e o que se passou depois disto foi : um dilúvio.
Mas nem assim a cidade perdeu a magia, as pessoas despiram-se e dançaram na chuva...
...despertei daquele, mode : " Marijuana " e já estava tudo normal.
Fica a fotografia para fazer a existência dos momentos.

em Salzburgo, Áustria

Vi Salzburgo de várias cores.
Lembro-me da tarde em que o sol incidia na ponte e o horizonte era próximo...e a vi : laranja;
do Austríaco carregado de velharias e a vi : escura;
da senhora que cruzou as pernas na esplanada e a vi : ...;
da praça multicolor e do dia em que subi um pouco mais e a vi assim : ...
Salzburgo é definitivamente mágico.

em Amesterdão, Holanda

A cidade onde viveria todas as vidas.

em Londres, Inglaterra

Hoje voltei a Londres, em memórias e em fotografias. Esta foi noutro dia cinzento...como quase todos, mas vestida pela luminosidade de uma cidade única.
Se a pudesse descrever em duas palavras seria : "Bem fixe".
Se pudesse contar as histórias que comigo trouxe, precisava de horas a fio, porque são epopeias sem intervalos.

em Amesterdão, Holanda

A cidade que mais me fez sonhar até hoje, com as cores próprias.

Perspectivas

Uma forma diferente e própria de ver o mundo, repleta de detalhes ou sem eles.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

As janelas da Aldeia...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

A gota da água num instante puro ou único.

em Castelo Branco, Portugal

Desde que mudei de câmara que há um amigo que me diz para sair da minha zona de conforto no que à fotografia diz respeito, hoje saí. Peguei no barco que há 50 anos estava atracado no mesmo sitio, limpei o musgo e levei-me até esta ilha.
Nela residem diariamente corvos e faz parte da pequena ilha uma casa abandonada, a casa é de um tamanho quase igual ao da ilha e não é habitada há século e meio, eu entrei. Sentei-me num dos sofás cobertos de pó que vivem inertes no meio das centenas de divisões da casa e liguei o wi-fi para partilhar esta foto que aqui tirei.
Estou sozinho e a luz que se vê para lá daquela porta já só existe na minha imaginação.
Amanhã se publicar outra foto, sobrevivi à noite e aos corvos, se não publicar, deixei a morada com um dos fantasmas que encontrei aqui.

em Lisboa, Portugal

Vi-o duas horas antes, engraxava os sapatos na rua, pagou com uma nota de 5 euros e não quis troco.
Duas horas depois, observei-o sentado, ele observava o quotidiano também e achei que os sapatos que renasciam com a graxa, o eléctrico diante de si e a bengala que lhe ergue os passos vertiginosos seriam o enquadramento perfeito.
Baixei-me e tratei de fotografar o que pensara.
- " Boa tarde, belos sapatos aqui tem..."
" Boas menino, já não se faz disto..., foi um sapateiro em Campo de Ourique, ainda lhe paguei em contos na altura..."
- " Dei quase 20 contos por estes ténis e já andam rotos, até mudaram de cor quando os lavei. "
E ali estavamos nós, a falar de calçado como se percebêssemos da indústria.
- " Como se chama? "
" Alfredo..."
- " Como lhe aprecio o nome, sou o Marco, muito prazer. Passa os dias por aqui...? "
" Gosto de observar, de sentir esta gente, os carros, os eléctricos, dos costumes que preservo apesar de serem já raros..."
- " Sei bem o que é isso Sr. Alfredo. Na nossa altura é que era a sério. Íamos ver a Cuf com o Atlético. Saímos e bebíamos ali um pirolito com os amigos e..."
Ele soltou duas gargalhadas e eu ganhei o dia.
Recuei num tempo que não era o meu, mas que o conheço por histórias e tudo começou a fazer ainda mais sentido.
Despedimo-nos com um passou bem intemporal e olhei-o com firmeza nos olhos, passei-lhe pelas rugas que brotavam os oitentas mas que eram orgulho de uma existência grande e rica.
Trouxe-lhe a metade que mais me cativou num homem tão inteiro como sereno.

em Londres, Inglaterra

Londres ao ritmo de um dia como os outros.

em Paris, França

Outra perspectiva do metro de Paris, com pessoas e desde o chão.

em Lisboa, Portugal

As simetrias de Lisboa ao pôr do sol...; pode estar sob estacas mas conseguimos vê-la a esquadro...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Entre o ébrio e o sóbrio.

em Fundão, Portugal

É a igreja do Fundão.

em Pampilhosa da Serra, Portugal

Se calhar esta fotografia podia ser esta música: Led Zeppelin - Stairway to Heaven

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Comi dois cogumelos destes há 5 minutos atrás, se sobreviver, coloco uma fotografia de uns cor-de-rosa que vou comer ao jantar.
Com a flora outonal em tons laranjas...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

A natureza e a lua numa das conjugações mais simples que já alguma vez lhes fiz.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

São as cantarinhas e combinam bem com qualquer mão, aqui são as da minha Mãe e as mãos também.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

O campo do Malhão
Na minha Aldeia, existe um fascínio pelo campo de futebol da terra. O fascínio até podia ser só meu, mas não, é geral.
Talvez por desde cedo por aqui se começar a jogar à bola, quando as balizas eram pinheiros e renovadas diariamente, ou as chuteiras eram botas da mina, ou a bola pesava tanto como hoje as de hóquei.
Depois existiu nos tempos do meu Avô uma equipa lendária, há pessoas que se recordam dos passes, das desmarcações, dos golos aqui e acolá, dos fetiches que tinham : um jogava de lenço na cabeça, outro colocava a bola no pé meu Avô da mesma forma que colocava as pedras com os pés num postigo de 20 cm, outro cabeceava no ar como se de um peixe se tratasse, pelo Domingos ninguém passava, era duro, um central dos antigos, o Germano era o tal que punha as bolas no meu Avô, o cérebro da equipa, o Caria cabeceava no ar, o Cartilha jogava de lenço por superstição. Tinham todos apelidos e eram assim conhecidos. Ainda há quem ecoe os nomes como se estivesse a fazer um relato numa tarde de domingo. O meu Avô era o Português e é até hoje...e até sempre.
Era letal, o músculo da perna direita dele eram 3 das dos outros. " O teu Avô, Marco? uma bola nos pés dele era um tiro para dentro da baliza. "...
Perdura na lenda que não perderam um jogo, eram destemidos e temidos.
E foi aqui que começaram a jogar, primeiro de olhos abertos e depois com eles fechados.
Por mais gerações que passem esta equipa é designada de " Campeões ". Davam-se ao luxo de ter uma segunda linha para só para treinar.
O meu Avô foi convidado pelo Belenenses do Matateu, mas recusou, para não deixar para trás a minha Avó. O destino se calhar encarregou-se de fazer bem, nunca se saberá.
Depois deles vieram outros, não tão bons, mas fala-se de tardes de domingo com este campo cheio de pessoas para ver a Aldeia jogar, passaram uns melhores que outros, mas a riqueza de uma tarde de futebol, era impagável naquela altura.
Lembro-me de em alguns domingos de manhã acordar com o formigueiro na barriga só para os ir ver jogar de tarde, subíamos uma encosta a pique e o campo era, como é hoje, lá no cimo, A alegria contagiava o cansaço. Entregavam-se troféus no final e depois ainda havia sumos pela tarde toda.
Nos últimos tempos existiam uns solteiros e casados, bola para o ar e alianças ao bolso. Ainda se levavam as coisas a sério. Cheguei a capitão dos solteiros e com ou sem enguiço por trás, os solteiros nunca ganharam um jogo aos casados. E foram muitos.
E hoje? hoje está assim, sozinho, habitado por insectos e algumas aves que se aproveitam dele para passear sem trânsito quando em terra pousam.
As redes são vestígios recentes e o tempo passa por elas, ao contrário das bolas.
Eu passei também e se a olharmos daqui vemos a Serra da Estrela por entre os buracos.
Que outra baliza no mundo se pode gabar disso?

em

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

1966, era dia 23 de Julho...como entre a Inglaterra e Portugal não existe diferença no fuso horário, estavamos em pé de igualdade.
O árbitro apitou e deu-se inicio ao jogo, Coreia de um lado e Portugal do outro.
Os "Magriços" fizeram um primeira parte horrível e no café do meu Avô discutiam-se os passos do Simões, a falta de eficácia de Torres, ou o deslize de Morais.
Bebia-se vinho e muito, na impossibilidade de se ver pela televisão, era este rádio que emitia o jogo, estava o som tão alto que se ouvia cá fora na calçada, onde os meninos e algumas mulheres se sentavam de ouvidos postos lá dentro...vibrava-se, lamentava-se e sofria-se.
45 minutos depois, brindava-se a Eusébio, a um jogador do outro mundo e aos "Magriços". Portugal perdia 3-0 e dava a volta ao jogo por 5-3, Eusébio estava louco naquela tarde de Julho.
O vinho esgotava no café do meu avô e já se passava para a aguardente. As mulheres e crianças já voltavam à rotina : os meninos brincavam na calçada e as mulheres de cântaros na cabeça iam à fonte buscar água...depois de emoções. Coisas raras naquele tempo...ainda mais porque saiam daqui...de um rádio.
60 anos depois voltei a ligá-lo, mas estava em silêncio...acredito que foi pelas emoções vividas naquela tarde de Julho de 1966.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

" Olá Avó ".
E agora quando eu chamar por ti, quem é que me vai responder : " Atão filho, o que queres ? ". Não posso mais voltar a chamar por Avó e ouvir-te responder bem alto, como só a tua voz se sabia entoar. Para já, ainda não sei lidar com isso.
Quis o destino que partisses no mesmo dia em que o Eusébio também se foi, se calhar as grandes pessoas têm um dia específico para se irem embora.
Hoje não senti o teu cheiro, as tuas palavras pela manhã, nem resmungaste. Porque partiste. Quem disse que para partir era preciso morrer?
Tu estás bem viva em todos nós e duvido que a memória seja menos teimosa que tu na hora de nos reavivar cada história que nos deixaste. Daquelas que são tuas mas também são nossas. Sabes?
Vai custar-me perder a tua gargalhada e boa disposição mesmo nas alturas menos boas.
Sabes Avó, dizem que o tempo cura tudo. Lembro-me agora daquele dia em que me carregaste ao colo desde a nossa casa até ao posto médico, para levar 3 pontos na cabeça, os únicos que tenho até hoje. O tempo curou-me, mas deixou-me a única cicatriz que tenho no corpo. O tempo não cura tudo, ele cura parte. Vai deixa-nos mais leves nas horas de te recordar.
Não eras daquelas Avós com mãos de veludo, mas nem podias ser, tinhas trabalho e sacrifício bem desenhado nas mãos. E aquele dedo com um corte que te deixou também uma cicatriz? Foi por teres passado a tua juventude a trabalhar na procura do minério. Como podias ter mãos de veludo?...Se o Avô emigrou para a Venezuela e depois para a França e tu ficaste a criar sozinha 5 filhos. Ainda me criaste a mim, ao meu irmão e aos meus primos e chegaste aos 94 anos e qualquer coisa.
Quem cria duas mãos de dedos de filhos, netos e sobrinhos; quem trabalha desde os 7 anos; quem apanha minério em vez de servir em casas de condessas; quem espera pelo marido depois dele atravessar o Atlântico firme como quando ele se foi; quem vai às " Boixinhas " 3 vezes por dia só para regar a comida que ias pôr na mesa...; quem faz isso tudo durante 94 anos não pode ter mãos de veludo. Tem mãos de guerreira e um coração batalhador. Recordo-me da cor, do cheiro, da firmeza, do trabalho que existe gravado nas tuas. Ainda partes com ele.
E agora? Quem se senta no teu lugar na mesa ao jantar? Quem vai ocupar o teu lugar no sofá da sala? Quem pede para mudar para as noticias da Rtp? E o cadeirão por baixo da televisão na cozinha? é para quem Avó? ele já é teu por condição. Quem me vai lembrar de ficar em casa..." porque não há melhor andar do que em casa estar...", quantas vezes te ouvi isso Avó? Nunca gostava de o ouvir e hoje desejava que o repetisses até te doer a garganta. Mas nunca te doía nada, nunca te vi doente até há poucos meses.
Eras rija, pensava sempre que ias chegar aos 100 e olha que não andaste longe. Continuas rija na minha memória e na memória dos teus.
Quem vai beber água pelo teu copo de esmalte? posso ficar com ele? Vai ficar um vazio igual àquele que existia quando não estavas. Mas tu estavas sempre. E agora?
Partiste sem te despedir com uma pinta, como antes nunca tinha visto. ....Andaste a vida toda a despedir-te : " Até amanhã se Deus quiser filho e dorme bem...", já te despedias assim, todas as noites antecipando este dia mau. Só agora o topei. Eras danada para este tipo de rasteiras.
Espero que lá para onde fores te recebam como sempre : " Olá Benvida "..que sejas lá também " benvinda " como o eras sempre, porque o teu nome já o obrigava.
E estou nas vésperas de te ver partir, mas não há vésperas para se partir...quando não se parte nunca. Apenas aceitar que nos vais proteger de um lugar distante mas perto de nós ao mesmo tempo.
Era para te deixar aqui uma música do teu cantor preferido de sempre...( e eu nunca percebi este teu gosto ), o Paco Bandeira, Avó? Se calhar era outra partida tua e nunca gostaste dele. Não me admirava.
Mas deixo-te esta, vais gostar muito, espero que onde estejas existam phones, mete os phones e o som no máximo para a ouvires ok ? : Robbie Williams - Nan's Song
É de um cantor do teu tempo, porque até ontem eras do tempo destes todos. Passaste pela Amália e gostavas da Mariza, já pensaste nisso? Pareces intemporal ao próprio tempo.

Hoje queria sentir-te as mãos, o rosto, o cheiro, o toque, passar-te a mão no cabelo, vou ter que o fazer em pensamento e choro por dentro e por fora.
Vou ter saudades tuas Avó Benvinda. Estou habituado a ti desde que me conheço a mim próprio. E agora ?... desculpa se alguma vez te falhei com algum beijo.
" Adeus Avó "...

em Madrid, Espanha

Este é o chão de Madrid. Não foi fácil descobri-lo. Aproveitar os dias chuvosos não é coisa simples, mas fazer uso deles com reflexos em poças de água pode ser mágico.
Aqui temos o Palácio Real, mas num reflexo, e este é o chão que as pessoas pisam, os comuns, aqueles que vêm a corte assim como eu a vi ou de forma parecida.

em Eindhoven, Holanda

Não tem história, porque deve ter várias. Pisei-lhe as folhas que cobrem o tartã e com os olhos fechados num silêncio interrupto pelas que caíam das árvores escutei a bola de basket no chão de espaço a espaço.
Foi em Eindoven...na Holanda.

em Lisboa, Portugal

As pessoas costumam vir para aqui respirar tranquilidade, pensar, observar, até respirar fundo.
É um local de relaxamento e calha a ser bonito também, por esta altura o sol despedia-se com cores, e um barco cruzava uma das duas colunas num cais com lugar para a paz.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

As folhas esta tarde estavam assim, tão bonitas e simétricas, com as cores certas...também.

em Castelo Branco, Portugal

O piano.

em Castelo Branco, Portugal

Escolhi a meia noite para escrever este texto, em detrimento do silêncio habitual, fui buscar música para me alimentar o pensamento, a música é tocada pelo mesmo instrumento.
Amélia nasceu em finais do Século XIX, já corria o ano de 1889 quando começou a dar os primeiros passos. Quis o destino que a vida lhe fosse abastada.
Os seus primeiros amigos foram os empregados que tratavam da casa e só mais tarde percebeu que existiam pessoas para além da família e das que se ocupavam de lhe fazer tudo.
Naquela época Amélia era uma menina de privilégios extremos e raros, apesar de viver no interior, os seus Pais não se inibiram de lhe oferecer Ballet aos 3 anos, uma flauta aos 4 e o piano aos 7 e até ao resto da vida.
Quis o acaso da vida que as teclas fossem a harmonia do seu sorriso, o pedal o pêndulo da sua alma e o som era magia quando tocado por ela. Os ouvidos de quem a escutava viravam notas musicais e o coração enchia-se como se de solfejos se tratassem.
Amélia era sonhadora, começou a tocar em pequenos teatros a viver através do som.
Tinha 16 anos quando conheceu António, o jardineiro que tratava das flores e que lhe entregava um sorriso todas as manhãs...
...nasceu paixão e amor, passou a tocar enquanto ele tratava do jardim para lhe dar dias alegres e ele retribuía com flores.
Meses depois o Amor proibido tomara conta dos dois.
Foi então há 94 anos que Amélia e António fugiram para que se pudessem amar, ultrapassaram fronteiras até chegarem a Viena. Ausentes do seu espaço e das limitações que lhes rodeavam puderam unir o coração.
Para trás ficou o piano vestido de sonhos. As teclas pararam de tocar naquele dia e foram pedaços do coração de Amélia que ficaram junto dele.
Com o piano encontrei dezenas de cartas que ela enviava frequentemente aos Pais...e em todas fala no piano e no coração despedaçado que naquele dia morrera para a música.
Em Viena optou pelo violino e foi esse o rumo que deu à sua vida. Mas o desgosto não morrera com o tempo.
Mais de 100 anos depois, encontrei as histórias, o coração de Amélia, o espaço onde aprendeu a amar...e o piano que vive inerte e rodeado de pó. Soltei-lhe uma tecla...
mas já não existe nele qualquer som.
Foi marcante...

em Lisboa, Portugal

" Está bom assim? "
- " Não...mais para o lado, não quero apanhar a ponte..."
"...assim? já estou à rasca..."
- " Aguenta-te Mafalda, só quero os tons de fim de dia e algo diferente...";
Nem sabia bem o que estava a fazer...
"...mas como cruzo as mãos?...que faço mais ? "
- " Não faças nada, descontrai, só tu sabes como se descontrai..." ;
- " Mas firmeza nos dedos, quero as etiquetas da all star também..."
" Já estou farta, termina lá isso...";
A Mafalda, chateara-se porque não percebia o que estava a acontecer, eu não lhe desvendara o que queria, mas andei o dia todo a pensar nesta " metade ". E só a vi perfeita, no momento em que senti que o padrão da camisa da Mafalda estava em uníssono com o pôr do sol que pousava no tabuleiro da ponte e o chão era num cais marcado pelo passar da água entre os anos.
Esta fotografia não aconteceu por acaso, foi pensada...assim, sem rosto ou horizonte com um toque de mistério e diferença. Uma metade especial mas simples.

em Eindhoven, Holanda

São as antigas fábricas da Phillips em Eindhoven.

em Penamacor, Portugal

Lá fora caminhavam as Senhoras idosas que saíam da missa, ouviam-se a espaços. A garrafa tinha um rótulo que dizia : álcool puro, a revista não era uma revista, era uma lista telefónica da zona de Lisboa.
Mas o trinco?...foi o trinco e a luz no trinco que me agarraram ao momento.

em Penamacor, Portugal

A caixa das malhas e uma história envolta de pedaços inertes pelo tempo e no espaço.

em Paris, França

Tem um ar distinto e altivo, tem um carácter forte, mas distingue-se sempre pelo estilo, pelo glamour com que se veste. É Patrick.
Fotografei-lhe os pés para vos dar a conhecer a vida e o rosto noutra altura.
A gabardine creme que ostenta é o amuleto da sorte que o acompanha sempre em dias agrestes. No bolso que se vê nesta fotografia Patrick tem um baralho de cartas, com que faz magia, para entreter os amigos...enquanto bebem uma cerveja ou mais.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Tem 190 anos, pelo menos. Ainda mantém o barro, a pedra, a firmeza, a simetria e o detalhe.
É uma parede na minha Aldeia...

em Castelo Branco, Portugal

Um sofá solitário há quatro décadas...

em Piódão, Portugal

Esta é a perspectiva usual para os arranha-céus, os prédios grandes ou outros edifícios de grande envergadura.
Mas se nos deitarmos na calçada construída há 110 anos atrás pelo calceteiro da terra conseguimos obter o mesmo olhar.
O mundo rural é visto de cima para baixo, para os lados, mas também pode ser visto assim.
Distingue-se pela ausência da poluição nos céus azuis e límpidos.
As pedras que constroem as casas têm todas mais anos que os nossos avós e estavam ali, quando no mundo se tratavam 2 guerras mundiais ou muro de Berlim foi abaixo.
As portas azuis, que estão em sintonia com as janelas e o céu...podiam ter sido trazidas de Notting Hill...mas levaram apenas uma " segunda de mão " pelo mesmo calceteiro, que fazia de pintor e de artesão ao mesmo tempo.
As portadas, a firmeza da pedra e os detalhes são próprios de uma Aldeia que é a mais típica de Portugal.
Foi bom, perceber que podemos ver a imponência rural de baixo para cima.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

...entre o soslaio do olhar.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

É a porta de uma das três casas mais antigas da Aldeia. Hoje restam-lhe apenas as memórias, algumas delas estão desenhadas à mão, com um giz ou uma pedra, são elas que nos levam ao passado.
Corações que são amor perdido no tempo e provavelmente no espaço. Não conheço os donos das siglas, porque já não vim a tempo de privar com os meus antepassados.
Espero apenas que no fim, tenha vencido o amor, como deveria ser sempre.
Que o coração não tivesse sido partido e que o passado tenha sido, presente e futuro.
Com as memórias...feitas de amor.

em Serra da Estrela, Portugal

Entre folhas e ramos. É uma casa escondida.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Foi por aqui que a Edith Piaf ousou entrar pela primeira vez na casa dos meus avós. Não foi pelo quarto dos fundos ou pela janela das traseiras, foi por aqui. Entrou ao mesmo ritmo que os raios de sol que cobrem o gira discos.
O meu Avô trouxera-o de Paris nos anos 70, pelo gosto dele por música e pela sensibilidade para a poder escutar por um prato suportado pelo ar e ritmado pela agulha.
Há dias voltei lá, retirei-o da caixa onde sobrevivia inerte e coloquei-o na mesa preferida, os raios do sol eram os mesmos e as notas musicais saiam sem que se percebesse esta interrupção com mais de 30 anos.
Limpei-lhe o pó com um sopro e fiz o mesmo ao disco de Simon & Garfunkel, as primeiras notas musicais foram The Sound Of Silence e o sopro que se seguiu foi o do coração. Os raios brilhavam com mais intensidade e luz entrava pelo coração e não pareceu sair.
A música é na maioria das vezes eterna, o sol e a intensidade que sentimos tudo...também.

em Paris, França

O que me cativou verdadeiramente aqui, foram as luzes dos letreiros...reflectidos no passeio...

em Pampilhosa da Serra, Portugal

Quando se cruzam...a engenharia do ar e do vento, ao pôr do sol.

em Monsanto, Portugal

É uma das Aldeias mais típicas de Portugal, talvez até do mundo.
É feita de pedras gigantes, de construções imperiais e vestida por gentes que preservam a cultura e as tradições.
A luz no candeeiro não estava acesa, mas o sol esbatia-se lá e fingia dar luz artificial...mas tudo em Monsanto é natural...

em Amesterdão, Holanda

Se olhares com cuidado para as poças de água aqui, elas reflectem os edifícios, as pessoas podem olhar para ti e não passas despercebido, até encontras cigarros...ou não fosse Amesterdão..

em Castelo Branco, Portugal

Fred e Ruca, são os dois amigos que partilham recreio há dois anos, juntaram-se por um propósito. São eles que trazem os objectos e fazem as trocas com o interior a partir do exterior, são a passagem para o inacessível.
A troco de dinheiro, trazem para os colegas que com eles partilham o espaço : livros, tabaco, colecções de várias coisas, posteres e outros objectos de alguma ilegalidade.
Estas trocas fazem-nos sentirem-se mais perto da liberdade, fazem com que não saindo do mesmo espaço não sintam a clausura da mesma forma que os outros. É uma liberdade limitada mas que lhes permite abrir a a alma para a luz e para o exterior.
10 horas - É a hora da ginástica. Hoje recebem uma mercadoria importante, chega através dos colchões de esponja que permitem os alongamentos na ginástica.
Vão receber 15 contos pela passagem destes objectos que depois será dividido pelos dois.
Dino é a porta para a rua, é o entreposto de passagem e o aliado.
É um funcionário com 20 anos de casa que a troco de um segredo lhes faz a passagem de todas as mercadorias do exterior para o interior.
Eles impediram que Dino utilizasse outros dois rapazes á base da força para uso do seu próprio desejo. Este acto maquiavélico valeu-lhe 3 costelas partidas e uma perna com deficiência para sempre, foram naquele momento impulsividade e justiça por parte de Fred e Ruca. Até hoje anda debaixo de olho por destes dois.
E o segredo é o trunfo para que ele lhes traga tudo quanto eles peçam.
Mas recuemos a esta manhã, Fred chegara, olha para todos os lados mas não vê o Ruca.
Ele sabe que o tempo é fundamental nestes dias. Os colchões chegam com Dino e ele terá que fazer o trabalho sozinho.
Conseguiu ainda assim passar todos os objectos por aquelas janelas que vemos lá ao fundo.
E a sua lealdade fá-lo procurar por Ruca para com ele dividir os 15 contos desta dia.
Atravessa incessantemente corredores e perde-se até chegar a noticia de que Ruca estava na prisão solitária por uma briga na noite anterior com outros 3 rapazes. A solitária podia não ter sido o desfecho se ele não usasse de um canivete para se defender.
15 dias depois Ruca sai do metro quadrado com pouca luz que partilhou com mais dois ratos...
...e Fred espera-o sentado na mesma parede, do lado de fora, ainda tem cosigo a parte do dinheiro deste e um abraço que é o único conforto que a amizade pode partilhar em alturas como estas.
Decorria o ano de 1986 e o espaço é um colégio interno para rapazes problemáticos e com menos de 18 anos que não têm lugar noutro sítio senão neste lugar de correcção.
A bola?...veio comigo para casa 30 anos depois...
...com ela trouxe recônditos na minha memória os gritos de Ruca naqueles 15 dias em que o sol para ele foi do tamanho do céu se o olharmos para baixo.

em Londres, Inglaterra

Voltei a Londres, volto sempre lá. Para colmatar momentos de nostalgia, ou porque simplesmente quero reviver. Costumo deambular por Portobello, outras vezes não.
Encontrei Oscar debaixo desta portada feita de janelas, algumas pessoas sabem de quem falo. Quando " volto " a Londres, vejo-o sempre aqui, a ele e aos amigos com quem partilha o final de tarde. Hoje faltam 2h para sair do trabalho, sei que não demorará a chegar e a pedir a cerveja habitual.
Na janela acima do Pub ainda consigo ver o reflexo do edíficio em frente deste.

em Lisboa, Portugal

Os telhados de Lisboa, entre as grades ao pôr do sol.

em Amesterdão, Holanda

Uma estação em Amesterdão...
Minutos depois saía um comboio para Ultgeest...minutos antes chegámos nós.

em Lisboa, Portugal

Provavelmente deveria pegar nela e levá-la comigo a todas as cidades do mundo. Ou andar com ela debaixo do braço e levá-la para onde me levo.
....e provavelmente, quem me conhece, sabe que esta imagem não é uma novidade. E quem me conhece mesmo bem, sabe que farei dela uma marca, um cunho ou uma ideia.
É metade da Mafalda, ela confirma que o amor não tem lugar fixo e pode estar acima dos calcanhares se assim o quisermos.
Ela reduz ao máximo aquela expressão : " não me chegas nem aos calcanhares...", porque estes são de amor. É difícil lá chegar...
Nasceu em Montmatre, um dos bairros mais românticos de Paris ( a Mafalda não, a ideia sim )...
...ela descia a calçada e eu via amor acima dos pés dela. Ela parou e retivemos aquela junção de coisas boas.
Pedi-lhe para lavar os tenis, os mesmos, e vir comigo a Lisboa.
Subimos a um local alto, abandonado e panorâmico e de lá vimos o Tejo, a ponte, o Aqueduto, o Cristo Rei, Lisboa e os arredores. E foi de lá que voltámos a amar (assim) uma cidade feita de detalhes ou coisas enormes.
Ao fundo na ponte, cruzavam-se milhares de pessoas, nas ruas igual e podíamos sentir tudo daqui.
A Mafalda gostou, como se pode ver por aqui.
E eu? e eu vou levá-la comigo e fazer uma fotografia assim em todas as cidades por onde passarmos.
...até já Cinque Terre.
Se pudesse escolher uma imagem que " falasse " de Lisboa seria esta, por não ter nada e ter tudo ao mesmo tempo, por ter a cidade presa ao amor e em bicos de pés, tão simples e tão bonita.
Por agora, de Lisboa com Amor...

em Caldas da Rainha, Portugal

Os bancos do jardim, no Outono.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

São os tesouros encobertos de gente marcada de história ou detalhe.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

...foi aqui...
Hoje foi dia de por de parte as paisagens habituais, o sol e as encostas. Acerquei-me do característico que existe na Aldeia, do comum por aqui mas incomum fora daqui.
Dos telhados que vivem com musgo, das chaminés que deitam fumo, do típico e do detalhe.
Esta casa está a cair, à partida não teria qualquer motivo fotográfico, ela vive inerte no espaço e no tempo e vai acabar por se transformar em ruínas dentro de algum tempo. Algumas pessoas vão achá-la feia ou mais uma para cair.
Mas é uma casa de história e memórias, de gentes, de estórias, de um século e meio.
Foi aqui que a minha Avó teve catequese, o meu avô também, os do tempo dele, foi aqui que a minha Mãe e o meu Pai também tiveram catequese, toda a minha família e todas as famílias. Que se aqueciam nas braseiras enquanto o catequista lhes ensinava como fazer o bem, ou lhes citava os versículos segundo alguns Apóstolos.
Foi aqui também que todas as gerações tiveram catequese, foi aqui que eu também a tive.
A cruz de Cristo pregada na madeira, mas também na madeira da casa perdurou por todas as gerações.
Lembro-me da madeira a ranger, da madeira já frágil na altura, lembro-me do cheiro, da lenha ao lado da lareira.
Esta casa é conhecida pela casa do Padre, foi aqui que durante décadas viveram o Padre Gil ( atenção que o homem não era meu familiar ) e as suas duas irmãs.
Acredito que o momento alto do Padre Gil tenha sido o meu Baptizado e percebo-o.
É também a casa que tem duas placas com duas ruas distintas, uma travessa e uma rua.
Esta casa é emblemática a muitas pessoas e acredito que são várias as histórias que sobraram do tempo.
As pedras caem mas as memórias não.

em Lisboa, Portugal

Na semana passada vi um filme Português, diz o filme que " Os gatos não têm vertigens ";...lembrei-me desta fotografia que tirei na Cova da Moura há um mês atrás, não pela analogia da imagem ou por qualquer mensagem subliminar, mas apenas porque me ocorreu.
Não fotografo gatos, porque é o único animal que me faz confusão, mas reconheço-lhes virtudes e astúcia.
Conseguem por-se aos pares em cima do sofá sem ocupar o lugar do dono e se eu passar com uma câmara fotográfica e os focar, olham para mim : assim.

em Castelo Branco, Portugal

Desde de domingo que estou ao abandono numa casa também ela abandonada. O local é uma ilha deserta e normalmente elas são compostas por plantas únicas que só existem naquele sitio.
Pois, nesta ilha a cor da flora é aquela que se vê através desta janela, o verde e o roxo são o presente que é indicativo de um tempo que a nós nos une. E foi com a união que tive com o fantasma da noite passada que ganhei um novo rumo nesta casa perdida de fim.
Era madrugada ainda quando pus novamente a mochila nas costas e calcei as botas, despedi-me do fantasma com um abraço, daqueles bem apertados que quando damos conta já furámos o fantasma de um lado ao outro. Segui caminho, cruzei-me ainda com um menino na casa dos 100 anos se hoje ainda fosse vivo, levava consigo uma faca e sangue nas mãos e no pescoço. Recuei, olhei para ambos os lados mas não vi vestígios de vampiros. Voltei ao que me guiara até ali; a vontade de sair desta casa.
Passei por uma cozinha em destroços e outras 20 divisões inertes no tempo. Cheguei por fim a um quarto com vestígios de um tempo recente, vestido de móveis e um espelho, olhei-me a ele e vi 3 vultos, ignorei. Mas ignorei pelo óbvio de uma janela fascinante, poderia descrevê-la, mas decidi fotografá-la, porque há imagens que falam por sim e outras que pelo seu próprio " rosto " vivem perdidas no silêncio.
E como alguém disse um dia : " Se há coisas duras na vida, é termos no coração palavras e não as conseguirmos exprimir...", pois foi o que aqui me aconteceu...

em Lisboa, Portugal

Conquistar Lisboa pelos detalhes é fascinante.
Foi por isso que um momento nos cruzou o caminho...ontem à tarde na Rua Augusta.
Eu explorava os rostos, fossem eles diferentes ou iguais. fotografava Dinamarqueses enquanto me passavam ao lado as Suecas.
...até que...até que o mundo parou num instante.
Chama-se Cate e tem o sorriso do tamanho da Oceânia, os traços do rosto parecem uma simetria ou desenhados a pincel.
Segui-lhe os passos...e esperei que ela chegasse até mim, para lhe perpetuar as tatuagens e desfocar o Arco da Rua Augusta...num detalhe que me encheu a alma.
A Cate também me encheu a alma e abriu-me o sorriso. E será esse sorriso único...deslumbrante e totalmente desconcertante uma das próximas fotografias.
Atrás de Cate vem amor de mãos dadas...como se um momento assim pudesse ser irrepetível...
Com Cate em detalhes...da Rua Augusta, em Lisboa.

em Paris, França

O detalhes, a vermelho, de Montmatre.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

É uma das casas que mais gosto na minha Aldeia. Pela tradição que lhe conferem as pedras firmes e pela beleza peculiar feita ao detalhe pelo meu amigo Nicolau, o homem que era dono da casa...
Contava-me vezes sem conta os detalhes que lhe acrescentava com o tempo e a faziam distinta, o olhar envaidecia-se por cada vez que me explicava cada pormenor que lhe haveria de pôr aqui ou ali. O piso parecia rimar com as paredes e a simetria dos pisos com o alpendre.
Ele empregava o coração e a casa ficava cada vez mais composta, de amor e de coisas.
Quando a terminou, disse-me que me levaria a ver cada detalhe que me havia descrito em palavras...
...mas quis o destino que assim não fosse. A vida roubou-lhe a justiça de poder gozar uma construção feita com alma.
A casa do Nicolau, é hoje da Judite e da Sofia e apesar da vida ser traiçoeira, sempre que a vejo, lembro-me de cada pilar que o Nicolau me contava vir a erguer.
Continuo a gostar dela de uma forma especial...talvez porque lhe tenha conhecido a alma com que foi feita. Hoje vi-a da forma que gosto mais...com a calçada que é firme como a própria casa e que lhe oferece o caminho para a entrada.
O céu estava agitado, talvez fosse um sinal...

em Belmonte, Portugal

A cozinha
Os móveis sobrevivem inertes no tempo e no espaço, sem utensílios, mas com resquícios de memórias...e tantas.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Esta é uma das casas da minha Aldeia, desabitada como 90% delas, mas com histórias que davam para triologias e contos de muitos volumes.
Hoje resiste inerte no tempo, mas foi abrigo e lar de tantas famílias, crianças e pais que se criaram com pouco e viviam felizes como nunca.
Ainda consigo sentir os sons, os risos das crianças, o vapor da água das cafeteiras, a panela ao lume com comida para 3 numa família de 12 e as tertúlias pelo serão adentro, iluminados por um gasómetro e quentes pelas fogueira de uma lareira pequena. Os abraços e o pouco que era tanto aquecia-lhes os corações. Ou o relato na rádio de um jogo da bola que dividia opiniões mas que na altura não gerava discussões.
Não tem um alpendre azul, não tem uma cadeira daquelas que baloiça, mas tem as histórias que vi naquele momento em que disparei o botão para a fotografar.
E é por isto que uma imagem significa tanto para mim, porque ela fala, leva-me ao passado ainda que presente deste...presente que é indicativo de um futuro que nunca mais há-de voltar.
Agradeço ao céu, que nesta tarde de domingo de fim de verão, estava tão bonito que parecia expressar-se comigo.
Da minha Aldeia para o mundo.

em Lisboa, Portugal

" Optei pela segunda ", isto porque já não me lembro de me sentir tão indeciso na escolha de uma fotografia a publicar. Existe outra e durante mais de 1 hora saltei de uma para a outra. Escolhi esta, com a condição de dar a conhecer a outra ao mundo num dia destes. Mas também pela emoção.
E o mundo pode ser assim : simples mas perfeito. Com as cores certas, a luz que finda o dia quente e um enquadramento que parece não ter fim.
Lisboa é luminosa, porque no Tejo existem partículas que a fazem brilhar de uma forma especial e ambígua a tudo.
Neste dia, elas brilharam-me diante dos olhos, resvalando nas grades que me distanciavam das casas, das portadas e da cidade que circulava imperial.
Tudo seria assim bonito e perfeito, se porventura numa das grades não rejubilasse uma palavra que tornava tudo mais cintilante : POESIA.
Vive gravada na firmeza do ferro, esculpida com a nobreza que só um grande conjunto de letras pode ter direito.
Foi assim que na cidade das 7 estrofes, perdido pela rima métrica do castelo, entre os sonetos das Portas do Sol ou da Senhora do Monte, encontrei no Jardim de São Pedro de Alcântara o verso que podia ser condição textual aos olhos.
Se a forma estética através do olhar se resumisse a um momento, pois este teria sido a rima perfeita a uma narrativa que terminará com uma história de amor, que contarei depois.

em Paris, França

GL(AMOUR).

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

O instrumento musical remonta ao século passado e era do meu Avô, é um Bandolim. Surge muitas vezes do meio do pó para dar festa e som a muitos momentos.

em Paris, França

O amor no metro de Paris.
As mãos com as luvas são do Zé e a gabardine é do Jean Pierre, os pés são da Mafalda.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Simples e a cheirar a verão. Sem histórias...foi há poucas horas.

em Lisboa, Portugal

Em Lisboa dediquei-me a algo muito mais street. Meti isso na cabeça até o concretizar.
E andei meio à deriva porque queria algo diferente...MENOS ROSTOS E MAIS MISTÉRIO.
Fui tentando fazê-lo aos poucos e tudo começou com Ernesto...um homem de negócios, que vive entre a Alemanha e Portugal para poder gerir 7 multi-nacionais.
Ele saía de uma reunião e será uma das próximas fotografias. Por agora...apanhei-o de " saída "...

em Lisboa, Portugal

Gosto de pessoas especiais. Que se distingam apenas porque existem ou nos cruzamos com eles.
É assim Rynoe e a mulher. São do País de Gales e viajam por toda a Europa, fazem-no há algum tempo.
Hoje, estão em Berlim numa viagem bem diferente desta. Eu e Rynoe mantemos contacto através da única rede social que ele utiliza : o instagram.
É apaixonado por tatuagens e a mulher também, é apaixonado por sol e a mulher também, gosta de uma boa cerveja e a mulher também.
Vinham de Lagos, e estavam nos últimos dias em Portugal, o sol abrasador de fins de Junho deixava-os felizes, porque têm poucas vezes o contacto com ele durante o ano.
Rynoe é mais disponível, mais simpático, de sorriso largo e constante, mostra-se disponível para falar, naquele sotaque Britânico bem carregado. A mulher é mais discreta. Falámos um bom bocado, apreciei-lhes a peculiaridade do estilo e a presença, a energia ou a simpatia.
Trouxe-lhes os rostos que publicarei em breve. Por enquanto deixo-vos com metade deles...uma metade em que a pele deu lugar à arte.
Com o Rynoe, o Galês simpático e a mulher...do Largo de Camões.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Quem não tem gato caça com ratoeira...

em Lisboa, Portugal

Inicialmente deitei-me aqui ( sim, literalmente ) para combinar o padrão do chão com o que quer que passasse por ali. Com as pessoas, os eléctricos, com as roupas. Mas rapidamente me apercebi que eram metades de pessoas com metade do chão que podiam representar-se na totalidade.
Aqui caminhavam 4 vidas, algumas lado a lado, outras de costas viradas. Mas pisavam o mesmo chão. São vidas por inteiro fotografadas pela metade.
A Joana, a Rita e o Ricardo vieram passear por Lisboa. Vêem de Barcelos e trazem sacos com as compras das tendências que ainda não chegaram ao local de onde vivem. Atrás deles vem a Sara, entra às 14 horas e são 14h40, atrasou-se na pausa para o almoço, porque está apaixonada pelo João e foi com ele que foi almoçar. Parou no tempo e isso pode custar-lhe o emprego, os passos dela são mais apressados...mesmo que o ritmo pareça ser igual.
Conto histórias e por vezes estórias mas nunca falo sobre a forma como fotografo, sobre a expressão que as fotografias exercem em mim diferencialmente.
Gosto especialmente de fotografar assim, de sentir os passos a quem nem sequer está a contar que o faça.
De lhes sentir a pressa ao ritmo do coração.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Ontem fui fotografar um dos sítios que mais gosto, quando o sol se põe, tudo parece mágico. Os minutos parecem horas e os segundos são minutos.
A estrada parece um trilho entre a Escócia e o País de Gales e todos os dias a descubro.
Ontem descobri-a assim, nesta perspectiva...ficou-me nas costas...
Embalei o tempo num espelho, onde o céu parecia desenhado.
Se o tempo parasse podia ser ali. Ou quando dei o beijo na boca ao Guaxinim que vive escondido atrás daqueles arbustos...

em Lisboa, Portugal

Lisboa vista pelos detalhes pode ainda ser mais imponente e mágica. Pode ser diferente e especial.
Ao fundo é a ponte 25 de Abril num pôr do sol quente e com cores de fim de dia...sem o trânsito do costume.
As águas do Tejo ondulavam tranquilamente e junto a mim tenho a Cheila num estilo vintage que me fez deambular entre o antigo e o actual. Os sapatos brilham com os últimos raios de sol e as pernas sentem a brisa amena.
Vou trazer o rosto da Cheila em breve, mas nestes entretantos perdi-me em pormenores... e sapeteei ao ritmo de uma cidade única...que senti com alma.

em Londres, Inglaterra

Os passos de Anne, uma Inglesa bonita dos pés à cabeça.

em Lisboa, Portugal

Este é o tipo de fotografias que mais mexe comigo. Gosto de me cruzar com metades de pessoas que lhes revelam a identidade.
O Francisco, parou, observou-me e reprovou com a cabeça num aceno perceptível, tirou o chapéu e voltou a abanar a cabeça, o Francisco é reformado, passeia 10 km por dia e tropeçou em mim por aqui. Ele é o senhor que vai lá à frente mas ainda com o olhar sobre mim.
A empresa de seguros para onde trabalha não está nos melhores dias mas mesmo assim, o Manuel vem de fechar mais um contrato. Acabara de segurar o recheio de uma casa que vai ser restaurante. O dia não está a ser tão mau e foi almoçar com o filho. Perderam-se em conversa e está 20 minutos atrasado para outra reunião.
Vem apressado, mas ainda assim pude perceber que a mala é de pele, que lhe foi oferecida pela mulher no 2o aniversário de casamento e que tem no seu interior uma parker com o nome dele gravado. Entre contractos e papéis sem efeito.
O Manuel é um homem de negócios, nem deu conta de mim e quase que lhe cheirei a graxa dos sapatos. O mundo dele é demasiado ocupado para se dar conta dos pormenores. Eu era apenas um transeunte deitado na calçada com uma câmara na mão e eternizava momentos à luz de um sol quente.
Gosto da vida que não se dá conta de nós, mesmo quando asseguramos de a completar em detalhes como este.
O cinto do Manuel? Não era Prada...

em Lisboa, Portugal

São sons e ritmos sem cor.

em

em Castelo Branco, Portugal

Abri a porta ao fundo daquela sala enorme, demorei 3h até vir sobre mim a coragem e dar o passo. Tinha um manipulo que caiu mal lhe toquei, pelo que tive que a empurrar com os pés.
Vivi ansioso os instantes por descobrir o outro lado, é então um corredor imenso, ladeado por portas de luz e por portas que se abrem para a escuridão, são divisões que se sobrepõem a outras e nelas vivem peças perdidas no tempo.
Vi um frasco de tinta para escrever, um lenço manchado com sangue ou então era da tinta do frasco. O mais curioso é que não descobri cheiro algum neste local, ouvi um som que fazia eco por entre o corredor, era uma torneira entreaberta que perdia gotas de água, talvez as gotas do tempo, de um tempo passado e do que há-de vir. Ao fundo a luz atraía inevitavelmente a minha atenção, senti nos instantes e nas passadas pelo corredor o íman que me prenderia àquele sitio que é mais que luz.
Se a normalidade persistir, aquele será o próximo lugar a descobrir, depois de um túnel com luz.

em Lisboa, Portugal

Nunca olhei para a ponte e para o Cristo Rei da mesma forma. Acho a ponte mais imponente, dá-me uma carga de energia incrível e se a virmos com o sol a pôr-se sobre ela pode ser mágico.
O Cristo Rei é para mim uma estátua gigante, faz-me sempre lembrar as viagens de Gulliver, não me fascina particularmente.
Com a máquina fotográfica acontece-me a mesma coisa : encaro-os de forma distinta.
Pensei então numa na perspectiva original, e foi esta que me ocorreu naquele momento. Em sentido figurado, dispô-los por dioptrias e perceber que até o nervo óptico os distingue pela miopia com que observo o Cristo Rei e o astigmatismo que retém a ponte na outra lente.
De Lisboa com oftamologia.

em Faro, Portugal

Deu à luz, entre a luz...

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

A natureza toma conta do objecto.
Há dias tirei uma fotografia muito semelhante a esta, pensei que fosse suscitar alguma curiosidade, mas teve uma aderência significativa e criticas positivas, prometi a mim mesmo que passaria pelo mesmo sitio com a máquina fotográfica, para lhe sugar os detalhes com pixels a sério, para a tornar mais real e intemporal.
Aquela janela está por ali há mais de 100 anos, viu passar a luz quando ninguém tinha luz, viu nascer a água quando os outros passavam por ela de cântaros à cabeça.
Mas não é fácil ser uma janela, dá trabalho não arredarmos pé para sempre. Sermos imobilidade de nós próprios e só sentirmos o toque ou movimento quando se servem de nós para ver entrar os raios de sol, uma ou outra brisa e nos mantém numa espécie de " entre abertos ", porque é essa a rotina. Ora não deixamos passar o frio, ou nos abrimos para entrar o calor.
Mas uma janela pode apenas estar tomada pelo tempo, pelo verde das plantas mais recentes e pelo poder das outras que têm raízes mais antigas que o Frank Sinatra. Ou apenas sobreviver num tempo que parece constituído por décadas a fio, por histórias sem final, por luzes apagadas, por candeeiros ligados, pela intermitência de pessoas, onde muitas das vezes as personagens variam, conforme...a vida.
Esta janela é uma porta que faz de janela, já foi de vidro por dentro e a madeira servia de persiana na altura dela...da madeira. A grade de fora era abrigo e a que se vê ainda mais para cá, serve de abrigo ao próprio abrigo.
Pensei numa história assombrada, com gritos, vultos e o " diabo a quatro " ( nunca percebi esta expressão ); mas achei que a devia tornar mais real, falar do que vemos e não do que observamos.
Fiz então um trato com o fantasma do meio para que fosse regando as plantas mais pequenas.
Com a janela...feita de jardim.

em Lisboa, Portugal

O amor...
O amor a sério perdeu-se na evolução desmedida dos tempos. Ficou para trás, nas cartas dos nossos avós, numa corrida de três dias a pé para se ver um sorriso, na berma de um cruzeiro que atracava por dois dias, no esforço da conquista, nas mãos do carteiro, nos segundos que pareciam horas.
A minha geração reaprendeu a amar diferente, moldou-se à intensidade de um tempo que não tem tempo para amar, que vê passar os dias a um ritmo alucinante, onde o amor ocupa um lugar fugaz, mas presente.
Antes, o tempo era apertado, a esperança era o dobro da esperança média de vida e a ausência de tempo para se ser feliz, fazia com que se amasse uma vez e para sempre. E mesmo assim roubavam-se horas para um toque no rosto ou um abraço sentido.
Hoje, o amor está ali, no "chat", se não estiver num café está no outro e se não for hoje é na semana que vem. Não se conhece a essência, não se sabe de que matéria é feito e ainda nos damos ao luxo de não queremos amar, porque não queremos sofrer.
A facilidade da conquista remove-lhe o título e a ausência da pessoa de quem gostamos está a uma chamada por "skype" quatro ou cinco vezes ao dia.
O sentimento é tão banal que podemos amar meia dúzia de vezes ao ano. A " tal " é sempre a próxima e a intensidade por vezes é tão pouco empregue que vamos sempre com o sentimento de: "...pode não correr bem. ".
Entregamos a alma ao rapaz da pizza da semana passada e na seguinte estamos apaixonados por alguém que nunca vimos pessoalmente.
Amamos quem não conhecemos, por vezes forçamos o sentimento e outras vezes achamos que devemos ir com mais calma, como se o amor tivesse um limite de velocidade quando se sente verdadeiramente.
A surpresa já não existe, o destino já nem é uma hipótese a considerar e confundimos amor com paixão e paixão com desejo.
Sei que hoje já não corremos quilómetros para entregar uma for, porque mandamos o estafeta a casa. O piscar de olhos foi trocado pelo "smile emotion" e a mão já não sente suavemente o rosto porque serve para disparar a "selfie" que se vai enviar.
Hoje sabemos tudo, no primeiro encontro, já nos disse que os sapatos iam combinar com a camisa e o perfume que se usa foi revelado na primeiras três horas de conversa por "sms".
Mesmo assim e contra as adversidades que nos são impostas, acredito que hoje o amor é mais presente, existe em maior quantidade. Acredito que amar faz bem e sou apologista de que se ame muitas vezes, que se ame sempre, porque quando amamos somos mais felizes, porque nos desdobramos e podemos ser melhores...melhores a sentir a dar ou a receber.
Substituímos a conquista pela versatilidade ou a impaciência pela paciência.
Hoje o amor pode ser "low coast" ou "fast food", mas a intensidade ultrapassou a escala. Não se ama em dimensão, mas não é por mal; é porque tem que ser assim. A arritmia é mais presente e o coração volta e meia parece não ganhar para o susto.
Andamos deprimidos meio ano, depois passamos outro meio ano a flutuar, mudámos de parceiro e voltámos a dar asas ao coração e libertámo-nos para voltarmos a viver.
Já não assinamos termos e condições na hora de entregarmos a alma e o corpo. Podemos até banalizar o sentimento puro, mas a culpa não foi nossa, foi da evolução que o tempo tomou, é da época, dos avanços sem recuos.
Eu próprio já perdi o rumo ao amor, desconheço-lhe a magia e conheço-lhe a previsibilidade. Mesmo assim acarreto em mim a esperança de um dia poder abrir os olhos e sentir a firmeza do entrelaçar das mãos, de me esquecer do tempo e do espaço. Do momento ser ímpar por ser partilhado e da outra pessoa ser a minha condição de vida, de a fazer sentir-se única ainda que rodeada por multidões. De lhe apresentar os jardins...flor a flor. De a levar a jantar ao telhado do prédio, de a vista ser só uma: a nossa.
De nos esquecermos de acender a lareira em dias frios e sentirmos a brisa em conjunto. Dos dias agrestes serem confundidos com os suaves e das tempestades serem arrítmias sentidas pelo coração quando a ausência marcar presença. Da lua cheia ser a vela que se acende todos os meses. De comemoramos as datas todas, porque não há dias para se amar de menos ou de mais.
Acredito nisso e ainda que o façamos de forma diferente, porque o século mudou e ele mudou o resto, estaremos na mesma a esboçar um sorriso ou muitos (se o carteiro deixar de existir, as borboletas no estômago permanecerão). Acredito que hoje podemos amar mais e por mais vezes, mas será dessa forma que acordaremos mais dias felizes. Que o toque do despertador seja o ritmo do coração e se o adiarmos de cinco em cinco minutos ele voltará a tocar.
O amor pode ter perdido em autenticidade mas ganhou em exagero, e desde quando amar em excesso pode fazer mal?...Que se ame...cada vez mais. Sortudo daquele que ama todos os dias.
O amor será sempre amor, independentemente da época, e da forma como se manifesta, não é melhor nem pior...é diferente.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

A roda de encher as canelas.

em Madrid, Espanha

Sempre pensei em Madrid como a capital Espanhola sem mar e rio mas com Príncipes e Reis e há uns tempos com Ronaldo. Mas nestes dias o meu amigo Nuno e a Ana mostraram-me uma praça, chama-se Plaza Mayor, fica mesmo no coração de Madrid. É arquitectonicamente imperial e tem artistas de rua, fruto destes e do fascínio, tentei colocar essa Plaza dentro de uma bola de sabão, com cores e magia.

em Lisboa, Portugal

A Brigitte vem de Marselha, já tem o cartão cheio de fotografias e chegou há 4 horas atrás a Lisboa. Vou o elevador por duas vezes e eu também.

em Pampilhosa da Serra, Portugal

Este local com as estradas perdidas sempre me fez lembrar o País de Gales, mas é aqui ao lado de casa.
Ontem vi-as através do espelho da mota.

em Lisboa, Portugal

Era mais que meia tarde, era final de tarde. Ela entrou primeiro, ajoelhou-se e rezou uma " Avé Maria ", eu vinha atrás e antes de me ajoelhar fui sugado pela magnitude da luz que entrava pelas janelas grandes. Ajoelhei-me depois e em vez de rezar...tirei esta fotografia.
A Leti prometera-me que rezara por ela e por mim. Acenei-lhe com a cabeça, como que aprovando o poder da fé.
É a igreja de São Domingos...fica nas Portas de Santo Antão e mesmo com todo o tumulto que acontece lá fora, ninguém tem a percepção do que se pode sentir para dentro daquela igreja.
Eu sou sensitivo, entrego-me às sensações nas horas das palavras e por vezes resulta.
Esta igreja foi assolada por um terramoto em 1531 e foi também aqui que começou o massacre de Lisboa uns 30 anos antes.
As paredes abriram fendas do tecto até ao chão e só com a ajuda dos fiéis que com doações permitiram a reabertura da igreja muitos anos depois.
Hoje e apesar de todo o preciosismo, ainda se notam as marcas do tempo. A força que vergara ao poder da natureza.
Esta igreja é inabalável na fé e transversal a todas as religiões.
...Porque lá fora, à porta da própria igreja deambulam durante o dia pessoas de todas as religiões.
Os Muçulmanos, os Budistas, os Ortodoxos ou Católicos permutam o espaço por todos os dias do ano, cruzam-se com a igreja e muitos deles fazem as suas orações mesmo à porta dela. Não deixa de irónico.
Mas existe uma resposta para isto, chama-se : FÉ.
A fé de cada um, que é igual à de todos permite-lhes viver debaixo do mesmo céu, acreditar com a mesma força e excercerem com o mesmo direito.
A fé...essa é universal a qualquer religião. E foi a fé que me entrou pelo portal grande naquela tarde e incidiu desta forma sobre os bancos.
....levantei-me, curvei-me de gratidão e saí.
A música desta foto, podia ser esta : The Cinematic Orchestra - Breathe

em Lisboa, Portugal

Foram segundos vividos a cores, é a Beatriz, passou por mim de rompante mas com uma intensidade capaz de ter deixado marcas.
Esta foi a " metade " que me deixou, uma metade sexy.

em Paris, França

Esta fotografia já se tornou num ritual meu, pelos locais emblemáticos por onde passo. Mas esta ainda estava guardada no disco. Fui agora resgatá-la, pelo sentido do acaso, por mais triste que seja.
Sexta feira 13 de Novembro, 22h05 :
- " Estou Antony, como estás? estamos todos preocupados contigo..."
" Estou um bocado assustado, estou no bairro do Bataclan, a uns 300 metros do local do atentado. "...
O telemóvel estava em alta voz e fizemos todos um ar assustado...
- " Então sai daí para fora, vai para casa... ( dizíamos todos )...
" Não posso estou trancado dentro de um bar, onde estava e não nos deixam sair, estamos bloqueados. Eu estava à porta do bar com uns amigos e de repente caem em cima de nós policias com metralhadoras, não são armas pequenas, eram metralhadoras e apontaram-nos as armas e mandaram-nos entrar para dentro do bar. Vinha uma homem com a cara cheia de sangue com eles e outras pessoas feridas...";
" Pronto, o que interessa é que estejas bem, quando chegares a casa, liga-nos."
Horas depois...
- " Já estás em casa? "
" Sim, mas nem imaginam o que vi. Sinto-me num filme. Não havia táxis, metro ou autocarros e então tive que vir a pé. Só há policias e tropas na rua e passei por macas com pessoas mortas ou feridas. Só se ouvem sirenes. "
O Antony é um dos nossos melhores amigos, foi ele quem nos apresentou a Paris há uns meses atrás e ele é praticamente do nosso sangue. Já o conhecemos bem e pela primeira vez o sentimos com medo. Sentimos-lhe susto nas palavras, percebemos-lhe fragilidade, como nunca antes.
Foi com ele que falámos depois de percebermos a dimensão do que se passava.
...e foi também com ele que tirámos esta fotografia há uns meses atrás, na altura eu quis que fosse simbólica : Unir o maior símbolo de França aos corações, à paz e ao amor.
E nunca esta fotografia fez tanto sentido.
A nação Francesa está ferida, o mundo está triste, as famílias das vitimas estão de luto. Existe à volta de tudo isto um sentimento de pânico ou susto, mesmo que possamos sempre dizer a típica frase : " Ah somos tão pequeninos que connosco nunca se vêm meter...". Mas já o fazem quando geram violência, quando abalam o mundo, quando assustam parte de nossos, quando percebemos que conseguem cometer atrocidades em locais tão bem protegidos, quando nos fazem sentir desprotegidos.
É natural que nesta situação se necessite de saber quem são os culpados, quem faz isto. Não se deve generalizar, mas também não devemos ser apenas moralistas. É grave demais para julgamentos morais. São grupos extremistas e são apenas aglomerações isoladas de radicais.
Existem realmente os inocentes, os mesmo inocentes que por diversas formas os fazem ser culpados, mas ninguém os faz ser mais culpados que esses próprios extremistas, são eles quem nos obriga a generalizar e colocar tudo no mesmo " saco ". São os corações feridos das pessoas, é o luto das famílias, é esse sentimento de falta de segurança que os grupos isolados nos passam que nos obrigam a generalizar.
Seremos nós os culpados? Não, os culpados são os que a eles pertencem seja em religião ou raça, ou cor e costumes. São os radicais que castigam os inocentes.
Mas acho que as pessoas se preocupam tanto em defender os inocentes que vivem no meio dos terroristas que se esquecem do essencial : das pessoas que morreram, das famílias das pessoas que morreram, das famílias que morreram ali, doa polícias que sacrificaram a vida,dos bombeiros ou socorristas que tiraram horas à cama para dar o corpo pelas vidas, dos donos dos bares e restaurantes, da pessoa que vai a passar e vai levar com o trauma toda a vida.
Estes deviam ser o nosso foco, a nossa preocupação, fonte de energia ou oração, tema de conversa e importância.
É triste quando queremos ser falsos moralistas e nos viramos para as " vitimas " dos inocentes ou " inocentes " que possam ser crucificados pelos actos de pessoas que pertencem ao seu povo e remetemos para segundos plano as verdadeiras vitimas. E é desse mundo que me envergonho, de um mundo que é severamente atacado e não se preocupa com o " Antony ", a " Marie " ou o " Manuel António ", para quem as vidas terminaram ali, mas vive focalizado em defender o " Muhammed ", o " Khan " ou o " Tumani ", porque existe a possibilidade de que sejam injustiçados por actos que não cometeram.
E a justiça da vida? E que justiça tem o " Patrick que só assistia a um concerto, numa sexta-feira normal, para depois ir para casa ter com a mulher e os dois filhos de 6 anos...
Conheci Paris e ela entrou-me no coração fugazmente...mas ficou, é com dor na alma que vejo uma cidade assim viver de rosto tapado e de coração apertado. Mas pior que isso são as famílias que se perderam na sexta feira, as vidas por fazer ou as histórias por contar.
Acho bem que numa rede social todos tenham um rosto com as mesmas cores, porque nunca nos devemos envergonhar da solidariedade e só unidos podemos mostrar a força que os ataques nos levam aos poucos.
De Paris com esperança e tristeza...

em Londres, Inglaterra

As coisas que resistem à mudança.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Costumo fazer esta fotografia com o iphone, quando chego ao cume e o sol desaparece nas montanhas.
Desta vez foi com a máquina, aproveitei os últimos raios de sol do dia que cobriam a paisagem fria mas de tons quentes e que faziam brilhar a mota.
Estas montanhas são quase minhas, negociei-as com a Heidi a quando da separação de bens. Ela ficou com meio hectare de carvalhos que não se vêm na fotografia e eu fiquei com tudo o que os vossos olhos avistam. Foi um bom negócio para ambas as partes e estamos a tratar dos registos de propriedade com o notário.
Por vezes gostava de passar metade daquilo que sinto num sítio destes, mas as palavras não substituem as imagens e estas não dão a realidade da presença. No entanto exprimo-me assim.

em Janeiro de Cima, Portugal

Fazem-me lembrar Itália, com uma Senhora de larga idade na varanda ao som de Pavarotti, era "Nessun Dorma" que ecoava da sala para a rua a um ritmo encantador e soletrado por "Ela".
Fazem-me lembrar Itália estes quelhos feitos de pedras do rio, com as cores todas, ou com as cores certas.
Parou uma motorizada, das antigas, deve ter mais de 40 anos, deita mais fumo que barulho, dela sai o António e é possível que fale demasiado com as mãos, que os gestos lhe substituam as palavras. Trocam dois dedos de conversa...e Pavarotti nunca deixou de se ouvir.
Podem levar-me longe...estes recantos feitos de encantos, mas vivem inertes num espaço perto do meu, é em Janeiro de Cima.
São fachadas ou portadas com tantas cores como histórias, e com Pavarotti que nunca deixou de tocar.

em Lisboa, Portugal

Foi tudo obra da Leticia, enquadramento e ideia. Pus em práctica o que ela me disse e saiu isto.
Ás vezes só precisamos de um bom manual de 1.60 e baton vermelho.
É dentro dos Armazéns dos Chiado. A entrar vinham a Jessica e o Richard, contarei a história deles em breve.

em Lisboa, Portugal

" Ela " estava ali, encostada à parede, fumava um cigarro e tinha um estilo que fazia parar quem passava, que nos desvia o olhar.
Eu passei, parei, voltei a parar e a fotografá-la. Primeiro fotografei-lhe " a metade " e depois conheci-lhe o rosto, o nome e as expressões.
Mal atirou a "pirisca" para o chão, usou as all star para a apagar e foi nesse momento que a abordei.
Falei-lhe no estilo peculiar, no vestido de recorte simples mas bonito, no rosto bonito, nos olhos escondidos pelos óculos de sol e nos ténis em uníssono com a calçada.
" Olá, fotografei-te e já não posso voltar atrás nesta decisão que tomei há 3 minutos atrás ".
Ela sorriu, voltou a sorrir...
- " Eu reparei em ti, mas passam tantas pessoas na rua, não pensei que estivesses atento a mim...":
" És fascínio em retrato, vi-te 100 metros antes de passar por ti, precisava de alguém como tu e já escrevi a tua história muito antes de te avistar...":
Ela suspirou e :
" Muito prazer, sou a Catarina..."
- " Eu sou o Marco, obrigado por estares aí..."
...e despedimo-nos alguns sorrisos depois.
Trouxe-lhe o rosto que desvendarei mais tarde e trouxe-lhe a vida, que acompanhará o rosto.
Por agora, esta é " metade " da Catarina.

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

A minha Mãe tem um tear, daqueles que tece a sério, que herdou da minha Bisavó. Já o deve ter há uns 30 anos ou mais...
...a minha Bisavó e uma Tia ensinaram a minha Mãe a tecer e ela é uma das poucas pessoas que ainda hoje tecem na minha Aldeia.
E só hoje me lembrei que o tear está em casa da minha avó...um local onde vou todos os dias.
E passou-se assim :
Mãe do Marco : " Filho, vou espairecer a cabeça e tecer uma passadeira para o Tear...";
Eu : "...está bem, até logo...";
(2 horas depois)
A minha Mãe volta...
Mãe do Marco : " ...hoje doia-me a barriga a batar com o pente nas linhas..."...;
Eu : "...então?...";
Mãe do Marco : "...tirei uma fotografia com o telemovel..., olha..."...
...e naquele instante :
Eu : "...caramba oh Mãe tu tens um tear...como nunca me lembrei de o ir fotografar...? "
Mãe do Marco : "...és um cabeça no ar...Marco Sérgio...":
...saio repentinamente de casa e ainda apanho um pouco de luz natural que passava nas fisgas das janelas do rés do chão de casa da minha Avó. O suficiente para meia dúzia de fotografias e a obrigação de lá voltar amanhã...depois e depois.
Esta fotografia é este video e esta música : James – Moving On

em Aldeia de São Francisco de Assis, Portugal

Nú e crú
É o titulo perfeito para uma imagem de tradições, de dureza, de trabalho árduo e persistência...por décadas a (fio)...como aqueles tecidos assim...

em Penamacor, Portugal

O armário dos medicamentos
Esta casa distinguia-se das demais, pela carga feminina, viveram aqui duas Senhoras que partiram já idosas.
Nota-se nos detalhes, no requinte, nas duas cadeiras de madeira no alpendre. E nota-se também e no meio de tanto pó, que não eram pessoas que respiravam saúde. Tinham doenças e faziam o tratamento com muita medicação.
Assim se explica um armário feito de farmácia que ainda sobrevive na sala da casa.
Havia remédios para a tosse, para a asma, tudo e mais algumas coisa...pensos e seringas...provavelmente para atenuar as dores da coluna.
Eu peguei na câmara e passei com ou sem prescrição esta receita...

em Monsanto, Portugal

A fortificação que nos leva ao mundo dos sonhos.

em Covilhã, Portugal

São a Lucky e o Luke, passei por eles em momentos de amor, porque os animais não se inibem, ignoram o mundo para parar se entregarem um ao outro.
É por isso que eles pressentem as coisas, pela sensibilidade com que as vivem, com que se entregam e com a disponibilidade com que abrem o coração. São fiéis, presunçosos e intensos.
Eu apreciava o gesto, até que virei as costas para impedir que um mosquito me atrapalhasse e quando me voltei já não estavam...saíram para se amarem noutro sítio...mais rápidos que a própria sombra, ou não fossem Lucky e Luke.

em Belmonte, Portugal

A casa do cavalo
Podia ser um estábulo, mas tem um dos alpendres mais bonitos que já vi, todo branco e em tons azulados, um azul suave, comprido ao largo de toda a fachada frontal da casa. Dali pode ver-se o sol a pôr-se, na encosta da Serra.
Na parte de trás da casa nasce sempre a lua, nuns dias mais cedo que nos outros.
Mas a casa é de um mistério intrigante. Parece fechada há 20 anos, parece que os donos de ausentaram para ir de férias a Veneza e não mais voltaram. Os sapatos permanecem ao lado das cama, como que esperassem ser calçados, as escovas de dentes estão no copo e a pasta ainda não se gastou. Um poster do Sá Carneiro faz-se erguer já dentro do hall de entrada e depois do alpendre, acudindo ao voto às Governamentais. O politico já morreu há 30 anos, mas e os donos da casa? Porque não vieram buscar os casacos presos ao cabide? Porque deixaram as camisas no guarda - fatos, prontas a usar?
Saíram sem deixar recado? Foi numa manhã de primavera? Num dia invernoso e frio?
O chapéu em cima da mesa não afasta a hipótese de rapto, mas porque não estava no cabide com os outros? Quem o viria por na cabeça para impedir o sol? Podia ser verão então...
Este local é o hall de entrada com acesso à cozinha e vista para o alpendre, é aqui que vive Sá Carneiro feito de papel e pregas e traças também. Há peças de dominó e uma caixa com acessório de malha e renda.
Minutos antes de insurgir neste local carregado de misticismo vi um cavalo castanho, em tons brilhantes, fugiu-se rapidamente da retina do olhar ainda que deixasse rasto no chão. Não voltou...mas os escassos segundos foram suficientes para denominar uma casa estranha e forte.

em Paris, França

O Amor não tem lugar fixo
Disse que em Paris não tirei as fotografias da minha vida. Mas como pude dizer isso, quando fotografei os detalhes na cidade em que o Amor vive em sintonia com ela própria.
Uma calçada, o amor livre que começa na cabeça e vem até aos pés e Paris...
O Amor definitivamente não tem um lugar fixo...


Vamos falar? Conte-me uma história.

Mensagem enviada! Entrarei em contacto consigo brevemente.

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